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Sou de um tempo muito antigo, quando a Sorveteria São Domingos, Avenida Getúlio Vargas com Rua Santa Rita Durão em Belo Horizonte, ainda tinha um seu Domingos jovem, sentado no caixa. Eu fui aluno do Grupo Escolar Barão do Rio Branco, depois de ter passado pelo Bueno Brandão. Belo Horizonte era uma cidade pacata, as pessoas eram todas conhecidas, todo mundo morava em casas. Aquele estilo de casas do início do século vinte, com varandas laterais. Como aquela remanescente ali perto, hoje transformada no restaurante Maria das Tranças. A gente saia em bandos depois das aulas, e sempre dávamos uma passada pela sorveteria. A pergunta invariavelmente era a mesma : "Seu Domingos, tem sorvete de quê?". E ele começava uma lista enorme assim "tem sorvete de taioba, disso e daquilo". A gente ria. Que coisa mais maluca fazer sorvete de taioba. O velho Domingos não se cansava desta brincadeira. A sorveteria está ali, segundo me dizem, desde 1938. Na mesma casa, na mesma esquina. Começou quando a avenida ainda se chamava Paraúna, vejam só. Era um ponto obrigatório nas tardes de domingo, na minha juventude. Ali nós iamos, sem nenhuma pressa, com nossas namoradas e mesmo sem elas. Longas filas para fazer a mesma pergunta de criança. Foi nesta mesmíssima Rua Santa Rita Durão, um pouco lá para cima, entre Contorno e Maranhão, que ficava a casa onde nasci. Podem acreditar. A gente nascia em casa. Nada de perinatais, como vai fazer o Joaquim daqui alguns dias. Mais histórias daquele tempo podem ser lidas no livro Armazém Colombo, aqui em nossa Livraria.
(6 de dezembro de 2014, em homenagem à Dona Mariana, que me deu a vida)
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