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Gallia est omnis divisa in partes tres, quarum unam incolunt Belgae, aliam Aquitani, tertiam qui ipsorum lingua Celtae, nostra Galli appellantur. Hi omnes lingua, institutis, legibus inter se differunt. Gallos ab Aquitanis Garumna flumen, a Belgis Matrona et Sequana dividit. Horum omnium fortissimi sunt Belgae, propterea quod a cultu atque humanitate provinciae longissime absunt, minimeque ad eos mercatores saepe commeant atque ea quae ad effeminandos animos pertinent important, proximique sunt Germanis, qui trans Rhenum incolunt, quibuscum continenter bellum gerunt. Qua de causa Helvetii quoque reliquos Gallos virtute praecedunt, quod fere cotidianis proeliis cum Germanis contendunt, cum aut suis finibus eos prohibent aut ipsi in eorum finibus bellum gerunt. Eorum una, pars, quam Gallos obtinere dictum est, initium capit a flumine Rhodano, continetur Garumna flumine, Oceano, finibus Belgarum, attingit etiam ab Sequanis et Helvetiis flumen Rhenum, vergit ad septentriones. Belgae ab extremis Galliae finibus oriuntur, pertinent ad inferiorem partem fluminis Rheni, spectant in septentrionem et orientem solem. Aquitania a Garumna flumine ad Pyrenaeos montes et eam partem Oceani quae est ad Hispaniam pertinent; spectat inter occasum solis et septentriones.

(Extraído do De Bello Gallico, Gaius Julius Caesar, 50 A.C.)
(14 de setembro de 2014)

Estamos comemorando cinquenta anos da primeira edição deste livro fantástico de Julio Cortázar, cujo título no Brasil é O Jogo da Amarelinha. Quem me lembrou disso foi meu amigo Paulo Roberto S. Nicolau, que andou comprando um exemplar para dar de presente a uma certa Gabriela. Logo depois que comecei a ler, entro para comprar um vinho e dou de cara com o chileno Rayuela. Coincidências não existem. O autor sugere que o leitor escolha uma entre várias formas de se ler o livro, todas elas igualmente válidas. O personagem principal, que segundo o próprio autor tem muito dele mesmo, recebeu o improvável nome, para um argentino, de Horácio Oliveira. O que nos faz pensar em algum brasileiro perdido em Paris nos anos 50. Aliás, o livro cita o Brasil, coisa que não me lembro de que Borges (a quem Cortázar é comparado) tenha feito alguma vez. Borges sempre manteve um solene desconhecimento da literatura brasileira, e mesmo de outros países da América do Sul, exceto o Uruguai. O livro não tem propriamente um roteiro. São os personagens, em suas ambiguidades, que dão o tom. Como Berthe Trépat, por exemplo. Tive dificuldade em identificar tantos nomes de escritores e artistas mencionados, dos quais nunca ouvi falar (pobre de mim).  São duas histórias paralelas. Uma em Paris e outra em Buenos Aires. Fala-nos de um círculo de amigos, quase todos em falta de dinheiro, e suas especulações metafísicas (Oliveira sempre fala dos rios metafísicos), filosóficas, psicanalíticas e artísticas. Durante a leitura, tive muita pena do pequeno Rocamadour, que já fora Carlos Francisco no Uruguai. Ele é filho da outra personagem principal, chamada Maga, que também já foi Lucía. Um clássico, não há a menor dúvida.
(Livro Rayuela, ou O Jogo da Amarelinha, ou O Jogo do Mundo, Julio Cortázar)
(9 de setembro de 2014)

"Como dizia o meu amigo Credídio Rosa, falecido no dia 6 de agosto, com aquele típico sotaque paulistano, vinho tem que ser bão. Eu acho que aprendi esta lição muito cedo, como se verá a seguir. Lá pelos anos cinquenta, em Minas, vinho era coisa para ocasiões muito especiais. Natal, batizados e aniversários dos donos da casa. Meu pai era filho de um português nascido às margens do Douro (possivelmente Cinfães), que aportou no Brasil aos dezesseis anos e acabou se radicando em Machado, Sul de Minas. Acho que ele deve ter transmitido alguma coisa da cultura vinícola ao filho, e este a nós.
Mas meu pai não ficou famoso na família propriamente pelo vinho que tomava só de vez em quando, mas porque se meteu a fabricar cerveja em casa. Sim senhor, mestre cervejeiro e professor. Cerveja artesanal como aquela feita pelos monges trapistas de Westvleteren na Bélgica, considerada uma das melhores do mundo. Eu não sei exatamente porque ou quem colocou esta ideia na cabeça dele, quando era tão mais fácil comprar a própria no Bar do Plínio. Ele reuniu apetrechos, levedos e fórmulas para a dita fabricação caseira, rolhas para arrolhar as garrafas, e arame para segurar o bicho. Já se vê que havia uma certa expectativa de grande fermentação. Talvez não apenas uma, mas duas ou três. Às vezes, quando penso nisso, cogito se ele não errou de página, como a (minha irmã) Verinha fez com um certo quibe, e andou lendo a receita seguinte que devia ser de como se fazer um bom espumante.
Elaborada a bebida, com grande ciência, e acompanhamento de toda a família, as garrafas eram cuidadosamente colocadas numa pequena adega que existia em minha casa, debaixo da escada para o segundo andar. Era o que bastava para que elas virassem rojões. Saía rolha, arame, garrafa, tudo pelos ares, como uma bomba. A vizinhança talvez pensasse que havia estourado mais uma revolução, daquelas em que o 12 RI ameaçava bombardear a cidade. Não, meu pai não era um anarquista, como o da Zelia Gattai. Era um intelectual, professor de línguas, que tinha apenas uma boa intenção de se tornar um mestre cervejeiro. O teto da copa lá de casa vivia manchado de jatos de cerveja.

