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Ora veja, quem diria, em uma cidade agora tão cheia de prédios nós ficamos sabendo que as flores tomaram conta da Praça da Liberdade e até da Praça da Estação. A Beagá onde eu nasci era muito diferente. Lembro-me de passar, muitas vezes, pela esquina da Avenida Afonso Pena com Rua Santa Rita Durão e sentir o perfume de dama-da-noite. Ou passar pelas casas, que eram muitas, e sentir o perfume das rosas dos jardins. Agora me deparei com este livro maravilhoso sobre Os mais belos ipês-rosas de Beagá, edição de Rodrigo Lamounier. Com a contribuição de vários fotógrafos, nós constatamos que realmente os ipês tomaram conta da cidade embrutecida. Graças a Deus. Em frente à Igreja da Boa Viagem, ao Museu de Arte da Pampulha, na Avenida do Contorno de tantas recordações, até na Rua da Bahia e na Prudente de Morais, por onde trafega Sandra Maria quase todos os dias. Um livro lindo, inspirador. Quem me deu? A bibliófila Clarissa, a mesma que ilustra as capas dos meus livros.

Carlos G. Vieira (10 de abril de 2026)



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Foi através de seu filho, Miguel Sousa Tavares, que travei conhecimento com a pessoa de Sophia. Foi no livro "Não se encontra o que se procura", que meu amigo professor Amadeu Marques me emprestou. São tantas as citações do filho sobre a mãe, e sua relação com Lagos, no Algarve, que tratei logo de comprar o "Coral e outros poemas". De fato, Sophia foi uma pessoa iluminada e inspirada, que a fez ocupar o lugar de uma das melhores, se não a maior, poeta portuguesa contemporânea. Nascida na cidade do Porto, de família aristocrática, estudou em Lisboa, onde foi morar definitivamente depois de casada. Além de poeta foi uma ativista política e candidata à Assembléia da República. Escreveu livros infantis, fez traduções e versões, escreveu contos, ensaios e peça teatral. Faleceu em 2004.

Transcrevo, abaixo, um curto poema, entre tantos, constante do livro "Coral e outros poemas", publicado em Portugal ("Coral") inicialmente em 1950.

EVOHÉ BAKKHOS

"Evohé deus que nos deste/ A vida e o vinho/ E nele os homens encontraram/ O sabor do sol e da resina/ E uma consciência múltipla e divina."

Carlos G. Vieira

(2 de junho de 2025)



Primeiro, preciso explicar como cheguei a este livro. Estava, outro dia, assistindo a um programa na TV sobre empreendedorismo e fiquei conhecendo a editora e livraria ABarros. E a história de Arthur Barros, escritor e autista. Achei emocionante. Segundo o lema do site da editora, "a inclusão social importa para nós." A editora é uma empresa familiar. Mãe e pai desempenham funções importantes na gestão do empreendimento.

E foi daí que, olhando o catálogo da livraria, fui atraído por este título de um livro de poesias, de autoria da professora Maria Anete Santana. De fato, a leitura pode transformar o universo. Embora a concorrência do celular e da televisão sejam avassaladoras, o meio físico cada vez importa menos. O que importa é reservar algum tempo para mergulhar em um livro, e refletir um pouco. Acabei de ler dois enormes livros de Gilberto Freyre: Casa Grande & Senzala e Sobrados e Mocambos. Livros fundamentais, que ajudam a entender, um pouco, o nosso confuso Brasil de hoje.

Pois Anete me transportou a outros espaços. Fui até Sergipe, onde ela nasceu (e me lembrei de meu colega Murilo, de Cedro de São João), a Roma, a Jerusalém e a São Paulo, onde morei. Como diz um de seus poemas, "Nesta vida tudo é belo/ quando sabemos viver/ e em nosso dia a dia/ somos capazes de entender/ Que a solidariedade/ é um bem que vai vencer". Tomara.

(17 de setembro de 2021)

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Eu me emocionei muito com este livro, que recebi de presente do meu amigo Álvaro. Um diário íntimo de Carlos Drummond de Andrade sobre acontecimentos familiares, que o faziam deslocar-se, constantemente, do Rio de Janeiro para Minas. Ora era a mãe, ora um irmão ou irmã. A narrativa, sem intuito aparente de ser publicada algum dia, e recolhida pelo neto Pedro Augusto, mostra o poeta extremamente preocupado com a família. Eu, que também fiz este caminho entre o Rio e Minas muitas vezes, por razões semelhantes às dele, senti profundamente a leitura. 

O Aeroporto da Pampulha, a Avenida Afonso Pena, o Cemitério do Bonfim, o bairro da Serra. O livro também trata de amigos, como Manuel Bandeira e Rodrigo Melo Franco de Andrade. O relato dos últimos dias do poeta Manuel Bandeira, internado ora no Leblon, ora no Samaritano, é de dar pena.

