Aconteceu anteontem em Austin, Texas, o lançamento oficial do novo livro de nosso autor independente Álvaro Esteves. Em evento numa biblioteca, que casualmente leva o seu nome, o livro foi apresentado com direito à leitura de uma história e comentários sobre outras. O livro reúne acontecimentos, alguns mais reais que outros, em que se viu envolvido o autor, relembrando situações curiosas, por exemplo, de quando era apenas uma criança, como é o caso dele parando a escada rolante da antiga Sears, em Botafogo (Rio de Janeiro). Ou lançando flechas perfurantes em uma obra de arte. Álvaro é um grande contador de histórias. Seus outros livros, e aqueles que escreveu em parceria com os netos, comprovam isso. E também tem se revelado um talento para apresentar ao público outros escritores, cineastas e artistas em seu programa Encontro Marcado com Álvaro Esteves, na Caju Radio e no Youtube.
O livro tem o selo da Golden Arrow Books.
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Carlos G. Vieira (1/5/2026)
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Há cerca de uns dez anos passei duas semanas em Montes Claros. Sempre tive muita vontade de conhecer essa capital do Norte de Minas. A bibliófila Clarissa só se refere a ela como MoC. Era onde viveram o Professor Arthur Rodrigues Valle e dona Aurora Laborne Valle, de enorme descendência, alguns deles meus vizinhos e amigos de infância na Rua Santa Rita Durão, em Belo Horizonte. Fiquei hospedado no hotel Ibis, e de lá de cima tirei esta foto do shopping logo embaixo, onde fomos comemorar os 80 anos de meu irmão Lucílio, antigo morador de Bocaiuva, ali perto. Eu só andei a pé. É como eu gosto de fazer para sentir o clima da cidade. Todos os dias passava em frente ao Hospital Universitário Clemente de Faria, administrado pela Unimontes (Universidade Estadual). Mas uma vez estava tão quente que tivemos, eu e a Jó, de recorrer a um taxi para voltarmos ao hotel. A cidade é muito simpática e o povo extremamente acolhedor. Claro que fui fuçar no Mercado Municipal, olhar os preços, comparar com aqueles de Poços de Caldas. Fiquei também impressionado com o nível do atendimento de saúde. Muitos médicos migraram da capital BH e de São Paulo para desfrutarem de uma cidade menos agressiva e mais humana. Clínicas muito bem montadas. Sim, caminhei muito pela Avenida Mestra Fininha, uma homenagem à mãe de Darcy Ribeiro, filho da terra. E também fui visitar o Museu Regional do Norte de Minas. Também passei bons momentos nos cafés e restaurantes da cidade, e fui conhecer a Drogaria Minas-Brasil, da qual faço compras online até hoje. Resumindo e concluindo, como diz minha amiga Maria Fernanda: gostei e recomendo.
Carlos G. Vieira (21 de abril de 2026, em homenagem aos que se casaram neste dia)
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Foi em Diamantina,
onde nasceu JK,
que a princesa Leopoldina,
arresolveu se casá.
(Sergio Porto, "O Samba do Crioulo Doido")
Não sejas traidora,
Tem dó de mim...
Tem dó dest´alma,
Que te sabe amar...
("Elvira, Escuta!")
Tim... Tim...
Tim... Tim...
Tim... Tim...Ó Lá Lá
Quem não gosta dele
De quem gostará?
("Tim...Tim...")
