Blogger Template by Blogcrowds.

Volto a falar aqui do grande escritor, intelectual, político e diplomata Afonso Arinos de Melo Franco. Dos Melo Franco lá de Paracatu, nascido em Belo Horizonte como eu, antigo morador de Copacabana e da Rua Dona Mariana. Já escrevi sobre as suas memórias, A Alma do Tempo, que pude ler integralmente na época da pandemia. Recentemente fiz uma releitura de seu livro Amor a Roma, publicado em 1982. Numa época de Georgia Meloni e do Papa Leão XIV, ambos no início de suas trajetórias, o livro de Afonso Arinos nos oferece uma perspectiva histórica rara, a partir da qual acreditamos, verdadeiramente, que Roma é eterna.

Ele começa recordando o moço que ele foi, obrigado a uma temporada por motivos de saúde na Suiça, indo pela primeira vez a Roma e sendo ciceroneado pelo próprio embaixador brasileiro, a pedido do pai Afrânio. O que vem a seguir é um verdadeiro tratado sobre a cristandade. O papel de cada Papa, e dos antipapas, na história não apenas do Ocidente, mas do mundo como um todo. E o texto, muitas vezes, é interrompido para que Afonso Arinos discorra sobre nossas relações brasileiras com Roma, como é o caso, já cidado neste blog, da relação de admiração mútua do Padre Antônio Vieira com a Rainha Cristina da Suécia .

Mas Afonso Arinos também discorre longamente sobre a transformação, no tempo, a que Roma foi sendo submetida. Dos arredores do Castelo de Santo Ângelo até as construções nos séculos seguintes, em especial a Praça Navona e o Palácio Pamphili, onde fica a Embaixada do Brasil, que já foi ocupada por tantos diplomatas ilustres, como Flecha de Lima e a inesquecível Lúcia.

Penso que Afonso Arinos fez um esforço monumental de reconstituir toda a história de Roma, ao longo do tempo. Isso espalhado por quase 500 páginas de um alentado trabalho literário. E que tem como apresentação um rico texto de Alceu Amoroso Lima.

Carlos G. Vieira  (17 de janeiro de 2026)

 

Último dia do ano, abro um espaço para a nostalgia. De um passado que eu conheci só de ouvir falar. Primeiro a fazenda se chamava da Laje, e havia sido uma herança de Pio Souza Dias para o filho Umbelino. Ficava em terras de Alfenas, e não em Machado, Sul de Minas. Meu avô mudou o nome para Fazenda da Capoeirinha e foi lá que meus pais se casaram em 1925. E também foi lá que nasceu meu irmão mais velho, em 1926. Quando eu, um morador da cidade do Rio de Janeiro, dizia que queria ter uma fazenda, minha mãe tratava de tirar logo da minha cabeça. Era compreensível. A família dela morava em Machado, uma cidade do Sul de Minas, e os meus avós decidiram deixar o Largo, como se dizia, para irem todos morar na fazenda, por motivos políticos. Minha mãe detestava aquela vida meio reclusa. O irmão mais velho estudava medicina no Rio de Janeiro e só voltava nas férias. Ela, estudava no Colégio do Bom Conselho, em Taubaté, e também só voltava para casa em tempo de férias. Mas chegou uma época em que toda a família ficou meio reclusa na fazenda e ela achou detestável. Tudo muito longe, sem televisão e celular naquela época. Hoje meus netos abominariam passar uma semana sem o celular. 

Quando a família decidiu se mudar para Belo Horizonte e foram todos morar na Rua da Bahia, ninguém mais pensava em voltar. Deus me livre. Só o meu tio Ivan, engenheiro e solteiro, ficou encarregado da fazenda, meio a contragosto, segundo consta na tradição familiar. Passou quatro anos tocando em frente, como na música de Almir Sater. E depois de outras experiências, a fazenda foi vendida, penso que para alívio geral. Eu tenho aqui em casa alguns objetos que adornavam a casa da fazenda. Considero que sou uma espécie de guardião, depois de minha prima Mary.

