Foi em Diamantina,
que a princesa Leopoldina,
arresolveu se casá.
(Sergio Porto, "O Samba do Crioulo Doido")
Não sejas traidora,
Tem dó de mim...
Tem dó dest´alma,
Que te sabe amar...
("Elvira, Escuta!")
Tim... Tim...
Tim... Tim...
Tim... Tim...Ó Lá Lá
Quem não gosta dele
De quem gostará?
("Tim...Tim...")
Na minha primeira ida ao velho Tijuco, como dizia Juscelino Kubitschek, eu fiquei impressionado ao encontrar uma cidade histórica tão conservada, com as casas e ruas arrumadas, e com uma intensa vida cultural. Na época, notei que talvez as outras cidades, como Ouro Preto por exemplo, mais próximas para o turista eventual, tivessem perdido a singeleza de seus tempos coloniais, e que Diamantina foi justamente preservada pela distância. Graças a Deus. Diamantina é a terra da seresta. O professor Aires da Mata Machado Filho, que tantas vezes vi subindo a Afonso Pena, colecionou em seu livro sobre o folclore diamantinense muitas modinhas que já existiam nos tempos de Chica da Silva ("O Negro e o Garimpo em Minas Gerais"). Mas, o meu primeiro contato com as histórias (e que histórias) de Diamantina foi através de meu professor de ciências, o saudoso Dr. Sóter Couto ("Vultos e Fatos de Diamantina"). Depois, foi o Bebeca, "oriundi", quem alargou meus horizontes sobre a terra dos diamantes. Diamantina é mais do que histórias, muito mais do que um passado de lutas e glórias. Diamantina é referência. Como dizem os versos de Fernando Brant, que nos deixou precocemente e meu companheiro de futebol de salão muito antes de virar compositor, "Diamantina é o Beco do Mota". Vale a pena visitar. É patrimônio da humanidade.
Segundo consta, as preferências culinárias de Juscelino, dito por ele mesmo, eram "frango ao molho pardo, franguinho com quiabo e feijão tropeiro, nesta ordem". Também me lembro que Dona Júlia, diligentemente, abastecia a geladeira com jabuticaba toda vez que o filho avisava que estava para chegar. "Estas são para o Nonô", dizia. Acho que aí estão resumidos os grandes atributos da preferência mineira. Eu só acrescentaria, como disse Eduardo Frieiro, "feijão, angu e couve". Você pode encontrar estas e outras comidas típicas de Minas nos restaurantes Grupiara e Raimundo Sem Braço, em Diamantina.
Onde hospedar? Eu sempre fiquei no Hotel Tijuco, mas também recomendo a Pousada do Garimpo. Mas, não importa muito. Você deve passar a maior parte do seu tempo em Diamantina andando pelas ruas e ladeiras, sentindo aquele ar de poesia que acontece ao anoitecer, quando os seresteiros afinam suas violas.
Acho importante visitar: em primeiro lugar, a Igreja de Nossa Senhora do Carmo, cuja construção, dizem, foi subsidiada pelo próprio João Fernandes de Oliveira, o contratador de diamantes, e amante de Chica da Silva. Sua construção foi iniciada em 1760, e é considerada, por tudo, a mais bonita de Diamantina. Ela tem uma característica interessante. Ela tem uma única torre, colocada nos fundos da igreja, para que os sinos não perturbassem o repouso de Chica da Silva, diz a lenda, cuja casa ficava bem próxima, também ela própria uma atração. Mas, também acho imperdíveis as igrejas de São Francisco de Assis, a do Rosário, a das Mercês, a do Amparo e a da Luz. Claro, que o visitante passará pelo Mercado Municipal, com suas arcadas de madeira, uma imagem característica da cidade. E também subirá uma pequena ladeira para apreciar o passadiço do Colégio N. Senhora das Dores, ligando duas edificações construídas em séculos diferentes. Não deixe de ver, também, a Casa do Muxarabi, construída na segunda metade do século XVIII, e a única de Minas que conserva um muxarabi, que é um balcão de origem moura, feito em treliças de madeira, totalmente fechado, e detrás do qual as mulheres podiam ver a rua sem serem vistas. E, não poderia deixar de dizer, vá passear demoradamente pelo Beco do Mota, que em outros tempos foi o centro das noites alegres de Diamantina.
Duas boas épocas para se visitar Diamantina: durante o Festival de Inverno, em julho, e na semana de 12 de setembro, quando se comemora o aniversário de nascimento de JK, o filho mais ilustre. Será que devo recomendar, também, uma cachacinha? Não sei... Bom, por via das dúvidas, vá lá. Em homenagem a José Aparecido de Oliveira, recomendo tomar a Bento Velho, ali de perto, de Conceição do Mato Dentro.
