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Temos esperança. Como lembra John Swansburg, na revista eletrônica Slate, o autor de maior sucesso nos Estados Unidos no século XIX e até hoje publicado, Lew Wallace, que escreveu o famoso Ben-Hur, foi um general na Guerra Civil Americana e também um general temporário no Exército Mexicano. Dizem que o general Grant fazia sérias restrições a sua capacidade de comandar, mas isto é outra história. Era advogado, político, foi governador do Novo México, e um ministro designado ao Império Otomano. Sua principal obra, Ben-Hur, escrita depois de seu período no Exército, foi transformada em um dos filmes de maior sucesso na década de 50, com Charlton Heston no papel principal. O romance trata da divindade de Jesus e levou quatro anos para ser escrito. O mais interessante, segundo Swansburg, é que a realização do livro foi incentivada por um ateu convicto, Robert Ingersoll. O autor, que alguns consideravam na época agnóstico, fez questão de não colocar Jesus como um personagem  qualquer do livro, com diálogos criados. Todas as citações de Jesus foram retiradas da Bíblia. A "Civil War" comemora 150 anos. Assistimos "Lincoln". Agora chegou a hora de revermos "Ben-Hur".

O autor independente se pergunta o que faz o sucesso de um livro? O livro "Cinquenta tons de cinza", de E. L. James, e suas continuações constituem um verdadeiro mistério. O primeiro livro da saga conseguiu a bagatela de 454 mil leitores e 51 mil avaliações escritas no site Goodreads. Pensem bem. No site brasileiro Skoob ele já teve 25 mil leitores e 14 mil avaliações, sendo que cerca de 40% com a máxima avaliação. No LibraryThing mais de 3 mil participantes incluíram em seus acervos e 290 se deram ao trabalho de escrever uma opinião sobre o livro. É ou não é um atestado eloquente de sucesso? Mas quando nos dedicamos a ler os comentários sobre o livro concluímos que ele desperta paixão e ódio. E parece-me que as mulheres receberam melhor do que os homens. Alguns classificam estes livros como literatura BDSM (ficção sadomasoquista). O jeito é ler para crer.

Quando em 2013 um vento forte soprou da Argentina em direção a Roma, julgamos oportuno nos lembrarmos, naquele ano, de um outro Jorge. O livro Borges, uma notável coletânea dos diários do grande escritor argentino Adolfo Bioy Casares, de mais de 1600 páginas, mostra Jorge Luis Borges de corpo inteiro, na perspectiva do autor obviamente. Cerca de quarenta anos da vida intelectual argentina são repassados neste livro, junto com a amizade que uniu dois escritores de grande criatividade, seus companheiros de geração, amores, e diversas personalidades políticas e literárias contemporâneas. Edição em língua espanhola, aos cuidados de Daniel Martino, 2006. Pode ser encontrado na Amazon.
(Escrito em 2013, por ocasião da escolha do Papa Francisco, e atualizado em 2016)

Diz o meu amigo Ricardo Caldeira, lisboeta e morador ocasional na Portela, que o correto seria dizer "Era o Rio de Janeiro, e chovia", porque segundo ele esta é a cidade em que mais chove no mundo. Talvez porque ele não conheça muito bem São Paulo, cidade que, esta sim, é pródiga em grandes chuvaradas e inundações. Dário Moreira de Castro Alves, ex-Embaixador brasileiro em Portugal escreveu em 1983 este primor, que é um "roteiro cultural, histórico, literário e sentimental de Lisboa a partir da obra de Eça de Queiroz". Livro hoje encontrado aqui e ali. Para os admiradores de Eça é uma leitura fundamental. Para os brasileiros que conservam uma terna lembrança de Lisboa é um verdadeiro reencontro.

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Nestes momentos de conclave em Roma, é bom lembrar - mais uma vez - o profético livro de Morris West, que este ano completa 50 anos de sua primeira edição. Em As Sandálias do Pescador (no original The Shoes of the Fisherman), um cardeal russo chamado Kiril Lakota (interpretado no cinema por Anthony Quinn), o mais novo entre os cardeais, é eleito Papa. Aqueles eram os anos 60, com preocupações que não são mais as de hoje, mas o clima do conclave atual é semelhante. Questões fundamentais para a fé, e muitas intrigas. Morris West escreveu uma peça de ficção que se tornaria realidade com Karol Woytila: a eleição de um Papa vindo de país comunista. Será que agora poderiam os católicos ter um Papa vindo da América Latina ou, quem sabe, da África? Poderia ter um impacto semelhante, numa Igreja tão carente de novos ares.

A Casa Azul fica na antiga Rua Direita, em Sabará, e foi mandada construir pelo padre Antônio Correia (ou Corrêa?) no século XVIII, em frente à casa de seu irmão, o todo poderoso Vigário Geral da Comarca do Sabará, padre José Correia da Silva. Ambos são figuras históricas reais que aparecem na obra de ficção Sabará 18, de Carlos Gentil Vieira. Já a Casa Cinza, mencionada no mesmo livro, nunca existiu, que se saiba. Seria território de cristãos novos, judeus convertidos da Península Ibérica, que exerciam como podiam um certo sincretismo religioso, dentro do maior sigilo, para não atrair os olhares indiscretos dos vizinhos das Irmandades e a perseguição do Santo Ofício. A personagem Diane d'Anjour pede a ajuda do padre Antônio para criar um coral infantil na Capela de Santa Rita, infelizmente demolida para dar lugar a uma praça com coreto em Sabará. Visitem Sabará. (Foto Clarissa Horta Vieira)

(2 de março de 2013)

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