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Em primeiro lugar quero prestar minhas homenagens ao avô do autor deste livro, professor Walter Mors, que empresta seu nome ao Instituto de Pesquisas de Produtos Naturais da UFRJ. Que avô dedicado. Mesmo depois de aposentado continuava frequentando a universidade, assistia palestras e orientava colegas. Um avô que conseguiu transferir ao neto o amor pelo ensino e a pesquisa, num país que infelizmente assiste ao desmonte de várias universidades, como é o caso atual da UERJ aqui no Rio de Janeiro.
O professor Luiz Mors (atualmente na UFF) escreveu um livro fascinante, em linguagem acessível aos leigos e ignorantes como eu. Já começa que tive que pesquisar o que é etnobotânica. Me lembrei logo de Clarissa, cujas fotos ilustram quase todos os meus livros, e que tem uma jabuticabeira plantada em vaso, dando frutos duas vezes por ano. Eu nunca acreditei, mas ela insiste que é verdade.
Luiz passou algum tempo na Universidade de Gent (UGent), na Bélgica, e relatou várias descobertas que fez a partir de depoimentos de colegas. Como o caso prosaico de um mexicano com dor nas costas porque se propôs a ensinar aos europeus um jogo típico dos olmecas, o futebol mesoamericano. E o que fez dos olmecas um povo muito bem sucedido? Provavelmente a cultura do milho. E por que os espanhóis cismaram de entrar pela mata e descobriram aquele rio imenso, depois chamado das Amazonas? Estavam em busca da canela, que na realidade nunca existiu no Brasil antes do descobrimento. E existe alguma outra forma de se combater o veneno das cobras além do soro antiofídico? Luiz nos introduz ao chá da erva-botão. E conta que a triaga brasílica (antecessora da garrafada nordestina) foi uma adaptação dos jesuítas na Bahia a uma fórmula usada por eles na Europa. Indicada para todo tipo de envenenamento por animais.
E, para encerrar e falar um pouco de maçãs, o que dizer de Eduardo, o colega português que o autor conheceu em Zurique, que ao invés de torcer para o Benfica como o tio Ernesto e Ricardo Caldeira, torcia para um pequeno time na região de Lisboa chamado Cova da Piedade? Eduardo se meteu a colher maçãs, para descobrir depois que os frutos eram bem azedos. A maçã selvagem. Muito apreciada na época da colonização americana porque com ela podia-se fazer sidra. E por isso mesmo combatida pelos puritanos, contra o consumo do álcool pelas famílias. Eu mesmo já usei aqui para dar início ao fermento Severino, usado nos pães que teimo em assar.
E tem muito mais: mangueira, galhas, carvalho, seringueira, centeio, cinchona, cardamomo.

(Livro Plantas e Civilização, Luiz Mors Cabral, Edições de Janeiro, 2016)

(3 de fevereiro de 2017)

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