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Como foi que os mineiros da primeira república se firmaram no panorama nacional e fizeram uma parceria imbatível com São Paulo, dando origem à célebre política do café com leite? Alguns historiadores dizem que os fazendeiros mineiros, os grandes proprietários rurais, mandavam na política e imponham suas preferências, sempre na defesa do café. O autor do livro O Segredo de Minas, Amílcar Martins Filho, que fazia parte da minha grande vizinhança em Belo Horizonte, demonstra que não foi bem assim. Primeiro, as propriedades em Minas foram muito fragmentadas e deixaram de ser as enormes fazendas, como a de Custódio José Dias em Machado e Alfenas, por exemplo. Segundo, porque pesquisando a representação política mineira neste período o autor constatou que a maioria da elite mineira era composta majoritariamente por advogados, médicos, farmacêuticos, jornalistas, portanto profissionais liberais. Poucos fazendeiros como atividade principal. Militar só mesmo um, o Capitão-Tenente (esta fixação de alguns mineiros pela Marinha) Cristiano Ottoni, que também era engenheiro e considerado o pai das estradas de ferro no Brasil. Minas era governada por um estamento burocrático, que aos poucos foi desenvolvendo uma capacidade invejável de negociação e acomodação que resultou no PRM (Partido Republicano Mineiro). Dizia-se "fora do PRM não há salvação". Com Silviano Brandão Minas atingiu a completa união da elite, reforçada por laços de parentesco, e dali para frente tudo era decidido em comum acordo. Minas passou a ser uma única, o estado mais populoso do Brasil, e portanto com direitos de interferir nos rumos nacionais. Até a revolução de 30. Daí surgiu a expressão político mineiro, tão bem representada por José Maria Alkmim, de Bocaiúva, onde viveu tanto tempo meu irmão. Símbolo de que tudo se resolve conversando, e não brigando. Que saudade deste tempo de mineiros tão ilustres, numa época atual de política tão sombria.

(Livro: O Segredo de Minas, Amílcar Vianna Martins Filho, editora Crisálida, 2009)

(3 de dezembro de 2017)

Não é todo dia que vemos um livro de poemas escritos na juventude e publicado nos anos 40 do século passado ter a oportunidade de uma reedição mais de 70 anos depois da primeira edição. Deve-se este feito à persistência e dedicação de nosso autor independente Washington Conceição, que foi resgatar um livro escrito pelo pai e condenado ao esquecimento, porque a primeira edição foi subsidiada pelo autor, de pequena tiragem, cujos exemplares originais praticamente se perderam no tempo.
O livro pode ser dividido em três partes. Poemas escritos nos anos 20 do século passado na cidade de Castro-PR, poemas escritos algum tempo depois em Santa Maria-RS, e poemas escritos bem mais tarde que constituem as últimas rimas do poeta.
Louvemos a iniciativa do Washington que nos permite, agora, tomar contato com os sonhos e a poesia de um jovem no início do século XX. Aquele que chegou a dizer  aos 21 anos de idade:
"E afago, apenas, nesta rota austera
A certeza do pouco que me espera
No consolo do muito que vivi."
Disponível para compra nos formatos eBook e impresso na Amazon.
(9 de novembro de 2017)

Será que alguém vai achar ruim se eu pedir emprestado o título de "City That Never Sleeps" para São Paulo? Esta cidade brasileira fantástica ganha agora um pequeno roteiro turístico aqui no nosso blog. Quem quiser poderá ler em nosso Vececom viagens. Aproveitem.

(31 de outubro de 2017, em homenagem  a Luiz Antônio Amando de Barros)


  Com todo respeito, é preciso resgatar o Rio de Janeiro de antigamente. Chega de notícia ruim. Hoje fui até a Rua Teixeira Mendes, no alto de Laranjeiras, um recanto bucólico, e fiquei pensando nisso. O livro de Jô Soares, publicado em 2011,  As Esganadas mostra muito deste Rio que amamosDescontraído, alegre, bonito.

  Um dos cenários do livro é o Beco dos Barbeiros, construído no século XVIII, junto com a Igreja do Carmo. Fica entre a Rua Primeiro de Março e a Rua do Carmo propriamente dita. Ganhou este nome porque era onde diversos barbeiros de rua ficavam à espera dos fregueses e exerciam seu ofício na época colonial. Já teve outros nomes, mas foi o Governador Carlos Lacerda que, finalmente em 1965, restaurou a antiga denominação. Hoje é mais conhecido como o endereço do restaurante Escondidinho.
  No livro de Jô lá ficava uma botica de um paraguaio que se dizia indiano e que vendia umas estranhas pílulas para emagrecer ou engordar, conforme o desejo da ilustre freguesia. E é de lá que surge, na penumbra, um dos personagens mais interessantes do livro, o português Esteves (sem metafísica) que teria sido amigo de Fernando Pessoa, para dar um fim à história.
  Uma vez fui a uma missa na Igreja do Carmo e ao chegar notei que a sola do meu sapato estava despregando. Passei a missa toda agoniado pensando onde vou encontrar um sapateiro aqui no centro da cidade para quebrar meu galho. Acertou. Foi lá mesmo no Beco dos Barbeiros que um sapateiro solícito, daqueles que sabem como meu amigo Sarmento o que é sovela, acabou com a minha angústia em dois tempos.
  O livro cita muitas outras relíquias desta nossa cidade, como o Teatro Municipal e a capela do Mosteiro de Nossa Senhora dos Anjos da Porciúncula, na Rua do Jequitibá (na Gávea), onde meus netos são batizados. Viva Rio!
(7 de outubro de 2017)

Nathaniel Hawthorne nasceu em Salem, Massachusetts,  lugar que ficou famoso na literatura e no cinema pela caça às bruxas em 1692. Dizem os pesquisadores que seu bisavô foi juiz de um processo de bruxaria naquela época e condenou uma mulher (evidentemente inocente). O marido desta lançou, então, uma maldição sobre a família Hawthorne. "Deus haveria de vingar o que os perseguidores de sua mulher haviam praticado." Parece que o peso desta tradição familiar motivou a história do livro. Segundo o próprio autor as famílias carregam os feitos e os malfeitos (para usar um termo corrente aqui no Brasil) de seus antepassados. Ele criou dois ramos familiares no romance: os Pyncheon e os Maule.

Certa época, quando passei uns dias em Lenox, Massachusetts, desfrutando dos cenários relaxantes das Montanhas Berkshire, fiquei sabendo que Hawthorne ali morou (the little red house) no meio do século XIX, já casado e com filhos, e foi exatamente lá onde escreveu The House of the Seven Gables, em poucos meses. O livro foi publicado, pela primeira vez, no início da primavera de 1851. Este livro foi também o primeiro clássico da literatura americana que li com grande dificuldade, ainda adolescente, no saudoso ICBEU da Praça Afonso Arinos, em Belo Horizonte. Trata-se de um perfeito exemplo da chamada literatura gótica, que fala de fantasmas, casarões sombrios, maldições, bruxas e feiticeiros.
(4 de agosto de 2017)

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