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Amadeu Marques rides again. Com noite de autógrafos programada para amanhã (dia 7/1/2022) em Botafogo, aqui no Rio, o estimado Amadeu lança mais um delicioso livro. Começo pela capa, com simpáticos desenhos de Helena e João. E adianto que são cem crônicas mesmo, muitas delas curtas, como é o caso do livro de Hemingway, em resposta a desafio para escrever um romance com apenas seis palavras!

Queria registrar que Amadeu Marques, um conhecido autor de livros e preciosos dicionários, nasceu em Lisboa e morou até os treze anos na Rua das Flores, perambulou pelo Chiado, certamente fazia pequenas compras no famoso Armazém, além de aprontar alguma no Cais de Sodré.

Suas lembranças mais recentes nos levam à Rua da Betesga, no Rossio, onde ele relata uma experiência surpreendente relacionada com os queijinhos d'amêndoa. Nesse mesmo Rossio, onde ele nos fala do Nicola e de Eça de Queiroz, e levanta uma suspeita de que a estátua equestre de D. Pedro IV, na realidade, seria de Maximiliano do México. Certamente uma aleivosia, diriam os mais tradicionalistas. Ainda em Portugal, o autor revela uma indicação do Comendador Rocha Diniz que merece ser anotada: o vinho Quinta de São Sebastião.

Mas é na cidade do Rio de Janeiro, e em Copacabana em particular, onde transcorrem situações inusitadas. Como estar em um conhecido restaurante das redondezas e ouvir, sem querer querendo, a conversa da mesa ao lado, onde seu nome, de repente, é citado. Em resumo, Amadeu Marques reflete sobre a vida, em deliciosas crônicas, com alegria e otimismo. Tudo isso, com citações em inglês.

(Cem Crônicas Agudas, Amadeu Marques, Chiado Books, 2021)

(6 de janeiro de 2022)
 

Lendo ontem mais um excelente thriller do consagrado autor americano Daniel Silva  (A Herdeira), voltei a me lembrar dos Cátaros, que o autor cita de passagem, quando os personagens chegam à cidade francesa de Carcassonne.

Tempos atrás, eu andei curioso sobre essa seita cristã dos séculos XII e XIII, ao ler outros livros sobre o Castelo de Montségur, situado no sudoeste da França. Este castelo, construído no topo de uma montanha, era praticamente inexpugnável. Foi preciso muito esforço das forças mobilizadas pelo rei de França, associado ao papado, para destrui-lo e aos que o defendiam. Isso aconteceu por volta de 1229. Foi a época da Cruzada Albigense, mobilizada para acabar com o que Roma julgava ser um ataque à unidade cristã, e portanto uma heresia.

O livro de Hermínio Miranda (falecido em 2013) conta direitinho toda a história. E é fascinante. Dizem que um tesouro dos cátaros escapou da invasão final e morte a fio de espada dos remanescentes na fortaleza, graças a uns poucos que desceram pelas escarpas e sumiram de vista. E dizem que isso foi parar nas mãos do Pére Bérenger Saunière, dando origem a várias lendas, e assunto para outros livros, alguns deles tenho aqui na minha estante.

(16 de dezembro de 2021)


    Ontem recebi de presente uma relíquia. Quem me enviou, lá de Ribeirão Preto onde mora, foi meu querido amigo de infância Túlio Sérgio Grasseschi Bueno (veja A Casa do Túlio no livro Armazém Colombo). Trata-se de um exemplar da revista A Inúbia, órgão dos alunos do Colégio Estadual de Minas Gerais, edição comemorativa do centenário do Colégio, em 1954. O Diretor da revista era o saudoso Samuel Dirceu (também citado no livro Armazém Colombo), recentemente falecido. 

O Colégio Estadual foi aquele que me deu a primeira grande frustração da minha vida. Logo após o primário, fiz um teste para me habilitar a cursar a primeira série do ginasial, como se dizia naquela época, e fui reprovado na prova de português. Logo eu, que havia escrito um livro aos nove anos de idade. A família, revoltada, arranjou uma revisão de prova com o diretor do Colégio, professor Heli Menegale, que, calmamente, apontou todos os gravíssimos erros que eu havia cometido no ditado - não havia separado as sílabas, na quebra de linha. Voltei para casa arrasado.

