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Dia desses almoçando com amigos, Wandyr me perguntou se conhecia algum destilado de jabuticaba. Então, lembrei-me da cachaça de Catas Altas que Carmencita me deu de presente há alguns anos, exatamente para me provar que ela existia. Wandyr, viticultor em Mendoza, Argentina, onde produz vinhos de excepcional qualidade talvez se surpreenda em saber que em Catas Altas, na região do minério em Minas Gerais, também produzem vinho de jabuticaba há muitos anos. Aliás, a tradição vinícola da cidade vem desde o século XIX, quando o Monsenhor Mendes, vigário que chegou ao arraial em 1868, introduziu a cultura da vitis vinifera e a produção de vinho ao estilo do Velho Mundo, revitalizando a economia da região, fragilizada com o fim do ciclo do ouro. Em 1949 um agricultor local iniciou a produção de vinho a partir da fermentação da jabuticaba, esta sim uma fruta tipicamente brasileira. Hoje são muitos os produtores de vinho de jabuticaba, de maneira quase artesanal, o que enseja a realização da Festa do Vinho de Catas Altas, já na sua décima quinta edição em 2015 (no mês de maio).

Agora uma pequena historinha sobre João Batista Ferreira de Sousa Coutinho, o primeiro Barão de Catas Altas. Foi riquíssimo. Dono da mina de ouro do Gongo Soco, que depois vendeu aos ingleses. Contam que quando D. Pedro I visitou pela primeira vez Ouro Preto ele ofereceu ao imperador e sua comitiva um jantar, em que a baixela era toda em ouro. Ao que D. Pedro observou que nem no Palácio de Queluz havia visto aquilo. Ato contínuo foi-lhe oferecida a baixela completa de presente, e ele na maior sem cerimônia mandou embrulhar e levar para o Rio de Janeiro. Continuava o saque de Minas Gerais. O Barão de Catas Altas morreu na miséria, assistido apenas por dois de seus escravos.

(Foto do Centro Histórico de Catas Altas-MG de autoria de Lucia Coelho. Licenciado sob CC BY-SA 3.0, via Wikimedia Commons.)
(16 de março de 2015)

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1 Comentário:

  1. Anônimo said...
    Obrigado, Delta!
    Colocarei Catas Altas no meu mapa turístico para provar tanto o vinho quanto a cachaça!
    Abraço.
    Wandyr

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