Pois agora eu encontro um livro, com dedicatória, de Martha Medeiros, e mais uma vez me surpreendi. Pelo visto, entrei numa nova fase de descobertas, como aconteceu com o livo de Ana Cecília Carvalho, descrito aqui no blog.
O livro A Graça da Coisa reúne várias crônicas da autora, escritas há mais de dez anos mais ou menos. O conjunto permite que o leitor possa apreciar, com clareza, a sua maneira de escrever. É muito boa. A gente quer ler, e ler, sem parar. Ainda bem que o livro tem muitas crônicas, e todas elas são curtas, porque passam de um tema a outro e o leitor não sente. Quer mais. Eu gostei, particularmente, de "O poder terapêutico da estrada", "Coragem" e "Frustração". Já até imagino, no estilo da autora, algum leitor ou leitora deste blog dizendo: "Engraçado, eu nunca escolheria estas crônicas como as melhores". Tudo bem, todas as crônicas são muito boas. É só conferir.
Carlos G. Vieira (12 de junho de 2026)
Marcadores: Crônica
Outro dia, assistindo ao videocast do Encontro Marcado com Álvaro Esteves que apresentava uma entrevista com a autora Ana Cecília Carvalho, fiz uma releitura de seu intrigante livro Os Mesmos e os Outros - o livro dos ex. Já começa que o título é de uma atualidade impressionante, apesar do livro ter sido editado pela primeira vez em 2017. São 25 histórias, cada uma com um fim inesperado. É preciso dizer que a autora é também professora e psicóloga. Os textos são muito bem elaborados, uma escrita que flui com naturalidade, prende a atenção do leitor. E tem também o cão Fidel, que juntamente com os ex, aparece aqui e ali, inclusive na capa. E sempre presente está uma situação distópica, ao fundo, que pressupõe (pelo menos a este leitor) grupos armados em confronto. Nada mais atual. Os mesmos e os outros.
Carlos G. Vieira (8 de maio de 2026)
Marcadores: Contos
Quer conhecer outro livro de sucesso do Álvaro Esteves? Clique aqui.
Carlos G. Vieira (1/5/2026)
Marcadores: Lançamentos
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Marcadores: América Latina
Foi em Diamantina,
que a princesa Leopoldina,
arresolveu se casá.
(Sergio Porto, "O Samba do Crioulo Doido")
Não sejas traidora,
Tem dó de mim...
Tem dó dest´alma,
Que te sabe amar...
("Elvira, Escuta!")
Tim... Tim...
Tim... Tim...
Tim... Tim...Ó Lá Lá
Quem não gosta dele
De quem gostará?
("Tim...Tim...")
Na minha primeira ida ao velho Tijuco, como dizia Juscelino Kubitschek, eu fiquei impressionado ao encontrar uma cidade histórica tão conservada, com as casas e ruas arrumadas, e com uma intensa vida cultural. Na época, notei que talvez as outras cidades, como Ouro Preto por exemplo, mais próximas para o turista eventual, tivessem perdido a singeleza de seus tempos coloniais, e que Diamantina foi justamente preservada pela distância. Graças a Deus. Diamantina é a terra da seresta. O professor Aires da Mata Machado Filho, que tantas vezes vi subindo a Avenida Afonso Pena, em Belo Horizonte, colecionou em seu livro sobre o folclore diamantinense muitas modinhas que já existiam nos tempos de Chica da Silva ("O Negro e o Garimpo em Minas Gerais"). Mas, o meu primeiro contato com as histórias (e que histórias) de Diamantina foi através de meu professor de ciências, o saudoso Dr. Sóter Couto ("Vultos e Fatos de Diamantina"). Depois, foi o Bebeca, "oriundi", quem alargou meus horizontes sobre a terra dos diamantes. Diamantina é mais do que histórias, muito mais do que um passado de lutas e glórias. Diamantina é referência. Como dizem os versos de Fernando Brant, que nos deixou precocemente e meu companheiro de futebol de salão muito antes de virar compositor, "Diamantina é o Beco do Mota". Vale a pena visitar. É patrimônio da humanidade.
Segundo consta, as preferências culinárias de Juscelino, dito por ele mesmo, eram "frango ao molho pardo, franguinho com quiabo e feijão tropeiro, nesta ordem". Também me lembro que Dona Júlia, diligentemente, abastecia a geladeira com jabuticaba toda vez que o filho avisava que estava para chegar. "Estas são para o Nonô", dizia. Acho que aí estão resumidos os grandes atributos da preferência mineira. Eu só acrescentaria, como disse Eduardo Frieiro, "feijão, angu e couve". Você pode encontrar estas e outras comidas típicas de Minas nos restaurantes Grupiara e Raimundo Sem Braço, em Diamantina.
Onde hospedar? Eu sempre fiquei no Hotel Tijuco, mas também recomendo a Pousada do Garimpo. Mas, não importa muito. Você deve passar a maior parte do seu tempo em Diamantina andando pelas ruas e ladeiras, sentindo aquele ar de poesia que acontece ao anoitecer, quando os seresteiros afinam suas violas.
Acho importante visitar: em primeiro lugar, a Igreja de Nossa Senhora do Carmo, cuja construção, dizem, foi subsidiada pelo próprio João Fernandes de Oliveira, o contratador de diamantes, e amante de Chica da Silva. Sua construção foi iniciada em 1760, e é considerada, por tudo, a mais bonita de Diamantina. Ela tem uma característica interessante. Ela tem uma única torre, colocada nos fundos da igreja, para que os sinos não perturbassem o repouso de Chica da Silva, diz a lenda, cuja casa ficava bem próxima, também ela própria uma atração. Mas, também acho imperdíveis as igrejas de São Francisco de Assis, a do Rosário, a das Mercês, a do Amparo e a da Luz. Claro, que o visitante passará pelo Mercado Municipal, com suas arcadas de madeira, uma imagem característica da cidade. E também subirá uma pequena ladeira para apreciar o passadiço do Colégio N. Senhora das Dores, ligando duas edificações construídas em séculos diferentes. Não deixe de ver, também, a Casa do Muxarabi, construída na segunda metade do século XVIII, e a única de Minas que conserva um muxarabi, que é um balcão de origem moura, feito em treliças de madeira, totalmente fechado, e detrás do qual as mulheres podiam ver a rua sem serem vistas. E, não poderia deixar de dizer, vá passear demoradamente pelo Beco do Mota, que em outros tempos foi o centro das noites alegres de Diamantina.
Duas boas épocas para se visitar Diamantina: durante o Festival de Inverno, em julho, e na semana de 12 de setembro, quando se comemora o aniversário de nascimento de JK, o filho mais ilustre. Será que devo recomendar, também, uma cachacinha? Não sei... Bom, por via das dúvidas, vá lá. Em homenagem a José Aparecido de Oliveira, recomendo tomar a Bento Velho, ali de perto, de Conceição do Mato Dentro.
Atrações:
Festival Internacional de Música Antiga de Diamantina
Coral Arte Miúda
Vesperata
Casa de Chica da Silva
Casa onde nasceu Juscelino
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