A palavra que melhor retrata este livro, tão delicado, é realmente saudade. Recomendo a leitura.

Transcrevo parte de um poema (Irmão, irmãos) constante do livro.

Ser irmão é ser o quê? Uma presença
a decifrar mais tarde, com saudade?
Com saudade de quê? De uma pueril
vontade de ser irmão futuro, antigo e sempre?
(Carlos Drummond de Andrade)

(Livro Uma forma de saudade, Carlos Drummond de Andrade, Companhia das Letras)

(9 de abril de 2018)

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Esta linda canção La Paloma, conhecida no mundo todo, foi escrita por um espanhol chamado Sebastián de Yradier y Salaverri, por volta de 1860. Ele a compôs após uma visita a Cuba e dizem que foi a partir desta canção que a ilha se tornou um destino turístico no século XIX.

No México, sob o reinado de Maximiliano e Carlota, a música se tornou parte da cultura mexicana. O imperador e sua mulher adoravam ouvi-la, na voz de Concha Méndez. Antes da queda do breve  regime imperial, os republicanos haviam escrito uma outra letra para zombar da imperatriz Carlota. No lugar de "se à sua janela chegar uma pombinha...", diziam "se à sua janela chegar um burro fraco, trata-o com desprezo porque é um austríaco". Como se sabe, Maximiliano era austríaco, e colocado no trono do México por imposição de Napoleão III. 

Há também, com forte ênfase nacionalista, a canção Paloma Juarista (com a mesma música), que começa lembrando a Guerra de Intervenção, a segunda invasão francesa do México, em meados do século XIX.

Por incrível que pareça, existem hoje mais de mil versões da canção original de Yradier, inclusive uma em português do Brasil, gravada por Tonico e Tinoco. E também interpretações de cantores famosos, como Julio Iglesias, Elvis Presley, Sarita Montiel, Billy Vaughn, Freddy Quinn, Nana Mouskouri, Mireille Mathieu, Plácido Domingo e muitos outros.

Uma possível leitura para o tema de La Paloma vem da época da antiga Grécia. Costumava-se usar pombas para enviar mensagens de amor e de carinho aos familiares, quando os marinheiros estavam no mar. Transcrevo aqui o refrão, que me parece ser a parte mais sentimental da letra.

"Si a tu ventana llega una paloma
Trátala con cariño que es mi persona
Cuéntale tus amores bien de mi vida
Corónala de flores que es cosa mía
Ay chinita que si, ay que dame tu amor
Ay que vente conmigo chinita
A donde vivo yo"

Canção La Paloma , Sebastián Yradier, 1860
(19 de março de 2018)

Carlos G. Vieira


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Outro dia, em Petrópolis, deixaram este livro no chalé que estávamos ocupando, com uma linda mensagem. Foi uma surpresa da Fernanda. A primeira vez que recebi de presente um livro de Vinicius de Moraes foi no meu aniversário de 18 anos (Antologia Poética) e me foi dado pela menina da casa ao lado. Muito tempo depois fui morar na Rua Lopes Quintas, rua em que ele nasceu. E fico sabendo pelo livro Todo Amor que sua primeira esposa, casamento por procuração, era neta do Almirante Custódio de Mello, que deu o nome ao navio que me levou pela primeira vez ao Canadá. Vinicius escreveu uma carta aos pais (morava em Oxford nesta época) comunicando o casamento e pedindo que recebessem a esposa em família.
Vinicius é o poeta da minha predileção. Não foi por outra razão que Fernanda garimpou na Livraria Timbre este livro para nos dar de presente, em uma data tão significativa. Então, peço licença para transcrever estes versos que foram escritos há exatamente 80 anos:

De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.

(Soneto da Separação, Vinicius de Moraes, 1938)

(13 de fevereiro de 2018)


Parece que um blog que se propõe a falar de livros e autores independentes não pode deixar de fazer referência a uma das personalidades mais marcantes e controvertidas da literatura do século XX. A realidade é que até hoje havia passado em branco por aqui. Pobre deste blog.
  Sylvia Beach, em seu livro, conta que o casal Pound foi um dos primeiros frequentadores de sua famosa livraria em Paris, lá pelos anos 20 do século passado. Ezra Pound e Dorothy Shakespear (sem o "e", ela fez questão de frisar) moravam em Londres nesta época. Ele americano e ela inglesa. Dorothy chegou a fazer um mapa para ser impresso no verso do anúncio da livraria, porque achou que seria muito difícil aos possíveis leitores a encontrarem. Ezra Pound é considerado um dos precursores do modernismo na poesia. Revolucionou tudo. E ainda por cima deu sugestões, acatadas, no famoso poema The Waste Land de T.S. Eliot. Incentivou, não apenas com palavras, mas até com apoio financeiro escritores de talento como James Joyce e Ernest Hemingway.
  Publicou seu primeiro livro, cuja tiragem foi de apenas 100 exemplares, quando morava na Itália. Mas sua obra prima foi o longo e complexo poema Os Cantos, que durou cerca de 40 anos para ser totalmente terminado. Vou dizer uma coisa para vocês. Não é de fácil leitura. É preciso pesquisar um pouco para captar exatamente o sentido dos Cantos, uma proposta de poema épico, que começa buscando inspiração na Odisseia de Homero e na Divina Comédia de Dante. Ele mudou totalmente a métrica tradicional, incluiu partes de poemas de outros poetas, buscou trechos da filosofia chinesa, citou acontecimentos históricos, fez, em resumo, um apanhado da cultura universal.

