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Há exatamente cem anos o mundo deparou-se com um conflito em larga escala, como nunca fora visto antes. Foi o início da Primeira Guerra Mundial, que duraria de 1914 a 1918 e custaria mais de nove milhões de vidas de combatentes. Lendo o excelente livro de Robert Massie, eu que não sou historiador nem nada, ouso dizer que tudo de se deveu, infelizmente, a uma disputa familiar, como tantas outras a que assistimos hoje em dia. Sei que vão me perguntar pelo assassinato do arquiduque em Sarajevo, o que oficialmente teria desencadeado tudo, mas este foi apenas o pretexto, segundo entendo. Se não fosse aquilo, seria qualquer outra coisa. Acontece que o Kaiser Guilherme II, neto mais velho da rainha Vitória da Inglaterra, nasceu com o braço esquerdo defeituoso, ligeiramente mais curto, o que lhe dava um enorme complexo. Ele vivia em constante emulação com os tios e primos ingleses, e queria mostrar-lhes que a Alemanha poderia ser uma potência militar e naval equivalente ou superior a eles. O Kaiser iniciou, então, uma corrida armamentista e a construção de uma força naval poderosa. Assim, por trás de tudo sempre esteve esta disputa entre o sobrinho e tio, este o rei Eduardo VII, sucessor da rainha Vitória, que havia falecido em 1901. Também é interessante notar que o rei da Inglaterra era filho do príncipe Alberto de Saxe-Coburgo Gotha, de uma família da nobreza germânica (assim como os descendentes de D. Maria II, de Portugal). Portanto, tudo família mesmo. O título do livro faz referência a uma nova classe de "encouraçados", um tipo de navio de guerra com tecnologia desenvolvida no início do século XX e que teve participação decisiva na disputa pelo domínio dos mares na Primeira Grande Guerra.
E agora uma curiosidade. A Marinha do Brasil foi a primeira marinha do mundo, depois da Royal Navy, a contratar a construção de um navio da classe Dreadnought, o encouraçado Minas Gerais (em 1906).
(Livro Dreadnought, Robert K. Massie, Ballantine Books New York, 1991)
(27 de julho de 2014)

Compre o romance Sabará 18, de Carlos Gentil Vieira, na versão eBook (disponível em vários formatos), por apenas US$0.99 no site da Smashwords. Promoção válida por uma semana para os frequentadores deste blog, a partir de hoje até 1 de agosto de 2014. De sexta a sexta. Deu a louca no editor.

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Resumo do livro
"A chegada de uma francesa petulante e o desaparecimento de uma imagem de São José de Botas ameaçam a paz da Vila Real de Nossa Senhora da Conceição do Sabará, na segunda metade do século XVIII. Como se não bastasse, ocorre o assassinato de um clérigo dentro da própria Igreja Matriz. Quem sai em campo para resolver estes e outros mistérios é dona Amélia, matrona especializada em quitandas e quitutes, moradora do arraial de Tapanhoacanga, com o fervoroso auxílio de suas companheiras de novena. O livro nos transporta ao passado da Minas setecentista, com senhores, sinhás, escravos, e principalmente escravas, como uma certa Minga, que dá o que falar.
A partir do desaparecimento do São José de Botas, ficamos também sabendo da existência insuspeitável de uma esnoga secreta no Sabará, convivendo com as irmandades da Vila Real."

(25 de julho de 2014)

Ontem passei a pé pela esquina de Oscar Freire com Consolação, e me lembrei - com nostalgia - do Supremo, que sempre achei, se me permitem, o mais carioca dos bares de São Paulo. Faz dez anos que o bar fechou, com direito a festa e cantoria. Uma vez levei um morador do Leblon para tomar qualquer coisa e ele me disse que ia fazer um teste. Pediu caipirinha de lima-da-pérsia, e foi atendido com um "é para já". Outra vez levei uma moradora de Brasília para tomar uma cerveja na calçada, em pleno sábado e na maior tranquilidade, e ela não acreditou que isto pudesse acontecer em Sampa. Mas o que mais me atraiu ali era o clube do uísque, onde o freguês tinha a garrafa com seu nome na prateleira. Sempre achei o máximo. Dizem que foi o pioneiro nisto e em outras coisas. Havia também o Supremo Musical, num espaço apertadinho, onde Maria Rita foi ouvida muitas vezes, sem ninguém saber que era a filha de Elis Regina. Era um lugar para papos intermináveis, aquela leitura do último romance, e lá fui eu até a Melo Alves pensando que falta alguma coisa na Oscar Freire, tomada por grifes e lojas chiques. É a famosa passagem do tempo. Mas é chato.
(23 de julho de 2014)