Agora a fazenda faz parte de uma imensa plantação de café. Em tempos recentes Laura e Leandro, caçadores de relíquias, foram até até lá em busca de um pacote de café em grão, com o sabor da velha Capoeirinha, e com alguma conversa conseguiram e me deram uma amostra.

Feliz 2026 a todos os leitores deste blog.

(Carlos G. Vieira, em 31 de dezembro de 2025)

Quem deu a ideia deste livro foi uma menina chamada Bianca, moradora da cidade de Petrópolis-RJ. Ela sempre ouvia histórias de um cão chamado Pietro, que tinha nome e sobrenome: Pietro D'Alba Lunga. Assim mesmo, sobrenome de patrício romano. Depois a ideia foi adotada pela Cecília, e seguida por outros da turminha.

Este livro é composto de pequenas histórias, em doses homeopáticas, sobre um cão nascido em Vinhedo-SP, que morou com sua família na cidade de São Paulo e que, depois, se mudou para o Rio de Janeiro e lá viveu seus dias, sem nunca ter tido vontade de ir à praia. O que ele curtia mesmo era estar com suas meninas. Toda a sua vida foi dedicada a elas, fielmente.

Bianca recebeu o seu exemplar na noite de Natal de 2025.

(Carlos G. Vieira, em 27 de dezembro de 2025)
 

Quem seriam estes seres chamados de gerentes de projeto? No século passado, foram os condutores de grandes obras de engenharia, como Itaipu, especialistas em PERT/CPM e organizações matriciais. Ser mulher era condição, geralmente, negativa para exercer este papel. Na década de 80, gerentes de projeto foram designações temporárias, destinadas a resolver o problema de colocação de executivos não demissíveis. E agora?

Tom Peters, em seu famoso Liberation Management (publicado pela primeira vez em 1992), afirmou que o projeto é tudo, baseado na observação da empresa de consultoria McKinsey. 

Harvey Wagner, um dos donos da empresa americana Teknekron (criada lá na década de 60, 1968 para ser exato, com vários professores de Berkeley), definiu o tipo de empresa que fundou como sendo uma escola de empreendedores. Cada linha de negócio tinha um par de empreendedores, com sólida base tecnológica, um voltado para fora, tratando de vender, e outro voltado para dentro, tratando de projetos.

Quer ler mais sobre o que aprendemos nos últimos 40 anos, mas que parece estarmos esquecendo? Antes que IA tome o nosso lugar. Veja aqui em Vececom Gestão este artigo inteiro e outros que talvez possam lhe interessar.

Carlos G. Vieira (10 de dezembro de 2025)


Depois que reli, agora na maturidade, o livro O Minotauro, de Monteiro Lobato, não resisti e comprei toda a coleção (usada) dos ditos livros infantis. Está sendo um reencontro com o passado. Já não sei onde foram parar meus livros que fui ganhando de presente ao longo dos anos, lá em Belo Horizonte. Agora consigo apreciar melhor o grande escritor que foi Monteiro Lobato. Até me questiono como crianças e pré-adolescentes daquela época conseguiam ler, na totalidade, os seus livros, riquíssimos de detalhes e de cultura. Eu tenho a impressão que nós pulávamos alguns parágrafos.

A primeira coisa que me espantou, ao começar a ler Reinações de Narizinho, foi saber que o nome da neta de Dona Benta era Lúcia. Acho que nunca soube - Lúcia Encerrabodes de Oliveira. Pode? Depois, foi conhecer como nasceu a impossível boneca Emília, feita por tia Nastácia, de retalhos e recheada com macela. E que começou a falar por obra e arte do doutor Caramujo. Narizinho mora no Sítio do Picapau Amarelo e tem um primo, Pedrinho, que mora na cidade. Eles vão viver grandes aventuras juntos. Com o Marquês de Rabicó, um comilão de primeira, e o Visconde de Sabugosa. Mas o que realmente me impressionou muito é a qualidade do texto de Monteiro Lobato. Um verdadeiro artesão da palavra escrita. Muito bom, para minha cabeça, fazer esta releitura pela primeira vez. Já não me lembrava de nada.

Carlos G. Vieira (30 de setembro de 2025)


Postagens mais antigas