Eu não entendia nada da Filosofia Primeira, que foi como Aristóteles a chamou, até me deparar com um blog muito estranho do meu colega Sadanovu Hayashi. Acho que continuo sem entender direito até agora. Mas os textos falavam de um tal de Seth, e para mim Seth era um deus do Antigo Egito, voltado para a violência e a desordem, mais do que para a filosofia. Fui pesquisar e descobri que havia um Seth Material que descreve as atividades mediúnicas de uma certa Jane Roberts, escritora e poetisa que morava numa pequena cidade do estado de Nova Iorque lá pelos anos 60. Seth se apresentou como uma personalidade não corpórea, de uma outra realidade, e passou depois de algum tempo a ditar vários livros. Esta foi uma experiência que durou cerca de vinte anos, com o testemunho de muitas pessoas presentes em várias ocasiões na pequena casa de Elmira, NY. E dizem que foi da divulgação destes livros que nasceu o movimento New Age nos Estados Unidos. Para mim, tudo muito estranho. Resolvi, então, voltar aos clássicos e ler um pouco de Aristóteles, Platão, São Tomás de Aquino, Descartes. Em particular dediquei-me a tentar entender os escritos de Aristóteles reunidos em Metafísica, obra publicada depois de sua morte. De difícil leitura para um neófito, mas surpreendente. Primeiro, porque fica muito difícil para quem vive no século XXI entender o poder de abstração e de formular hipóteses de um filósofo grego que viveu no ano 350 A.C. A não ser que o que diz Seth seja verdade. Não há exatamente presente, passado e futuro. Encontrei muitas afirmações semelhantes entre os dois, se me permitem a ousadia. Quando falam da alma, da mente e da morte. Da lógica e da existência de um Deus único, que está em toda parte. Aristóteles dedicou-se a pensar sobre a razão última do universo, em que nós seríamos apenas uma mínima parte transitória. Seth nos disse que viemos aqui para aprender. Quantas vezes for necessário. Não para expiar alguma falta, não para cumprir um desígnio de sofrimento (neste vale de lágrimas), mas para estarmos no controle de nossa realidade. Nós moldamos a nossa vida com a força do nosso pensamento. Devemos tentar olhar para dentro de nós mesmos, e nos conhecermos melhor. Quais são as nossas crenças mais profundas. O Oráculo de Delfos já dizia "conhece-te a ti mesmo e conhecerás os deuses e o universo". Desconfio que Aristóteles falou mais ou menos a mesma coisa. Ou será que não entendi nada mesmo?
(22 de agosto de 2014)

Já aviso logo que esta é uma postagem triste. Quarta-feira, dia 6 de agosto de 2014, em São Paulo, deixou-nos Credídio Rosa, grande amigo e incentivador deste blog. Engenheiro formado pelo ITA, apaixonado por vinhos, criador dos grupos de degustação Cluvinho e Credvinho (São Paulo) e participante ativo do grupo Navegantes Etílicos (Rio de Janeiro), foi também personagem involuntário de dois livros publicados com a chancela Vececom: Armazém Colombo e Sabará 18. No primeiro aparece um termo que ele popularizou entre os amigos - vinho bão. Sentiremos saudades de nossas longas conversas à mesa do café ou em um quiosque qualquer da praia do Leblon.

A cidade de Tarrytown, no estado de Nova Iorque e às margens do Rio Hudson, oferece muitas atrações, ela que é uma das mais antigas cidades americanas. Foi lá que as tropas de George Washington ficaram acantonadas, na Guerra da Independência Americana. Em certa época meu prazer era andar por suas ruas quase vazias à hora do almoço, e minha parada obrigatória era uma pequena livraria que existia na North Broadway, onde eu garimpava livros de autores independentes (já naquela época) e pequenas editoras. Os livros quase sempre falavam das coisas e tradições do vale do Rio Hudson. Foi lá que encontrei, pela primeira vez, livros e mais livros sobre Washington Irving e a sua lenda de Sleepy Hollow (aqui traduzida como a Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça), escrita em 1820. Nesta lenda, muitas cenas se passam em torno da Old Dutch Church, uma relíquia construída em 1685 pelos colonizadores holandeses, os mesmos que se estabeleceram na ilha de Manhattan (e fundaram a Nova Amsterdã), e talvez dentro do mesmo projeto da Companhia Holandesa das Indias Ocidentais que os trouxe a Pernambuco, no Brasil.
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