Atrações:
Festival Internacional de Música Antiga de Diamantina
Coral Arte Miúda
Vesperata
Casa de Chica da Silva
Casa onde nasceu Juscelino
Marcadores: Viagens
Ora veja, quem diria, em uma cidade agora tão cheia de prédios nós ficamos sabendo que as flores tomaram conta da Praça da Liberdade e até da Praça da Estação. A Beagá onde eu nasci era muito diferente. Lembro-me de passar, muitas vezes, pela esquina da Avenida Afonso Pena com Rua Santa Rita Durão e sentir o perfume de dama-da-noite. Ou passar pelas casas, que eram muitas, e sentir o perfume das rosas dos jardins. Agora me deparei com este livro maravilhoso sobre Os mais belos ipês-rosas de Beagá, edição de Rodrigo Lamounier. Com a contribuição de vários fotógrafos, nós constatamos que realmente os ipês tomaram conta da cidade embrutecida. Graças a Deus. Em frente à Igreja da Boa Viagem, ao Museu de Arte da Pampulha, na Avenida do Contorno de tantas recordações, até na Rua da Bahia e na Prudente de Morais, por onde trafega Sandra Maria quase todos os dias. Um livro lindo, inspirador. Quem me deu? A bibliófila Clarissa, a mesma que ilustra as capas dos meus livros.
Carlos G. Vieira (10 de abril de 2026)
Marcadores: Poesia
Marcadores: Livros Antigos, Personalidades do livro
Último dia do ano, abro um espaço para a nostalgia. De um passado que eu conheci só de ouvir falar. Primeiro a fazenda se chamava da Laje, e havia sido uma herança de Pio Souza Dias para o filho Umbelino. Ficava em terras de Alfenas, e não em Machado, Sul de Minas. Meu avô mudou o nome para Fazenda da Capoeirinha e foi lá que meus pais se casaram em 1925. E também foi lá que nasceu meu irmão mais velho, em 1926. Quando eu, um morador da cidade do Rio de Janeiro, dizia que queria ter uma fazenda, minha mãe tratava de tirar logo da minha cabeça. Era compreensível. A família dela morava em Machado, uma cidade do Sul de Minas, e os meus avós decidiram deixar o Largo, como se dizia, para irem todos morar na fazenda, por motivos políticos. Minha mãe detestava aquela vida meio reclusa. O irmão mais velho estudava medicina no Rio de Janeiro e só voltava nas férias. Ela, estudava no Colégio do Bom Conselho, em Taubaté, e também só voltava para casa em tempo de férias. Mas chegou uma época em que toda a família ficou meio reclusa na fazenda e ela achou detestável. Tudo muito longe, sem televisão e celular naquela época. Hoje meus netos abominariam passar uma semana sem o celular.
Quando a família decidiu se mudar para Belo Horizonte e foram todos morar na Rua da Bahia, ninguém mais pensava em voltar. Deus me livre. Só o meu tio Ivan, engenheiro e solteiro, ficou encarregado da fazenda, meio a contragosto, segundo consta na tradição familiar. Passou quatro anos tocando em frente, como na música de Almir Sater. E depois de outras experiências, a fazenda foi vendida, penso que para alívio geral. Eu tenho aqui em casa alguns objetos que adornavam a casa da fazenda. Considero que sou uma espécie de guardião, depois de minha prima Mary.
Agora a fazenda faz parte de uma imensa plantação de café. Em tempos recentes Laura e Leandro, caçadores de relíquias, foram até até lá em busca de um pacote de café em grão, com o sabor da velha Capoeirinha, e com alguma conversa conseguiram e me deram uma amostra.
Feliz 2026 a todos os leitores deste blog.
(Carlos G. Vieira, em 31 de dezembro de 2025)
Marcadores: Crônica
Este livro é composto de pequenas histórias, em doses homeopáticas, sobre um cão nascido em Vinhedo-SP, que morou com sua família na cidade de São Paulo e que, depois, se mudou para o Rio de Janeiro e lá viveu seus dias, sem nunca ter tido vontade de ir à praia. O que ele curtia mesmo era estar com suas meninas. Toda a sua vida foi dedicada a elas, fielmente.
Bianca recebeu o seu exemplar na noite de Natal de 2025.
(Carlos G. Vieira, em 27 de dezembro de 2025)
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