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Nascido em uma família cujos antepassados haviam sido donos de escravos, no Brasil dos séculos 18 e 19, felizmente as duas gerações que me antecederam eram francamente abolicionistas. Meu avô materno foi expulso da escola em Ouro Preto porque, quando fazia um virulento discurso abolicionista, deu um tapa na cara do bedel. Está lá descrito no Esta Brava e Estoica Gente das Gerais, em nossa Livraria Virtual.
E foi assim que quando eu era ainda um menino me foi dado de presente o livro de Harriet Beecher Stowe, A Cabana do Pai Tomás. A minha família era assim. Naquele tempo dava-se de presente às crianças livros que as marcassem para a vida toda, e ajudassem na formação de suas personalidades. Foi desta forma que recebi A Cidade e as Serras, de Eça, para que nunca me esquecesse das serras de Minas, uma dedicatória altamente premonitória. E também O Crime do Padre Amaro, porque meu pai era reconhecidamente anticlerical.

O livro de Harriet Stowe, uma habitante da Nova Inglaterra, vendeu algo como 300 mil exemplares apenas no ano em que foi publicado, isto em 1852. Disseram para a autora que o livro dela havia desencadeado a Guerra de Secessão americana. Um exagero. Depois de haver sido festejado em vários países, o movimento dos direitos civis nos Estados Unidos da década de 60 colocou-o sob suspeição. Pai Tomás seria um santo e não exatamente um herói, como seria Martin Luther King. Pai Tomás aceitava o seu destino de escravo e isto deveria ser esquecido.
O fato é que o livro de Harriet Stowe, que chegou a ser a escritora mais famosa do mundo no meio do século 19, despertou as consciências para a situação desumana em que viviam os escravos, sobretudo no sul dos Estados Unidos, e tornou-se um clássico.
(12 de fevereiro de 2017)

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