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Quando eu ouvi falar, pela primeira vez, em Borrachalioteca de Sabará, juro que não entendi. Acho que foi a escritora sabarense Leyla Horta quem me explicou do que se tratava. Criada como uma biblioteca comunitária em 2002, dentro de uma borracharia da cidade, ela se tornou mais tarde o Instituto Cultural Aníbal Machado, pelas mãos de Marcos Túlio Damascena. Lá as pessoas podem ler gratuitamente livros de um acervo hoje de cerca de dez mil livros, entre eles o nosso Sabará 18. A esposa, Águida, é contadora de histórias e os filhos já nasceram envolvidos pelos livros. Um chama-se Sartre e a menina Cecília Clarice.
Quem quiser doar livros ou obter mais informações, aqui vai o endereço:
Praça Paulo de Souza Lima, 22
Bairro Caieira - Sabará - MG
CEP: 34505-060
E-mail: borrachalioteca@gmail.com
Telefones: (31) 8825-2391 - (31) 3674-4170

Eu faço pão em casa. Não é propriamente para concorrer com o pão do Zona Sul ou do Talho Capixaba, excelentes. É para ter o prazer, antiquíssimo, de amassar o  pão com as próprias mãos, colocar temperos e sabores inusitados, vê-lo crescer lentamente e, depois, sentir aquele cheirinho de pão sendo assado encher a casa onde moro.
Uso a mesma técnica do Sourdough de São Francisco, California, o que me leva ao famoso Boudin de Fisherman's Wharf.

Sourdough é uma massa com fermento natural (massa lêveda), que leva semanas para ficar no ponto. Começa-se com um mosto de uvas, ou de maçãs verdes picadas, e deixado fermentar com um pouco de açucar mascavo por uns cinco dias. Depois de coado, mistura-se farinha de trigo. E dali para frente sempre mais um pouquinho e água. Dentro de alguns dias tem-se um starter, como dizem os americanos. Este será diferente de cozinha para cozinha, absorvendo as bactérias (ou lactobacilos) presentes naquele ambiente, e tornando os pães resultantes com um sabor único. Reza a tradição que deve-se dar um nome a este fermento natural, que será preservado infinitamente, se o alimentarmos adequadamente. O meu chamei-o "Severino".
Segundo Fabi, amiga de minha filha Diana, eu virei "Carlos, le boulanger". Pode haver maior elogio?
E Clarissa sempre me desafia trazendo-me novas e maravilhosas descobertas da Cum Panio, de Belo Horizonte.

A propósito, visite este site australiano sourdough.com

(15 de maio de 2013)

Hoje, quando minha filha me perguntou que nome completo eu escolheria para a Lívia que vai nascer, fui buscar o excelente livro de Isabel Stilwell e recitei todos os nomes e sobrenomes de D. Maria II: Maria da Glória Joana Carlota Leopoldina da Cruz Francisca Xavier de Paula Isidora Micaela Gabriela Rafaela Gonzaga de Bragança.
Dona Maria da Glória, brasileira nascida no Paço de São Cristóvão, tornada rainha de Portugal aos sete anos de idade, era a filha mais velha do imperador D. Pedro I (D. Pedro IV de Portugal), e segundo a narrativa de Stilwell viu-se bem cedo envolvida nas trapalhadas do pai, e no sofrimento da mãe austríaca, sempre cercada de leais damas que ajudaram na sua formação. Ficou amiga de Vitória, a jovem herdeira do trono inglês, e as duas casaram-se com dois primos da casa de Saxe-Coburgo-Gota.
Como dizem meus amigos portugueses, eu gostei imenso deste livro. Isabel Stilwell, autora cujos livros vim a conhecer pelas mãos de Maria Fernanda, tem uma escrita deliciosa e cheia de pormenores. Fiquei com muita pena daquela menina rainha, que só aos 14 anos finalmente chegou a Lisboa, depois de uma luta tremenda. E, diz o livro, que ao chegar ao Tejo depois de passar pela França e pela Inglaterra, subitamente deu-lhe uma grande nostalgia da cidade do Rio de Janeiro. Morreu aos 34 anos.
(D. Maria II, Isabel Stilwell, ed. A esfera dos livros, 2012)





Veja também aqui um romance histórico que se passa em Minas Gerais do século XVIII.
Sabará 18 - Carlos Vieira



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