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Já dizia o poeta Drummond,

"Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?"

Este livro dos autores independentes Carlos Vieira e Josélia Teles, lançado em dezembro de 2012, traça uma breve genealogia e a história de dois troncos familiares mineiros interligados pelo casamento em 1973. Pode ser encontrado na Amazon brasileira, Livraria Cultura/Kobo, Apple iBookstore e Smashwords. E, surpresa, o eBook tem download gratuito. Isso mesmo, é grátis. Nossa contribuição para aumentar a popularidade dos eBooks e o barateamento em geral do preço dos livros. Podem acreditar.

"Que esta vida não é mais do que um sonho tem sido a opinião de muitos; e também foi sempre o meu sentimento. Quando eu considero os estreitos limites em que se acham encerradas as faculdades ativas e especulativas do homem; quando eu observo que toda a nossa atividade não tende senão a satisfazer necessidades, cujo fim é unicamente prolongar a nossa miserável existência; que toda a nossa tranquilidade sobre certos pontos das nossas indagações não é mais do que uma resignação fantástica; e que somente nos ocupamos em pintar milhares de figuras confusas e quadros brilhantes sobre os muros que nos servem de prisão; então Guilherme, emudeço. Entro em mim mesmo e aí encontro um mundo!"
(Trecho do livro "Os Sofrimentos do Jovem Werther", de Johann Wolfang von Goethe, 1774. Compre o livro e assista ao filme.)

A enxurrada de livros traduzidos que as editoras nacionais trazem para o mercado brasileiro reacende uma velha questão. O que tem a nossa cultura, e os nossos leitores, a ver com o que se passou em Newark na década de 60? Este é um exemplo tirado do enorme sucesso editorial nos Estados Unidos de autoria de Philip Roth que acabei de ler, American Pastoral. Premiadíssimo, lá. Para nós, que mal conseguimos pronunciar "Newark", e cuja problemática dos anos sessenta na nova classe média americana diz muito pouco, o livro é chato. Sem discutir os méritos do autor, que são muitos. A mesma coisa de um livro de autor irlandês que li outro dia, cuja trama se passa nas trincheiras da primeira grande guerra, e nas estradas do interior da Inglaterra.

Agora, pergunto: alguém aí já leu alguma história que se passa em Sabará no século XVIII?  Época de El-Rei D. José I e do Marquês de Pombal. Sim, Sabará, terra de nossa autora independente Josélia Teles, esta cidade colonial de Minas Gerais esquecida dos turistas e do poder público. Penso que as editoras brasileiras ainda têm o péssimo hábito de decidir que o que é bom para os americanos, é bom para o Brasil, tal qual se dizia que o chanceler Juracy Magalhães teria resumido a nossa postura internacional na década de 60. Discordo das editoras.

E atenção, se você ainda não leu um romance que se passa na Minas Colonial, a oportunidade está aqui mesmo em nossa Livraria Virtual. O livro é Sabará 18.

 E para terminar, um pouco da nossa cultura. O Rio Sabará, que banha a cidade colonial de Sabará nasce em Caeté, antiga Vila Nova da Rainha, e termina no Rio das Velhas. O encontro dos dois forma a "curva do rio", uma possível interpretação para o nome de Sabarabussu.

(28 de dezembro de 2012)




Dom José I, chamado de O Reformador, "Pela Graça de Deus, Rei de Portugal e dos Algarves, d'Aquém e d'Além-Mar em África, Senhor da Guiné e da Conquista, Navegação e Comércio da Etiópia, Arábia, Pérsia e Índia, etc." . Esteve no centro de uma grande tragédia no século XVIII, e que pode ser lida na nossa postagem Marco do Chão Salgado.

Cortesia de watcharakun e FreeDigitalPhotos.net
Este mês de dezembro está repleto de novidades para os consumidores de livros. Finalmente desencantou o assunto eBook. Tivemos anúncios da Apple, Livraria Cultura e Kobo, Amazon. A reação também não se fez tardar, sempre contra o leitor. As livrarias tradicionais querem proteção do governo. Proteção? Tornar o preço do livro acessível ao bolso do brasileiro, buscando formas de baratear a produção e a distribuição, parece que nunca foi objeto de preocupação. Agora quando a tecnologia, finalmente, chega ao Brasil, querem proteção? Poupem-nos. Hoje li um artigo dizendo que os lançamentos frustraram as expectativas porque os preços continuam altos, apenas uma fração abaixo dos livros impressos. Mas será que o articulista correu as listas de livros mesmo? Existem eBooks gratuitos e outros, de autores independentes, por menos de R$6,00. Não será esta uma grande conquista? Agora, trata-se de escolher o melhor eReader. E aí dependerá de cada um, e certamente dos preços praticados aqui.

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