A Editora Vega, de Belo Horizonte, promete-nos uma reedição deste livro, ainda em comemoração aos cem anos de nascimento do autor, que ocorreu em 2013. Enquanto isso, leio esta edição antiga. A família Mata Machado fazia parte da minha ampla vizinhança, com a casa de seu Aires ali na esquina da avenida Afonso Pena com rua Piauí. Comecei minhas leituras com Aires da Mata Machado Filho, este extraordinário e surpreendente filólogo e folclorista. "Moro em Belo Horizonte, mas vivo em Diamantina". Agora, um pouco tardiamente reconheço, tenho o prazer de ler outro expoente desta família privilegiada. Edgar de Godoi da Mata-Machado, jornalista, editorialista, político, pensador católico, antigo professor da Faculdade de Direito da UFMG, deputado e senador da República. E, pela primeira vez, leio reflexões sobre os acontecimentos do ano em que nasci, em plena Segunda Guerra Mundial, escritas no calor do dia seguinte por um intelectual de profunda formação humanista, discípulo de Maritain, Bernanos e Alceu Amoroso Lima. Edgar de Godoi foi o primeiro secretário de cultura de Minas Gerais, e um seguidor de Milton Campos. O autor publicou grande parte desta coletânea de artigos no jornal mineiro O Diário, que em certa época pensei fazer parte da nossa família, tamanha a intimidade que tínhamos com o jornal onde meu irmão foi também jornalista. Nestes tempos de tanta desilusão com a classe política, faz bem verificar que já tivemos pessoas íntegras e sérias atuando no sentido de nos legar um Brasil melhor do que receberam. Editora Vega, não tarde mais esta reedição. Este livro merece ter outros leitores na atualidade.
(Memorial de Idéias Políticas, Edgar de Godoi da Mata-Machado, Editora Vega)
16 de julho de 2014

Uma vez sugeri à Camila, então procurando uma nova morada em Lisboa, que escolhesse alguma coisa na Rua das Janelas Verdes. Pode existir algo mais poético do que morar numa rua destas? Só comparável à pequena Rua Corcovado, aqui no bairro do Jardim Botânico, onde morou Marília, e em cuja esquina com Lopes Quintas nasceu Vinicius de Moraes.

"Sur le penchant de quelque agréable colline bien ombragée, j'aurais une petite maison rustique, une maison blanche avec des contrevents verts." (Jean-Jacques Rousseau)

Na Rua das Janelas Verdes fica o Museu Nacional da Arte Antiga, em palacete que pertenceu aos Távoras, aquela mesma família defenestrada pelo Marquês de Pombal depois da tentativa de assassinato do rei D. José I (quando voltava incógnito de um encontro amoroso justamente com uma Távora). Este belo edifício do século XVIII foi então levado a leilão e arrematado por ninguém mais nem menos do que o irmão do próprio Marquês de Pombal, que por sua vez acabou herdando a propriedade depois da morte daquele. O tempora o mores, já dizia Cícero.

Agora, uma curiosidade que nos liga a este palacete. O lendário Irmão Lourenço, a quem se deve a devoção a Nossa Senhora Mãe dos Homens no Caraça, em Minas Gerais, seria - segundo a versão mais aceita atualmente - membro da família Távora que conseguiu escapar do braço forte do Marquês de Pombal, e que acabou refugiado no Arraial do Tejuco (a atual Diamantina), de onde partiu para fundar um Santuário e uma Irmandade no Caraça, precursores do famoso Colégio, onde tantos mineiros lustres estudaram. O infortúnio dos Távoras é citado no livro Sabará 18, em nossa Livraria Virtual.

Na Rua das Janelas Verdes fica também um casarão, hoje transformado em hotel, que segundo dizem inspirou Eça de Queiroz para a criação do Ramalhete, onde moravam os Maias, bem próximo ao Museu, e descrito em detalhes ao início do romance. Quem for visitar Lisboa, não deixe de conhecer.

Recomendo a leitura: Balada do Mar Salgado - Roteiro da Lisboa Queirosiana
(17 de junho de 2014)

Artigo publicado hoje no New York Times Sunday Review, autoria de William Logan, faz uma indagação perturbadora, sobretudo para quem gosta de ler poesia. Quem precisa dela, nestes tempos em que vivemos, marcados pelo efêmero e pela futilidade? A poesia mexe com a emoção, com a ternura, com o amor. Mas a novela televisiva, o romance, a música, as redes sociais também mexem. Apenas, talvez, de uma forma mais frenética. Lembro-me daquela história contada por Fernando Sabino de que sabendo estar Vinicius de Moraes em Lisboa para uma temporada musical, pegou o telefone e tentou falar com ele. Barrado por uma assessora, disse-lhe tratar-se de Almada Negreiros, o conhecido artista, escritor e poeta português. Vinícius prontamente atendeu com um "Olá, Almada". E Fernando Sabino, no melhor português lusitano, passou-lhe uma espinafração dizendo que ele estava denegrindo a poesia dele fazendo música popular. E partiu para encontrá-lo no bar do hotel. Vinicius não deve ter entendido absolutamente nada naquele instante. Mas é um bom exemplo. Vinicius de Moraes é o poeta da minha preferência. Ele próprio, em dado momento de sua vida, deixou de lado a sua poesia primorosa e foi viver um grande amor, de palco em palco, cantando músicas lindas em parceria com outros grandes compositores. Quem precisa de poesia, caro leitor deste blog, certamente hoje mais preocupado com os jogos da Copa no Brasil? Permita-me transcrever, então, os primeiros versos do Soneto de Fidelidade, de Vinicius, retirado de um velho alfarrábio que tenho aqui na estante, e que me acompanha há uns cinquenta anos.

De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.


(Vinicius de Moraes, "Antologia Poética", Editora do Autor, Rio de Janeiro, 1960)
15 de junho de 2014

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