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Quem me apresentou a esta livraria ícone, criada por Sylvia Beach em Paris por volta de 1920 - uma americana expatriada - foi o casal Eduardo e Bete, que me deu de presente o livro de Sylvia num destes Natais. Eu nunca tinha ouvido falar, e fiquei fascinado com a história. A livraria original ficava localizada na Rive Gauche, na rue Dupuytren, depois mudou-se para rue de l'Odéon onde encerrou suas atividades durante a ocupação nazista em 1941. Naquela época os maiores escritores faziam ponto na livraria: Joyce, Hemingway, Pound, Gertrude Stein. Era especialmente dedicada em propagar as obras de escritores de língua inglesa. Sylvia, além de livreira, arriscou seu capital editando pela primeira vez o famoso "Ulysses". Atualmente existe uma outra Shakespeare and Company em Paris, também fundada por um americano, e cujo nome foi autorizado por Sylvia. Fica na rue de la Bûcherie. Eu visitei, ainda, uma outra Shakespeare and Co., na Telegraph Ave. em Berkeley, California. Sylvia Beach inaugurou o estilo das livrarias-butique. Embora extremamente desorganizada, era aconchegante. Não era preciso comprar. Podia-se sentar em uma das poltronas e ler calmamente um livro, ou levar emprestado.

Basta pesquisar nos sites mais bem frequentados de leitores e livros: SkoobGoodreadsListalLibraryThing. As mulheres estão lendo mais do que os homens. Não apenas estão lendo, e mulheres de
(Imagem por cortesia de Ambro em FreeDigitalPhotos.net)
todas as idades, mas são ativistas do livro. Estão fazendo crítica, atribuindo notas, participando de grupos de discussão, elegendo os melhores autores. A respeito deste assunto a revista NewYorker publicou um artigo muito interessante chamado Turning the Page - how women became readers. Lá se diz que mulheres e homens continuam a ter diferentes hábitos de leitura. E, talvez, diferentes perspectivas nas escolhas dos livros. Aqui em casa, por exemplo, minha mulher nem passa perto de alguns livros que compro. Não demonstra o mínimo interesse pelos assuntos tratados. Mas o importante para quem escreve livros é que a opinião delas passou a ser determinante do sucesso ou não do que é publicado. Confiram nos sites citados acima. Uma leitora colocou a seguinte citação em sua página no Goodreads:
“Fools talk, cowards are silent, wise men listen.” Carlos Ruiz Zafón, The Shadow of the Wind

No intrigante livro 1421 Year China Discovered America, publicado pela primeira vez em 2002, o autor até então desconhecido Gavin Menzies, um antigo oficial da Royal Navy, revela que os chineses estiveram na América muito antes de Colombo nascer. A tese do livro é bombástica. Teria ocorrido uma viagem de circunavegação por parte de uma frota chinesa naquele ano. Portanto, os chineses não apenas estiveram na América, mas também na Itália e na Austrália, esta muito antes do Capitão Cook. O interessante é que o autor na realidade usou um "ghost writer" para escrever o livro a partir de suas descobertas, e este foi fruto da contribuição de várias pessoas.
Quem quiser saber mais desta história veja em http://www.1421exposed.com/

(6 de outubro de 2012)

Este é um site que se propõe a catalogar todos os seus livros: lidos, a ler, preferidos, autores, palavras-chave e muitas outras coisas. E você pode procurar outros leitores que compartilham de suas preferências. Dizem ter mais de um milhão e meio de usuários e mais de cinquenta milhões de livros cadastrados. Uau. Deve ser o maior repositório mundial do conhecimento. Por curiosidade fui pesquisar quantos leitores possuem livros de J.R. Rowling, autora dos livros de Harry Potter - mais de 474 mil inscritos no site. Em compensação, o memorialista Pedro Nava tem apenas quinze. Vale a pena se cadastrar.
http://br.librarything.com/

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