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Há cinquenta anos morria o grande herói da Segunda Guerra Mundial, Winston Churchill. Dizem os biógrafos que a força que o impulsionava na política era o fantasma do pai, Randolph, que morreu aos 46 anos depois de uma frustrada atuação no parlamento e no governo, apesar de ser uma grande promessa e ter um inegável talento. Winston morreu aos 90 anos. Foi o baluarte que sustentou a Inglaterra nos piores anos da guerra contra os nazistas. Foi jornalista, escritor, orador, pintor, militar, Primeiro Lorde do Almirantado, Primeiro Ministro, político até a raiz dos cabelos. Sempre com o seu inseparável charuto cubano, marca registrada. Dono de uma verve, de uma fina ironia e de um humor incomparáveis. Cito, pelo menos, duas passagens que me chamaram a atenção neste livro aí ao lado, escrito após o término da guerra e de sua derrota política. Uma, no primeiro ataque a Londres, quando todos corriam aos abrigos, ele e a mulher foram para o terraço de sua casa para melhor observarem os bombardeios. Outra, em sua primeira viagem secreta a Moscou, quando Stalin quis derrubá-lo com intermináveis brindes de vodka e não conseguiu. Winston era mais resistente a bebidas alcoólicas do que ele. Por uma destas coincidências que só meu amigo Sarmento poderá explicar, morreu no mesmo dia e mês de seu pai, em um 24 de janeiro, exatamente 70 anos depois. Quanta falta faz um Churchill na atualidade.
(Winston Churchill - Memórias da Segunda Guerra Mundial - versão compacta)
(25 de janeiro de 2015)

O Encouraçado Aquidabã, orgulho da Marinha Imperial, foi lançado ao mar em 1885. Teve como comandantes nomes históricos como Custódio de Melo, Júlio de Noronha e Alexandrino de Alencar. Participou decisivamente da primeira e da segunda Revolta da Armada, quando deu um tiro de advertência que infelizmente atingiu a torre da Igreja de Nossa Senhora da Lapa dos Mercadores, na Rua do Ouvidor. Lá está na sacristia o projétil até hoje.
O Aquidabã explodiu misteriosamente, quando estava fundeado na Baía de Jacuacanga, perto de Angra dos Reis, no dia 22 de janeiro de 1906. Foi ao fundo com mais de 200 tripulantes, entre marinheiros, oficiais e o comandante, e três almirantes que haviam acabado de embarcar naquele dia. Entre os mortos estava o Guarda-Marinha Mário de Noronha, filho do Ministro Almirante Júlio de Noronha, que a tudo assistiu a bordo do "Barroso", também fundeado próximo ao Aquidabã.
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Quando meu irmão decidiu largar a placidez da Barra da Tijuca, a proximidade do mar tão importante para a alma mineira, e foi de mala e cuia para Lagoa Santa, Minas Gerais, cheguei a pensar que ele enlouquecera. Mas não, é que ele ficou sabendo, tenho certeza agora, da prodigiosa lagoa, também chamada de Lagoa Grande, que já no século XVIII era conhecida por suas propriedades curativas. Este relato em livro de 1749, do cirurgião português João Cardoso de Miranda, dá conta desta descuberta. O título todo é Prodigiosa Lagoa descuberta nas Congonhas das Minas do Sabará, que tem curado a varias pessoas dos achaques, que nesta relação se expõem. Livro raríssimo. Existem hoje apenas três exemplares no mundo. Um deles está guardado na USP em São Paulo, outro em Portugal e o terceiro na Alemanha.
Já naquela época os mais carentes de recursos (escravos e forros), sem condições de serem atendidos por médicos, boticários e curandeiros, se utilizavam das águas da Lagoa, que depois virou Santa, para amenizar dores e feridas no corpo. Mas não só. Homens livres também procuravam banhar-se na Lagoa para curar diversas enfermidades, sobretudo doenças da pele. Parece que existem, ou existiam, alguns componentes nas águas da lagoa capazes de curar efetivamente. Isto me lembra um pouco os banhos no Palace Hotel e nas Thermas Antônio Carlos, em Poços de Caldas. O próprio autor deste relato, cirurgião formado pelo Hospital do Porto e com andanças por hospitais da França, teve um problema em um dos olhos curado pelas águas milagrosas. Ele chegou a relacionar no texto 107 curas comprovadas por ele, para dar maior autenticidade à descoberta.
Portanto, as terras da Comarca do Sabará, no século XVIII, além do ouro também possuíam seus lugares santos. Não é por acaso que hoje temos na cidade de Lagoa Santa uma bela igreja dedicada a Nossa Senhora da Saúde. Século mais tarde o Dr. Peter Lund, um dinamarquês, dedicou-se a pesquisar sinais de culturas ancestrais na região da Lagoa Santa. Desconfio que meu irmão tinha razão.
(12 de janeiro de 2014)

