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Devo confessar, sem pudores, que levei uns 45 anos para ler este livro-bomba, publicado pela primeira vez em 1969, o ano para mim que não terminou. Apenas porque, ignorante, não o conhecia. Já escrevi aqui neste blog, e me penitencio por isto, que a temática de Philip Roth tem pouco a ver com o leitor brasileiro. É preciso conhecer um pouco de New Jersey, New York, Poconos, e da baixa classe média americana, sobretudo nos anos 40 e 50, para perceber as muitas nuances de seus livros. Mas ele é um autor fantástico. Quando estava na metade da minha leitura, um pouco chocado dentro do meu provincianismo mineiro, ocorreu-me de pesquisar sobre qual teria sido a reação da comunidade judaica americana na época da publicação do livro. E encontrei que muita gente torceu o nariz, rabinos fizeram condenações públicas, o autor foi acusado de alimentar o antissemitismo com os estereótipos tão a gosto dos goyim, por ter um personagem judeu que repudia a sua religião e seus preceitos, e fala abertamente de sua relação problemática com os pais. O livro é um grande monólogo do personagem Alex Portnoy sobre os seus dramas íntimos e sua sexualidade, preocupado com o tamanho de seu nariz e atraído pelas louras shikses. Em muitos pontos chega a ser hilariante. Mas, sobretudo, mostrou ao mundo o potencial de artesão da palavra que é Philip Roth, mais tarde confirmado em muitos outros livros, como American Pastoral. Li na The New Yorker que aos 81 anos, finalmente, ele fez as pazes com a comunidade judaica ao receber um título honoris causa na Jewish Theological Seminary, New York, em 2014. Quem não leu este livro, ainda está em tempo. Fiz uma releitura deste livro em 2026 e recomendo. É muito bom.

(2 de novembro de 2015 - uma data para muitas lembranças)

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