Este número de A Inúbia trouxe coisas muito interessantes. Começa com a monografia que tirou o primeiro lugar no concurso de monografias, onde o autor Marcelo Roberto Linhares faz um retrospecto dos antecessores do Colégio, a começar do Colégio de Nossa Senhora da Assunção da Imperial Cidade de Ouro Preto, de 1840, passando pelo Liceu Mineiro e o Ginásio Mineiro, onde estudaram Getúlio Vargas, Pedro Nava e Afonso Arinos, entre muitos outros. O Ginásio Mineiro funcionou, durante certo tempo, no prédio do atual Corpo de Bombeiros, na Rua Piauí (Belo Horizonte), nas redondezas da minha casa. Depois, já Colégio Estadual, funcionou na Avenida Augusto de Lima, antes de ocupar o prédio projetado por Oscar Niemeyer, perto do Minas Tênis Clube, onde estudou meu irmão Sérgio.

E lá também está o discurso do aluno Sepúlveda Pertence, de ilustre família sabarense,  primeiro lugar no concurso de oratória, que mais tarde exerceria sua função de magistrado com tanto brilho no Supremo Tribunal Federal.

Entre curiosidades, encontrei mensagens, escritas no Termo de Visitas do Ginásio Mineiro, do representante do Japão em 1897 e outra do Almirante Jaceguai, antigo Diretor da Escola Naval.

E, para encerrar, cito uma entrevista com Maria Terezinha de Lima Guimarães, ex-aluna do Colégio Sion e então aluna do Colégio Estadual (1954). Perguntada onde iria passar férias, encerrado o ano letivo, ela responde que vai a dois lugares: Araguari e Copacabana.

Este exemplar da Inúbia ficará arquivada em meus arquivos implacáveis, como dizia na mesma década de 50 do século passado, o jornalista João Condé.

(25 de novembro de 2021)




"Sou apenas um pobre homem da Póvoa de Varzim." (Eça de Queiroz) 


     Acabei de ler este livrinho em dois tempos, na minha reclusão pandêmica. Uma edição muito interessante da Grua Livros, edição de 2016. Mais um livro póstumo de Eça, cuja primeira edição na década de 1920 sofreu alguns cortes feitos pelo filho do autor, segundo dizem. Trata-se de um gênero literário conhecido como novela. Nem tão curto para ser classificado como conto, nem tão longo para ser um romance. Mas é, digamos, delicioso. 

     Eu não me canso de ler os livros de Eça de Queiroz. Aqui mesmo neste blog já falei da coleção de cartas trocadas dele com a esposa, da Cidade e as Serras e dos Maias. Este livrinho de 126 páginas pode ser lido numa viagem de avião, ou de trem, o que suponho ainda existir em Minas. Como em vários outros livros do autor, ele faz uma fina crítica da sociedade portuguesa do século XIX.

    O personagem principal, Godofredo Alves, é casado com Ludovina, filha do Neto. Todos moram perto do Chiado. Na firma, Godofredo tem um sócio, o Machado, mais jovem que ele, e por quem nutre uma verdadeira amizade. De repente, Machado é surpreendido, às 3 horas da tarde de uma sexta-feira, com Ludovina nos braços, na própria casa do Alves. Daí segue-se um drama, em que Godofredo planeja como matar o Machado num duelo, ou mesmo um suicídio por insólito sorteio, recusado pelo oponente. Ludovina é remetida para a casa do pai, um espertalhão, que trata de negociar várias benesses para manter tudo em sigilo. E por aí vai a história. Espero que quem ainda não leu, sinta vontade de ler.

(2 de novembro de 2021, dedicado a todos os meus parentes e amigos falecidos)

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Primeiro, preciso explicar como cheguei a este livro. Estava, outro dia, assistindo a um programa na TV sobre empreendedorismo e fiquei conhecendo a editora e livraria ABarros. E a história de Arthur Barros, escritor e autista. Achei emocionante. Segundo o lema do site da editora, "a inclusão social importa para nós." A editora é uma empresa familiar. Mãe e pai desempenham funções importantes na gestão do empreendimento.

E foi daí que, olhando o catálogo da livraria, fui atraído por este título de um livro de poesias, de autoria da professora Maria Anete Santana. De fato, a leitura pode transformar o universo. Embora a concorrência do celular e da televisão sejam avassaladoras, o meio físico cada vez importa menos. O que importa é reservar algum tempo para mergulhar em um livro, e refletir um pouco. Acabei de ler dois enormes livros de Gilberto Freyre: Casa Grande & Senzala e Sobrados e Mocambos. Livros fundamentais, que ajudam a entender, um pouco, o nosso confuso Brasil de hoje.

Pois Anete me transportou a outros espaços. Fui até Sergipe, onde ela nasceu (e me lembrei de meu colega Murilo, de Cedro de São João), a Roma, a Jerusalém e a São Paulo, onde morei. Como diz um de seus poemas, "Nesta vida tudo é belo/ quando sabemos viver/ e em nosso dia a dia/ somos capazes de entender/ Que a solidariedade/ é um bem que vai vencer". Tomara.

(17 de setembro de 2021)

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