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Muito pouca gente consegue documentar o cotidiano de sua família, através da linguagem escrita ou visual. Certo, guardamos fotos, vídeos, álbuns. Mas poucos conseguem captar o anima, na definição de Aristóteles, dos componentes do grupo familiar.
É uma pena, porque os anos passam e a gente não consegue mais se lembrar das frases, dos lamentos, dos ataques de raiva, do ciúme, dos gestos, do carinho, das demonstrações de amor.
Quando somos apenas pais, não temos tempo. A luta pela sobrevivência e afirmação profissional consomem quase todas as energias. Só quando somos avós, por uma benção do destino, temos verdadeiramente a oportunidade de observar, refletir e transmitir o que aprendemos de nossos pais.

Nosso amigo Sarmento, em sua infatigável correspondência, como já dissemos uma vez, traz-nos agora a perspectiva do avô. Com desenhos, exclamações, meios sorrisos, e um profundo orgulho de sua descendência.

As histórias e anotações aqui deste livro são atemporais. Até porque o próprio autor se recusa a datá-las, como reclamou a irmã em uma de suas intervenções. Podemos deduzir épocas, a partir de certos acontecimentos. Ou de alguma foto em que a data foi registrada automaticamente, contra a sua vontade.

E ele tem um estilo próprio de escrever, onde abusa dos dois pontos e do ponto e vírgula. Mas é objetivo, faz longas interrupções para explicar alguma coisa que lhe ocorreu ou para encher a caneta-tinteiro. Sim, ele ainda escreve à caneta, contra toda a tendência universal.

Mais um autor independente na praça, comemorando 75 anos. Longa vida, mestre.
(Minha homenagem a Sarmento, Alexandrino e Marcelo Ferraz, aniversariantes de hoje)

(18 de novembro de 2018)

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