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Como foi que os mineiros da primeira república se firmaram no panorama nacional e fizeram uma parceria imbatível com São Paulo, dando origem à célebre política do café com leite? Alguns historiadores dizem que os fazendeiros mineiros, os grandes proprietários rurais, mandavam na política e imponham suas preferências, sempre na defesa do café. O autor do livro O Segredo de Minas, Amílcar Martins Filho, que fazia parte da minha grande vizinhança em Belo Horizonte, demonstra que não foi bem assim. Primeiro, as propriedades em Minas foram muito fragmentadas e deixaram de ser as enormes fazendas, como a de Custódio José Dias em Machado e Alfenas, por exemplo. Segundo, porque pesquisando a representação política mineira neste período o autor constatou que a maioria da elite mineira era composta majoritariamente por advogados, médicos, farmacêuticos, jornalistas, portanto profissionais liberais. Poucos fazendeiros como atividade principal. Militar só mesmo um, o Capitão-Tenente (esta fixação de alguns mineiros pela Marinha) Cristiano Ottoni, que também era engenheiro e considerado o pai das estradas de ferro no Brasil. Minas era governada por um estamento burocrático, que aos poucos foi desenvolvendo uma capacidade invejável de negociação e acomodação que resultou no PRM (Partido Republicano Mineiro). Dizia-se "fora do PRM não há salvação". Com Silviano Brandão Minas atingiu a completa união da elite, reforçada por laços de parentesco, e dali para frente tudo era decidido em comum acordo. Minas passou a ser uma única, o estado mais populoso do Brasil, e portanto com direitos de interferir nos rumos nacionais. Até a revolução de 30. Daí surgiu a expressão político mineiro, tão bem representada por José Maria Alkmim, de Bocaiúva, onde viveu tanto tempo meu irmão. Símbolo de que tudo se resolve conversando, e não brigando. Que saudade deste tempo de mineiros tão ilustres, numa época atual de política tão sombria.

(Livro: O Segredo de Minas, Amílcar Vianna Martins Filho, editora Crisálida, 2009)

(3 de dezembro de 2017)

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