Este livro foi escrito há quarenta anos. De lá para cá gerente virou gestor, surgiu a tal de governança corporativa, mas a prática de gestão continua fundamentalmente a mesma. Os desafios da administração no Brasil e no mundo tornaram-se apenas mais agudos, o uso de tecnologia nas últimas décadas foi avassalador como já previam os autores, a globalização foi implacável com a ineficiência e alguns temas como ética empresarial e gestão da coisa pública por exemplo, tocados de leve no texto, viraram manchete das páginas e programas policiais em 2014. O livro tinha uma proposta instigante para a época em que foi publicado - a de que seria possível praticar um estilo brasileiro de administrar, que incorporasse algumas características nossas que diferem daquelas de outros povos e que representassem uma vantagem competitiva. Sem nenhuma pretensão a Peter Drucker e outros clássicos do pensamento administrativo dos Estados Unidos e da Europa, os autores (pessoas comuns como se intitularam) ousaram propor que os gestores brasileiros fossem se inspirar nos apresentadores de programas de auditório como o saudoso Chacrinha, nas escolas de samba e nas milhares de pequenas empresas existentes no Brasil. O gestor seria um verdadeiro maestro de equipes de alto desempenho. Com as características bem brasileiras da improvisação e do bom humor. Nós já fomos capazes de realizar obras monumentais, com o talento brasileiro que parece agora desprezado e voltado apenas para o enriquecimento rápido. Tivemos ou ainda temos uma Companhia Paulista de Estradas de Ferro, uma Embraer, Itaipu, um sistema bancário altamente desenvolvido, uma indústria calçadista que conquistou o mundo, uma indústria têxtil competitiva, uma agroindústria fantástica, a maior empresa de petróleo da América Latina. Será que o sonho de quarenta anos atrás era pura ilusão?
Este livro, escrito por Carlos Vieira e Álvaro Esteves em 1984, com capa e ilustrações do cardiologista Dr. Carlos Guimarães Machado (atual ilustrador oficial do Atlas of Human Anatomy), recebeu o Prêmio Brahma de Administração daquele ano e ainda pode ser encontrado em alguns sebos brasileiros. Merece ser revisitado em tempos tão sombrios.
(2 de janeiro de 2015)

Sou de um tempo muito antigo, quando a Sorveteria São Domingos, Avenida Getúlio Vargas com Rua Santa Rita Durão em Belo Horizonte, ainda tinha um seu Domingos jovem, sentado no caixa. Eu fui aluno do Grupo Escolar Barão do Rio Branco, depois de ter passado pelo Bueno Brandão. Belo Horizonte era uma cidade pacata, as pessoas eram todas conhecidas, todo mundo morava em casas. Aquele estilo de casas do início do século vinte, com varandas laterais. Como aquela remanescente ali perto, hoje transformada no restaurante Maria das Tranças. A gente saia em bandos depois das aulas, e sempre dávamos uma passada pela sorveteria. A pergunta invariavelmente era a mesma : "Seu Domingos, tem sorvete de quê?". E ele começava uma lista enorme assim "tem sorvete de taioba, disso e daquilo". A gente ria. Que coisa mais maluca fazer sorvete de taioba. O velho Domingos não se cansava desta brincadeira. A sorveteria está ali, segundo me dizem, desde 1938. Na mesma casa, na mesma esquina. Começou quando a avenida ainda se chamava Paraúna, vejam só. Era um ponto obrigatório nas tardes de domingo, na minha juventude. Ali nós iamos, sem nenhuma pressa, com nossas namoradas e mesmo sem elas. Longas filas para fazer a mesma pergunta de criança. Foi nesta mesmíssima Rua Santa Rita Durão, um pouco lá para cima, entre Contorno e Maranhão, que ficava a casa onde nasci. Podem acreditar. A gente nascia em casa. Nada de perinatais, como vai fazer o Joaquim daqui alguns dias. Mais histórias daquele tempo podem ser lidas no livro Armazém Colombo, aqui em nossa Livraria.
(6 de dezembro de 2014, em homenagem à Dona Mariana, que me deu a vida)
Image courtesy of Salvatore Vuono at FreeDigitalPhotos.net

Tudo começou há poucos anos quando um jovem de apenas seis anos de idade, ao sentar-se à mesa de almoço comigo, assim do nada, olhou para mim e perguntou: "Você acredita em Deus?". Eu, mais que surpreso, apanhado totalmente desprevenido, sem ter tido oportunidade de ensaiar uma resposta, respondi timidamente que sim. Em seguida perguntou-me: "E tem fé?". Outro sim, quase inaudível. Ainda bem que ele parou por aí, porque se ele fizesse uma terceira pergunta neste mesmo nível, eu acho que pularia pela janela.
Ora, colocado por uma criança face a perguntas tão transcendentais, iniciei uma reflexão sobre minhas abaladas convicções religiosas. Daí parti para várias leituras, algumas novas e outras muito antigas. Fui em busca daquilo que todos no fundo desejam saber. Qual é a verdade? Li Elaine Pagels, Karen Armstrong, Flavius Josephus, evangelhos apócrifos, o excelente livro de Raymond Brown sobre o Evangelho de João, livros sobre Maria Madalena, Seth Speaks, Cátarose outros.
Mais recentemente fui apresentado ao "O Livro de Urântia", trazido a público pela primeira vez em 1955. Na sua versão impressa ele tem mais de 2.000 páginas. Não é leitura para fim de semana. É leitura para vários anos, se me permitem. Este livro é uma coleção impressionante de documentos, supostamente escritos por seres celestiais, e transmitidos através de uma pessoa cujo anonimato foi preservado, em estado de sono. Há muitos anos especula-se sobre se este livro é autêntico ou se é uma farsa. A maioria dos leitores, pelo que tenho lido, acha que ele é verdadeiro, apesar de controvertido. Ele nos conta sobre os universos a que pertencemos, sobre a natureza de Deus, sobre a vida de Jesus, sobre a evolução dos homens em Urântia, nome atribuído ao nosso planeta. Não é uma proposta de algum novo culto, não teve objetivo comercial, não é New Age, e é muitas outras coisas. Dizem que só se pode realmente opinar se o lermos em sua totalidade. É o que pretendo fazer, com afinco. Se vou conseguir ou se vou ter tempo, não sei.
Aí talvez eu tenha respostas consistentes para dar ao meu surpreendente e tão jovem interlocutor.
(3 de novembro de 2014)

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