Não é todo dia que vemos um livro de poemas escritos na juventude e publicado nos anos 40 do século passado ter a oportunidade de uma reedição mais de 70 anos depois da primeira edição. Deve-se este feito à persistência e dedicação de nosso autor independente Washington Conceição, que foi resgatar um livro escrito pelo pai e condenado ao esquecimento, porque a primeira edição foi subsidiada pelo autor, de pequena tiragem, cujos exemplares originais praticamente se perderam no tempo.
O livro pode ser dividido em três partes. Poemas escritos nos anos 20 do século passado na cidade de Castro-PR, poemas escritos algum tempo depois em Santa Maria-RS, e poemas escritos bem mais tarde que constituem as últimas rimas do poeta.
Louvemos a iniciativa do Washington que nos permite, agora, tomar contato com os sonhos e a poesia de um jovem no início do século XX. Aquele que chegou a dizer  aos 21 anos de idade:
"E afago, apenas, nesta rota austera
A certeza do pouco que me espera
No consolo do muito que vivi."
Disponível para compra nos formatos eBook e impresso na Amazon.
(9 de novembro de 2017)

Algumas vezes acontece de algum livro de autor independente me cair nas mãos. Este me foi trazido por dona Maria Varandas, moradora do bairro do Jardim Botânico (Rio de Janeiro). Guiães, vila portuguesa pertencente ao concelho de Vila Real, em Trás-os-Montes, tem muitas histórias. Algumas muito antigas, da época dos romanos, outras do domínio espanhol, outras mais recentes do tempo da imigração para o Brasil. O autor João Pedro da Fonseca Timpeira, além de poeta, deu uma excelente contribuição para manter as tradições de sua terra. Recolheu histórias que passam por gerações, muitas envolvendo personagens conhecidos da Vila. Mostra pessoas simples, trabalhadoras do campo, religiosas e também crentes em superstições. Mostra o povo como ele é.
Guiães aparece em um dos meus livros preferidos de Eça (ganhei de presente de minha irmã quando tinha quinze anos). Está lá no A Cidade e as Serras. A terra do personagem José Fernandes.

Diz o autor Timpeira: "Desde o tempo de D. Maria II que já não se enterram os ricos na Igreja e os pobres no adro, é obrigação enterrá-los no cemitério..."
As igrejas coloniais em Minas também tinham este costume, encerrado por uma imposição sanitária. Meu antepassado Custódio José Dias foi sepultado na Igreja de Nossa Senhora das Dores de Alfenas. Em Sabará, a Irmandade do Carmo criou um cemitério exclusivo do outro lado da rua, e com isso encerrou este negócio de sepultar no piso da igreja.
Em outro ponto diz o autor: "Ninguém pode mudar as nossas aldeias, elas são o que são e está bem assim." Queria tanto que minha terra fosse a que foi, mas no Brasil há uma mania de mudar tudo.
Guiães é mesmo muito antiga. Recebeu foral em 1202, por ordem do rei D. Sancho I. Em 2011 possuía apenas 478 habitantes.
(16 de julho de 2017)

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O poema The Waste Land começa assim: Abril é o mais cruel dos meses, sob o título de "O Enterro dos Mortos". Não, houve um engano. O mais cruel dos meses é mesmo maio.

Thomas Stearns Eliot, chamado simplesmente de Tom pelos amigos, Prêmio Nobel de Literatura de 1948, escreveu The Waste Land ("A Terra Desolada 1922", na tradução de Ivan Junqueira) quando tinha 34 anos. Nasceu nos Estados Unidos, em Saint Louis - MO, de uma família da Nova Inglaterra, mas viveu a maior parte de sua vida em Londres, para onde partiu ao início da Primeira Grande Guerra.