Na minha primeira ida ao velho Tijuco, como dizia Juscelino Kubitschek, eu fiquei impressionado ao encontrar uma cidade histórica tão conservada, com as casas e ruas arrumadas, e com uma intensa vida cultural. Na época, notei que talvez as outras cidades, como Ouro Preto por exemplo, mais próximas para o turista eventual, tivessem perdido a singeleza de seus tempos coloniais, e que Diamantina foi justamente preservada pela distância. Graças a Deus. Diamantina é a terra da seresta. O professor Aires da Mata Machado Filho, que tantas vezes vi subindo a Avenida Afonso Pena, em Belo Horizonte, colecionou em seu livro sobre o folclore diamantinense muitas modinhas que já existiam nos tempos de Chica da Silva ("O Negro e o Garimpo em Minas Gerais"). Mas, o meu primeiro contato com as histórias (e que histórias) de Diamantina foi através de meu professor de ciências, o saudoso Dr. Sóter Couto ("Vultos e Fatos de Diamantina"). Depois, foi o Bebeca, "oriundi", quem alargou meus horizontes sobre a terra dos diamantes. Diamantina é mais do que histórias, muito mais do que um passado de lutas e glórias. Diamantina é referência. Como dizem os versos de Fernando Brant, que nos deixou precocemente e meu companheiro de futebol de salão muito antes de virar compositor, "Diamantina é o Beco do Mota". Vale a pena visitar. É patrimônio da humanidade.
Segundo consta, as preferências culinárias de Juscelino, dito por ele mesmo, eram "frango ao molho pardo, franguinho com quiabo e feijão tropeiro, nesta ordem". Também me lembro que Dona Júlia, diligentemente, abastecia a geladeira com jabuticaba toda vez que o filho avisava que estava para chegar. "Estas são para o Nonô", dizia. Acho que aí estão resumidos os grandes atributos da preferência mineira. Eu só acrescentaria, como disse Eduardo Frieiro, "feijão, angu e couve". Você pode encontrar estas e outras comidas típicas de Minas nos restaurantes Grupiara e Raimundo Sem Braço, em Diamantina.
Onde hospedar? Eu sempre fiquei no Hotel Tijuco, mas também recomendo a Pousada do Garimpo. Mas, não importa muito. Você deve passar a maior parte do seu tempo em Diamantina andando pelas ruas e ladeiras, sentindo aquele ar de poesia que acontece ao anoitecer, quando os seresteiros afinam suas violas.
Acho importante visitar: em primeiro lugar, a Igreja de Nossa Senhora do Carmo, cuja construção, dizem, foi subsidiada pelo próprio João Fernandes de Oliveira, o contratador de diamantes, e amante de Chica da Silva. Sua construção foi iniciada em 1760, e é considerada, por tudo, a mais bonita de Diamantina. Ela tem uma característica interessante. Ela tem uma única torre, colocada nos fundos da igreja, para que os sinos não perturbassem o repouso de Chica da Silva, diz a lenda, cuja casa ficava bem próxima, também ela própria uma atração. Mas, também acho imperdíveis as igrejas de São Francisco de Assis, a do Rosário, a das Mercês, a do Amparo e a da Luz. Claro, que o visitante passará pelo Mercado Municipal, com suas arcadas de madeira, uma imagem característica da cidade. E também subirá uma pequena ladeira para apreciar o passadiço do Colégio N. Senhora das Dores, ligando duas edificações construídas em séculos diferentes. Não deixe de ver, também, a Casa do Muxarabi, construída na segunda metade do século XVIII, e a única de Minas que conserva um muxarabi, que é um balcão de origem moura, feito em treliças de madeira, totalmente fechado, e detrás do qual as mulheres podiam ver a rua sem serem vistas. E, não poderia deixar de dizer, vá passear demoradamente pelo Beco do Mota, que em outros tempos foi o centro das noites alegres de Diamantina.
Duas boas épocas para se visitar Diamantina: durante o Festival de Inverno, em julho, e na semana de 12 de setembro, quando se comemora o aniversário de nascimento de JK, o filho mais ilustre. Será que devo recomendar, também, uma cachacinha? Não sei... Bom, por via das dúvidas, vá lá. Em homenagem a José Aparecido de Oliveira, recomendo tomar a Bento Velho, ali de perto, de Conceição do Mato Dentro.
Atrações:
Festival Internacional de Música Antiga de Diamantina
Coral Arte Miúda
Vesperata
Casa de Chica da Silva
Casa onde nasceu Juscelino
que a princesa Leopoldina,
arresolveu se casá.
(Sergio Porto, "O Samba do Crioulo Doido")
Não sejas traidora,
Tem dó de mim...
Tem dó dest´alma,
Que te sabe amar...
