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Artigo publicado hoje no New York Times Sunday Review, autoria de William Logan, faz uma indagação perturbadora, sobretudo para quem gosta de ler poesia. Quem precisa dela, nestes tempos em que vivemos, marcados pelo efêmero e pela futilidade? A poesia mexe com a emoção, com a ternura, com o amor. Mas a novela televisiva, o romance, a música, as redes sociais também mexem. Apenas, talvez, de uma forma mais frenética. Lembro-me daquela história contada por Fernando Sabino de que sabendo estar Vinicius de Moraes em Lisboa para uma temporada musical, pegou o telefone e tentou falar com ele. Barrado por uma assessora, disse-lhe tratar-se de Almada Negreiros, o conhecido artista, escritor e poeta português. Vinícius prontamente atendeu com um "Olá, Almada". E Fernando Sabino, no melhor português lusitano, passou-lhe uma espinafração dizendo que ele estava denegrindo a poesia dele fazendo música popular. E partiu para encontrá-lo no bar do hotel. Vinicius não deve ter entendido absolutamente nada naquele instante. Mas é um bom exemplo. Vinicius de Moraes é o poeta da minha preferência. Ele próprio, em dado momento de sua vida, deixou de lado a sua poesia primorosa e foi viver um grande amor, de palco em palco, cantando músicas lindas em parceria com outros grandes compositores. Quem precisa de poesia, caro leitor deste blog, certamente hoje mais preocupado com os jogos da Copa no Brasil? Permita-me transcrever, então, os primeiros versos do Soneto de Fidelidade, de Vinicius, retirado de um velho alfarrábio que tenho aqui na estante, e que me acompanha há uns cinquenta anos.

De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.


(Vinicius de Moraes, "Antologia Poética", Editora do Autor, Rio de Janeiro, 1960)
15 de junho de 2014

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