Teve uma vida pessoal muito conturbada. Quando foi para a Inglaterra, deixou em Boston uma namorada, Hale, que se tornaria a eterna namorada até o final da vida dela. Mas, surpreendentemente, ele depois de algum tempo, anunciou que se casara com uma inglesa chamada Vivienne. Esta, com sérios problemas de saúde, tornaria sua vida um inferno. Recusou-se a dar a ele o divórcio quando foi solicitada, e ele passou a viver solitariamente, escondendo o endereço onde morava. Depois que ela foi internada com problemas mentais, e passou assim alguns anos, ele nunca a visitou. Ainda fez algumas tentativas de reatar com sua antiga namorada americana, com quem trocou vasta correspondência, mas a proibiu em testamento de publicar qualquer das cartas, praticamente enquanto fosse viva. Casou-se novamente aos 68 anos com outra inglesa, Valerie, e com ela viveu os últimos anos de sua vida.

Todos estes problemas pessoais, e mais uma profunda reflexão filosófica e religiosa, resultaram em alguns dos melhores poemas da língua inglesa.

No início do livro Armazém Colombo (em nossa livraria virtual), há esta citação:
"Abril é o mais cruel dos meses, germinando
Lilases da terra morta, misturando
Memória e desejo, avivando
Agônicas raízes com a chuva da primavera."

(T.S. Eliot, The Waste Land, 1922 - tradução de Ivan Junqueira)
(27 de maio de 2017)

"E porque eu me levanto para recolher você no meu abraço, e o mato à nossa volta se faz murmuroso e se enche de vagalumes enquanto a noite desce com seus segredos, suas mortes, seus espantos - eu sei, ah, eu sei que o meu amor por você é feito de todos os amores que eu já tive, e você é a filha dileta de todas as mulheres que eu amei; e que todas as mulheres que eu amei, como tristes estátuas ao longo da aléia de um jardim noturno, foram passando você de mão em mão até mim, cuspindo no seu rosto e enfrentando a sua fronte de grinaldas; foram passando você até mim entre cantos, súplicas e vociferações - porque você é linda, porque você é meiga e sobretudo porque você é uma menina com uma flor."
(retirado de Para uma menina com uma flor, de Vinicius de Moraes)
(19 de março de 2015)

O Encouraçado Aquidabã, orgulho da Marinha Imperial, foi lançado ao mar em 1885. Teve como comandantes nomes históricos como Custódio de Melo, Júlio de Noronha e Alexandrino de Alencar. Participou decisivamente da primeira e da segunda Revolta da Armada, quando deu um tiro de advertência que infelizmente atingiu a torre da Igreja de Nossa Senhora da Lapa dos Mercadores, na Rua do Ouvidor. Lá está na sacristia o projétil até hoje.
O Aquidabã explodiu misteriosamente, quando estava fundeado na Baía de Jacuacanga, perto de Angra dos Reis, no dia 22 de janeiro de 1906. Foi ao fundo com mais de 200 tripulantes, entre marinheiros, oficiais e o comandante, e três almirantes que haviam acabado de embarcar naquele dia. Entre os mortos estava o Guarda-Marinha Mário de Noronha, filho do Ministro Almirante Júlio de Noronha, que a tudo assistiu a bordo do "Barroso", também fundeado próximo ao Aquidabã.
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Artigo publicado hoje no New York Times Sunday Review, autoria de William Logan, faz uma indagação perturbadora, sobretudo para quem gosta de ler poesia. Quem precisa dela, nestes tempos em que vivemos, marcados pelo efêmero e pela futilidade? A poesia mexe com a emoção, com a ternura, com o amor. Mas a novela televisiva, o romance, a música, as redes sociais também mexem. Apenas, talvez, de uma forma mais frenética. Lembro-me daquela história contada por Fernando Sabino de que sabendo estar Vinicius de Moraes em Lisboa para uma temporada musical, pegou o telefone e tentou falar com ele. Barrado por uma assessora, disse-lhe tratar-se de Almada Negreiros, o conhecido artista, escritor e poeta português. Vinícius prontamente atendeu com um "Olá, Almada". E Fernando Sabino, no melhor português lusitano, passou-lhe uma espinafração dizendo que ele estava denegrindo a poesia dele fazendo música popular. E partiu para encontrá-lo no bar do hotel. Vinicius não deve ter entendido absolutamente nada naquele instante. Mas é um bom exemplo. Vinicius de Moraes é o poeta da minha preferência. Ele próprio, em dado momento de sua vida, deixou de lado a sua poesia primorosa e foi viver um grande amor, de palco em palco, cantando músicas lindas em parceria com outros grandes compositores. Quem precisa de poesia, caro leitor deste blog, certamente hoje mais preocupado com os jogos da Copa no Brasil? Permita-me transcrever, então, os primeiros versos do Soneto de Fidelidade, de Vinicius, retirado de um velho alfarrábio que tenho aqui na estante, e que me acompanha há uns cinquenta anos.

De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.


(Vinicius de Moraes, "Antologia Poética", Editora do Autor, Rio de Janeiro, 1960)
15 de junho de 2014

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