("Elvira, Escuta!")
Tim... Tim...
Tim... Tim...
Tim... Tim...Ó Lá Lá
Quem não gosta dele
De quem gostará?
("Tim...Tim...")
Na minha primeira ida ao velho Tijuco, como dizia Juscelino Kubitschek, eu fiquei impressionado ao encontrar uma cidade histórica tão conservada, com as casas e ruas arrumadas, e com uma intensa vida cultural. Na época, notei que talvez as outras cidades, como Ouro Preto por exemplo, mais próximas para o turista eventual, tivessem perdido a singeleza de seus tempos coloniais, e que Diamantina foi justamente preservada pela distância. Graças a Deus. Diamantina é a terra da seresta. O professor Aires da Mata Machado Filho, que tantas vezes vi subindo a Avenida Afonso Pena, em Belo Horizonte, colecionou em seu livro sobre o folclore diamantinense muitas modinhas que já existiam nos tempos de Chica da Silva ("O Negro e o Garimpo em Minas Gerais"). Mas, o meu primeiro contato com as histórias (e que histórias) de Diamantina foi através de meu professor de ciências, o saudoso Dr. Sóter Couto ("Vultos e Fatos de Diamantina"). Depois, foi o Bebeca, "oriundi", quem alargou meus horizontes sobre a terra dos diamantes. Diamantina é mais do que histórias, muito mais do que um passado de lutas e glórias. Diamantina é referência. Como dizem os versos de Fernando Brant, que nos deixou precocemente e meu companheiro de futebol de salão muito antes de virar compositor, "Diamantina é o Beco do Mota". Vale a pena visitar. É patrimônio da humanidade.
Segundo consta, as preferências culinárias de Juscelino, dito por ele mesmo, eram "frango ao molho pardo, franguinho com quiabo e feijão tropeiro, nesta ordem". Também me lembro que Dona Júlia, diligentemente, abastecia a geladeira com jabuticaba toda vez que o filho avisava que estava para chegar. "Estas são para o Nonô", dizia. Acho que aí estão resumidos os grandes atributos da preferência mineira. Eu só acrescentaria, como disse Eduardo Frieiro, "feijão, angu e couve". Você pode encontrar estas e outras comidas típicas de Minas nos restaurantes Grupiara e Raimundo Sem Braço, em Diamantina.
Onde hospedar? Eu sempre fiquei no Hotel Tijuco, mas também recomendo a Pousada do Garimpo. Mas, não importa muito. Você deve passar a maior parte do seu tempo em Diamantina andando pelas ruas e ladeiras, sentindo aquele ar de poesia que acontece ao anoitecer, quando os seresteiros afinam suas violas.
Acho importante visitar: em primeiro lugar, a Igreja de Nossa Senhora do Carmo, cuja construção, dizem, foi subsidiada pelo próprio João Fernandes de Oliveira, o contratador de diamantes, e amante de Chica da Silva. Sua construção foi iniciada em 1760, e é considerada, por tudo, a mais bonita de Diamantina. Ela tem uma característica interessante. Ela tem uma única torre, colocada nos fundos da igreja, para que os sinos não perturbassem o repouso de Chica da Silva, diz a lenda, cuja casa ficava bem próxima, também ela própria uma atração. Mas, também acho imperdíveis as igrejas de São Francisco de Assis, a do Rosário, a das Mercês, a do Amparo e a da Luz. Claro, que o visitante passará pelo Mercado Municipal, com suas arcadas de madeira, uma imagem característica da cidade. E também subirá uma pequena ladeira para apreciar o passadiço do Colégio N. Senhora das Dores, ligando duas edificações construídas em séculos diferentes. Não deixe de ver, também, a Casa do Muxarabi, construída na segunda metade do século XVIII, e a única de Minas que conserva um muxarabi, que é um balcão de origem moura, feito em treliças de madeira, totalmente fechado, e detrás do qual as mulheres podiam ver a rua sem serem vistas. E, não poderia deixar de dizer, vá passear demoradamente pelo Beco do Mota, que em outros tempos foi o centro das noites alegres de Diamantina.
