Blogger Template by Blogcrowds.


vececom GESTÃO 

De tempos em tempos aparece alguém ou algum seminário nos jornais oferecendo soluções para um tal de coaching, o que nos faz lembrar de equipes, olimpíadas e copas do mundo. 
Que diabo será isso? Serve para mim?

coaching é a orientação sistemática exercida por uma pessoa mais habilitada, ou com visão de conjunto, sobre outras pessoas que fazem parte de uma equipe. O exemplo clássico é mesmo o do treinador no esporte, que transforma bons atletas em campeões, embora nem sempre tenha sido ele próprio um atleta.

Agora, com o desemprego aumentando no Brasil, e as pessoas mais interessadas em defender a própria sobrevivência, parece muito razoável que nós tenhamos dúvida. Afinal, será que os empregadores estão dispostos a perder tempo orientando seus funcionários, quando poderiam ir direto a quem resolve o problema?

A resposta é que continuamos a precisar de coaching em nossas empresas, uma tarefa fundamental a ser exercida pelas lideranças, em todos os níveis, e independente de hierarquia.

Se olharmos os exemplos das empresas mais admiradas nos Estados Unidos, segundo as listas publicadas pela revista Fortune, vamos encontrar culturas muito fortes neste sentido. Ali estão a Apple, General Electric, Google, Starbucks, Amazon, Microsoft. Mas não é tudo. Estas empresas exigem muito de seus colaboradores, mas são conhecidas por dar uma atenção especial ao crescimento de cada um e ao desempenho das equipes.

A ênfase em unidades de negócio e em resultados de curto prazo pode muito bem fazer adormecer conceitos antigos de liderança, sobretudo naqueles executivos que nunca acreditaram muito no valor deste esforço.

Entretanto, a busca por talentos continua, em todo lugar. A perda para o mercado de pessoas capazes e preparadas para os objetivos da empresa, certamente não interessa aos acionistas, porque diminui a força de competição da empresa. A maneira mais objetiva de se integrar os colaboradores, por mais capacitados que sejam, está no coaching, não importando se a época está mais para o trabalho informal e a terceirização do que para a organização tradicional.

A tarefa de coaching parece mais apropriada aos gestores, mas não apenas a eles. Assim, em ambientes de equipes de alto desempenho, com bastante independência, esta tarefa pode perfeitamente ser exercida por um membro mais categorizado da equipe. Se a liderança é situacional, então o coaching também é. O esporte tem sido o exemplo clássico da atuação dos técnicos em coaching. E também como temos visto no esporte, o coaching exige uma adequada formação prévia. Não se deseja que o coaching mal conduzido dê origem a diversas manipulações e a exploração de ansiedades e inseguranças, para obtenção do máximo resultado no curto prazo, muito típico dos carreiristas.

Poderá o homem de negócios, aquele voltado fortemente ao componente tarefa, de que nos falava Paul Hersey (alguém ainda se lembra dele?), dedicar alguma parte do seu dia ao coaching? Será que isto diminuiria o seu esforço de realização de objetivos ou desviaria sua atenção do negócio?

Muitos executivos brasileiros não encontram tempo para orientar um subordinado. Achamos que reside aí, mais do que no desconhecimento, a barreira a este exercício de liderança. A noção de que o executivo-educador também é uma componente forte do sucesso dos homens de negócio está ainda longe de ser entendida no Brasil. As pressões de resultados de curto prazo, o foco apenas na própria carreira, ou a síndrome do lucro no quartil (tão perceptível nas empresas multinacionais, sobretudo as americanas), aliados a uma certa tendência a procrastinar de alguns executivos, levam muitas vezes as equipes a ficarem sem coaching.

As transformações porque passam ainda as empresas, com reorientação de metas e objetivos, algumas até com perda de credibilidade, aguçam a necessidade de tornar as equipes mais eficazes. A desmotivação, a perda do espírito de luta, a competição interna ao invés da cooperação, vão minando a capacidade de produzir (ou prestar serviços) com qualidade.

Algumas regras básicas ainda se aplicam ao coaching de hoje em dia.


Diversidade - os componentes de uma equipe não abdicam de sua individualidade, e continuam a requerer tratamento personalizado. Como no esporte, uns precisam de mais tempo para aquecimento, outros precisam repetir as jogadas até memorizá-las, outros precisam de um grito na hora certa.

Equidade - todos merecem um tratamento igual, quando se refere a oportunidades e salários, sobretudo as mulheres. Na hora de entrar em campo e disputar uma partida, deve ter lugar na equipe principal o melhor preparado fisicamente, mas não deveriam existir favoritismos, porque isto destrói o espírito de equipe. Da mesma forma, quando a equipe é vitoriosa, todos merecem um reconhecimento, mesmo aqueles que ficaram fazendo o trabalho silencioso, ou o trabalho menos nobre. A palavra de ordem deve ser cooperação, e não mais competição entre as pessoas.

Sinceridade - a verdade costuma ser evitada nas relações entre líder e liderado, haja visto o que acontece nas avaliações de desempenho anuais. Porque? A verdade pode trazer tensão e sensações desagradáveis. No entanto, ela deve ser dita., o mais cedo possível. Faz parte do processo de coaching. É a única forma de conseguirmos domar o homem (ou a mulher) das cavernas que habita dentro de nós. Como dar um feedback sem que a pessoa reaja negativamente, e consiga transformar aquele momento ruim em um momento de crescimento pessoal é uma arte. Sabemos que é muito mais fácil calar, mas isto é exatamente contra o espírito de coaching.

Estímulo - as pessoas precisam de pequenos empurrões ao longo de suas trajetórias, mesmo que sejam empurrões psicológicos. É aquele reforço positivo de que nos falam os psicólogos. As pequenas conquistas devem ser festejadas, o esforço pessoal para ultrapassar barreiras deve ser aplaudido.

Aprendizado - finalmente, aprender, e mesmo desaprender, passou a ser muito importante para o crescimento profissional. Aprender significa obter novas habilidades e estar atento às mudanças. Ninguém mais pode se dar ao luxo de não aprender. O coaching pode ajudar muito às pessoas neste processo de aprendizado constante. Desaprender significa saber abandonar velhos paradigmas, e adquirir novas visões. Aprender e desaprender convivem igualmente no coaching.

(Carlos G. Vieira)


Copyright 2015, vececom. Todos os direitos reservados.


0 Comentários:

Fazer um Comentário



Postagem mais recente Postagem mais antiga Página inicial