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Lucas Borges é o jovem autor do livro As aventuras de Lucas e o robô dragão, lançado em plena quarentena e disponível na Amazon. Lucas, que mora na cidade de Cedar Park, Texas (Estados Unidos), é um menino de sorte. Tem um avô talentoso, criativo, morando perto, nos arredores de Austin, também em Cedar Park. Os dois fizeram uma parceria para produzir essa história intrigante. Um certo senhor Akira, de origem japonesa, morando no Canadá, construiu um robozinho muito esperto, chamado Fiery. Esse robozinho, premido pelas circunstâncias, acompanha um grupo de aves migratórias e acaba se envolvendo em uma série de eventos em Austin, justamente na casa do personagem Lucas. Uma história envolvente, cheia de ação e lances criativos, que faz com que o leitor - jovem ou adulto - se mantenha ligado no enredo, e passe algumas horas longe das mensagens loucas e notícias decepcionantes do smartphone. Portanto, o livro, além de divertido, é um tônico para a saúde mental. Recomendo.
(Livro As aventuras de Lucas e o robô dragão, Álvaro Esteves & Lucas Borges, 2020)
(8 de setembro de 2020)

QUANDO DIANA COMPLETOU DEZ ANOS, recebeu de presente de seus pais uma edição especial do livro de Lewis Carroll, que no ano de 2015 comemorou 150 anos, desde que foi impresso pela primeira vez, em 1865. Tempos estranhos aqueles, onde uma criança recebia de presente um livro, e não um Smartphone ou um Playstation. Como, naquela época, Diana morava nos Estados Unidos, o livro veio com uma dedicatória para que se lembrasse do "país das maravilhas".

 Agora, em 2015, vejo, na última edição da revista The New Yorker, um longo artigo do escritor e jornalista inglês Anthony Lane, morador em Cambridge, sobre o livro e o autor.

Ele começa se perguntando quem costumava ler Alice no País das Maravilhas antigamente? E ele mesmo responde que era todo mundo que lia, ou mesmo onde houvesse uma pessoa disposta a contar uma história, e outra a escutar. Atualmente, Alice caiu naquela categoria de livros que todos conhecem, sem necessariamente terem lido. Existem adaptações, filmes, peças de teatro e possivelmente até livros para pintar. É o que Lane chama de conhecer um livro, ou a história, por osmose cultural.

Talvez muita gente não saiba que Lewis Carroll era o pseudônimo do reverendo da Igreja Anglicana Charles Lutwidge Dodgson, um professor de matemática no Christ College, em Oxford. Que além de escritor, poeta e religioso, foi também um fotógrafo profícuo, numa época onde as fotos não eram tão simples de serem tiradas como hoje. E daí veio uma controvérsia sobre a sua vida íntima. São conhecidas cartas suas às mães de algumas meninas solicitando permissão para fotografá-las, até mesmo nuas. Como diz Anthony Lane, se fosse hoje, isto seria motivo suficiente para uma ordem de prisão. Mas parece que o reverendo, naquela época vitoriana, inspirava mais admiração do que desconfiança. Algo assim como um Michael Jackson e as crianças. Depois, veio a psicanálise e mil outras releituras. 

Mas Alice, escrito para uma certa Alice Liddell, filha do deão do Christ College, sem maiores pretensões, tornou-se um daqueles clássicos da literatura universal que ninguém pode ignorar.
(2 de junho de 2015)

Na pesquisa What Kids Are Reading realizada anualmente nos Estados Unidos, abrangendo na versão 2015 um universo de quase 10 milhões de estudantes dos níveis 1-12 das escolas primária e secundária, um livro publicado pela primeira vez há mais de cem anos, clássico da literatura infanto-juvenil, aparece sempre na lista de preferidos. Uau, não é pouca coisa.
Trata-se do livro The Secret Garden, de Frances Hodgson Burnett, cuja primeira edição aconteceu em 1911. Eu fui apresentado a este livro por minha filha Barbara, há muitos anos e ela era ainda uma adolescente, quando o incluiu numa lista de livros que me encarregou de garimpar na Barnes and Noble. Além da versão original existem também adaptações feitas por diversos autores para torná-lo mais digerível por leitores de menos idade. E o livro aparece como preferido tanto pelas meninas como pelos meninos, o que já é um grande feito.

Penso que qualquer autor independente gostaria de saber o que determina a longevidade de um livro, capaz de torná-lo ainda atraente após um século depois de escrito. Não é o que acontece com os livros de Machado de Assis e Eça de Queiroz? Claro que acima de tudo há que se ter algum talento. Assim como dizia Vinicius de Moraes em relação à beleza da mulher, talento é fundamental. Mas parece que os livros, como também as peças de teatro (vejam o caso de Shakespeare), que mexem com as emoções humanas tendem a ter vida mais longa. No caso de The Secret Garden pude ler depoimentos de adultos que relatam como ficaram comovidos pela história ao tempo em que leram o livro, ainda crianças.
Se fizerem uma pesquisa na internet poderão ver que o livro já teve centenas (será exagero?) de capas diferentes ao longo do tempo nas edições em inglês, e nas muitas outras línguas para as quais foi traduzido, inclusive o português. Na comunidade de leitores Goodreads ele já teve cerca de 500 mil avaliações (pasmem) e mais de 9 mil resenhas. Não acham que é um fenômeno?

A história começa com Mary Lennox, uma menina órfã descrita logo de início como intratável e indesejada pelos pais, indo morar em casa de um tio na Inglaterra. Este era viúvo com um único filho Colin, tratado com todos os cuidados por ser doente, cuja existência ela só vem a descobrir mais tarde. Mary encontra um jardim cujo acesso era lacrado no terreno da casa, objeto de cuidados da tia que foi lá vítima de um acidente que a matou, e começa a cuidar das plantas com ajuda dos empregados. Aos poucos ela vai envolvendo Colin com suas histórias do jardim e consegue, finalmente, tirá-lo de dentro da casa pela primeira vez em vários anos. O pai, retornando de uma viagem, fica surpreendido em ver seu filho correndo e as crianças brincando no jardim. Colin acaba ajudando Mary a enfrentar os desafios do mundo. O livro passa a mensagem do pensamento positivo contra os falsos desígnios e o determinismo. Como diria Seth, nós fazemos a nossa própria realidade. Não somos governados por um destino inexorável.

E a propósito de livros infantis, nosso autor independente Álvaro Esteves, agora em parceria com o jovem Daniel Borges, acaba de publicar D8 Robot and the Red Balloon, disponível na Amazon. Aos poucos, com persistência, vamos ganhando os mercados do mundo. São as novas invasões bárbaras.

(28 de fevereiro de 2015 - hoje comemoração torta dos aniversários de Pedrim e Joaquim)
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