Duas boas épocas para se visitar Diamantina: durante o Festival de Inverno, em julho, e na semana de 12 de setembro, quando se comemora o aniversário de nascimento de JK, o filho mais ilustre. Será que devo recomendar, também, uma cachacinha? Não sei... Bom, por via das dúvidas, vá lá. Em homenagem a José Aparecido de Oliveira, recomendo tomar a Bento Velho, ali de perto, de Conceição do Mato Dentro.
Atrações:
Festival Internacional de Música Antiga de Diamantina
Coral Arte Miúda
Vesperata
Casa de Chica da Silva
Casa onde nasceu Juscelino
Carlos G. Vieira (repostado em 13 de abril de 2026, em homenagem aos aniversariantes Antônio Jr. e Wilson Montalvão)
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Ora veja, quem diria, em uma cidade agora tão cheia de prédios nós ficamos sabendo que as flores tomaram conta da Praça da Liberdade e até da Praça da Estação. A Beagá onde eu nasci era muito diferente. Lembro-me de passar, muitas vezes, pela esquina da Avenida Afonso Pena com Rua Santa Rita Durão e sentir o perfume de dama-da-noite. Ou passar pelas casas, que eram muitas, e sentir o perfume das rosas dos jardins. Agora me deparei com este livro maravilhoso sobre Os mais belos ipês-rosas de Beagá, edição de Rodrigo Lamounier. Com a contribuição de vários fotógrafos, nós constatamos que realmente os ipês tomaram conta da cidade embrutecida. Graças a Deus. Em frente à Igreja da Boa Viagem, ao Museu de Arte da Pampulha, na Avenida do Contorno de tantas recordações, até na Rua da Bahia e na Prudente de Morais, por onde trafega Sandra Maria quase todos os dias. Um livro lindo, inspirador. Quem me deu? A bibliófila Clarissa, a mesma que ilustra as capas dos meus livros.
Carlos G. Vieira (10 de abril de 2026)
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Marcadores: Poesia
Volto a falar aqui do grande escritor, intelectual, político e diplomata Afonso Arinos de Melo Franco. Dos Melo Franco lá de Paracatu, nascido em Belo Horizonte como eu, antigo morador de Copacabana e da Rua Dona Mariana. Já escrevi sobre as suas memórias, A Alma do Tempo, que pude ler integralmente na época da pandemia. Recentemente fiz uma releitura de seu livro Amor a Roma, publicado em 1982. Numa época de Giorgia Meloni e do Papa Leão XIV, ambos no início de suas trajetórias, o livro de Afonso Arinos nos oferece uma perspectiva histórica rara, a partir da qual acreditamos, verdadeiramente, que Roma é eterna.
Ele começa recordando o moço que ele foi, obrigado a uma temporada por motivos de saúde na Suiça, indo pela primeira vez a Roma e sendo ciceroneado pelo próprio embaixador brasileiro, a pedido do pai Afrânio. O que vem a seguir é um verdadeiro tratado sobre a cristandade. O papel de cada Papa, e dos antipapas, na história não apenas do Ocidente, mas do mundo como um todo. E o texto, muitas vezes, é interrompido para que Afonso Arinos discorra sobre nossas relações brasileiras com Roma, como é o caso, já cidado neste blog, da relação de admiração mútua do Padre Antônio Vieira com a Rainha Cristina da Suécia .
Mas Afonso Arinos também discorre longamente sobre a transformação, no tempo, a que Roma foi sendo submetida. Dos arredores do Castelo de Santo Ângelo até as construções nos séculos seguintes, em especial a Praça Navona e o Palácio Pamphili, onde fica a Embaixada do Brasil, que já foi ocupada por tantos diplomatas ilustres, como Flecha de Lima e a inesquecível Lúcia.
Penso que Afonso Arinos fez um esforço monumental de reconstituir toda a história de Roma, ao longo do tempo. Isso espalhado por quase 500 páginas de um alentado trabalho literário. E que tem como apresentação um rico texto de Alceu Amoroso Lima.
Carlos G. Vieira (17 de janeiro de 2026)
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