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De vez em quando acontece de eu sacar um livro da estante e descobrir que nunca havia lido antes, ou que simplesmente me esqueci do enredo totalmente. Assim foi com Casa Grande & Senzala, de Gilberto Freyre, que passou uns trinta anos esquecido. Fiquei tão entusiasmado com a leitura tardia que, em seguida, encomendei Sobrados e Mucambos. Assim foi também com as memórias de Afonso Arinos de Melo Franco e com Adolfo Bioy Casares, o Adolfito como a ele se referia Jorge Luis Borges. Só falta coragem mesmo é para enfrentar Ulysses, de James Joyce, que espera há anos aqui na fila. 

Pois agora eu encontro um livro, com dedicatória, de Martha Medeiros, e mais uma vez me surpreendi. Pelo visto, entrei numa nova fase de descobertas, como aconteceu com o livo de Ana Cecília Carvalho, descrito aqui no blog.

O livro A Graça da Coisa reúne várias crônicas da autora, escritas há mais de dez anos mais ou menos. O conjunto permite que o leitor possa apreciar, com clareza, a sua maneira de escrever. É muito boa. A gente quer ler, e ler, sem parar. Ainda bem que o livro tem muitas crônicas, e todas elas são curtas, porque passam de um tema a outro e o leitor não sente. Quer mais. Eu gostei, particularmente, de "O poder terapêutico da estrada", "Coragem" e "Frustração". Já até imagino, no estilo da autora, algum leitor ou leitora deste blog dizendo: "Engraçado, eu nunca escolheria estas crônicas como as melhores". Tudo bem, todas as crônicas são muito boas. É só conferir.

Carlos G. Vieira (12 de junho de 2026)
  

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