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Este livro é um depoimento impressionante de uma brasileira em busca da verdade. Será que ainda podemos dizer assim, entre tantas mentiras divulgadas diariamente nas redes sociais? Ela conta como foi que ouviu falar, pela primeira vez, do Swami Sathya Sai Baba, falecido em 2011 e que estaria completando, exatamente hoje, 90 anos. O livro é uma homenagem a esta data.
A autora independente Maria de Fátima Teles descreve a experiência fascinante que teve ao viver por algum tempo no ashram de Puttaparthi, na Índia, e dirigir-se diretamente a Sai Baba.
Dizem que Sri Sathya Sai Baba tem algo como 6 milhões de seguidores, chamados de devotos, espalhados por todos os continentes. Não é pouca coisa, convenhamos. Ele se apresentou como a reencarnação de um outro Sai Baba aos 14 anos de idade.
Há uma profecia na Índia que diz que três reencarnações aconteceriam em três aldeias próximas de Bangalore. Agora, espera-se a chegada do terceiro personagem vivo.
Livro de estreia da escritora Maria de Fátima Teles, a quem desejamos todo o sucesso possível, neste dia do lançamento oficial de seu livro.
Encontrado nas versões impressa ou eBook na Amazon,  Smashwords e Livraria Cultura, entre outras livrarias virtuais.
(23 de novembro de 2016)

O romance Painel Sombrio, do autor independente Osmar Bastos Conceição (já falecido) foi escrito há quase meio século. Denso, com forte caracterização dos personagens. Retrata uma São Paulo dos anos 40, provinciana, em processo de intensa urbanização. Eu me identifiquei logo com um dos personagens centrais, Leandro Gama. Escritor, mineiro, morador do Rio e trabalhador na capital paulistana. Grande parte do enredo se passa em uma mansão da Rua Chile, no Jardim América. A casa da família Antunes. O Jardim América foi a primeira experiência urbanística no Brasil de uma cidade-jardim. Projetada por arquitetos ingleses, contratados pela Companhia City. Moradias com terrenos amplos, ruas não retilíneas, cercadas de muita área verde, com um rígido código de obras, que parece querem agora modificar contra o clamor dos moradores, taxados de elitistas. Bairro onde ficam os clubes Paulistano e Harmonia de Tênis. E ainda a imponente Igreja de Nossa Senhora do Brasil.

O tema central do livro, sem dúvida, gira em torno dos arrivistas que queriam fazer parte de uma alta burguesia emergente em São Paulo. A família Antunes vem do interior e, não se sabe como, passa a morar em uma mansão. Os filhos são perdulários, fúteis, vivendo às custas do pai. Este, depois ficamos sabendo, deve o uso da mansão a um grande amigo da família, dono de uma rede de prostíbulos, que faz de tudo para conquistar a filha Maria Alice. Esta, por sua vez, se apaixona pelo escritor. As empregadas, ficamos também sabendo, moravam no bairro do (Itaim) Bibi, ora vejam. Naquela época o bairro que deve seu nome ao apelido de Leopoldo Couto de Magalhães, onde estudaram minhas filhas e onde hoje mora o jovem Heitor, era composto de casas populares. Como bem lembrou Jaime Lerner em recente entrevista a Roberto D'Ávila, a solução para a mobilidade urbana é morar perto do trabalho.

D. Vicentina, a mãe, tem como principal atividade o jogo de cartas todas as tardes, às vezes varando a madrugada, em casa das amigas. Todo mundo muito preocupado com a reputação. A morte do patriarca, uma figura querida de outros arrivistas (como os Benevolenti), desencadeia uma série de eventos que leva à desagregação da família, dispensa das empregadas, e mudança para um bairro de classe média baixa. E ao final o autor reserva novas surpresas. Gostei do livro, que li de enfiada.
(29 de outubro de 2016)

Confesso, com algum constrangimento, que li este livro na sua primeira edição (passou da vigésima). Sinal de que já estou há um bom tempo nesta estrada. O livro andou comemorando 60 anos este ano. Levei um susto, porque eu era apenas um menino quando o li, e parece que foi outro dia. O autor Mário Palmério, cujo centenário de nascimento foi comemorado em março de 2016, enviou um exemplar de presente para meu irmão mais velho, e eu rapidamente tratei de devorar o livro antes de todo mundo. Nunca me esqueci do personagem Xixi Piriá.

Mário Palmério, que nasceu em Monte Carmelo e morreu em Uberaba, no Triângulo Mineiro, me parece ter sido uma pessoa extraordinária. Como escritor, de apenas dois livros publicados, foi sucesso absoluto já na estréia. Entrou para a Academia Brasileira de Letras exatamente para ocupar a cadeira de Guimarães Rosa, outro mineiro regionalista. Mas o que me chama mais atenção em sua trajetória de vida foi a criação de escolas. Em Uberaba lá está a universidade que deve a ele o seu início, além de hospital e colégios. Foi nosso embaixador junto ao Paraguai, no governo João Goulart. Foi deputado federal por três legislaturas. E, curiosamente, morou vários anos em um barco na Amazônia. Uma vida muito diferente das pessoas comuns.
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Li uma notícia apavorante. Em Huntington, cidade da West Virginia, Estados Unidos, bebês estão nascendo viciados em drogas. Fruto do uso desenfreado feito pelas mães durante o período de gestação. Aliás, este estado americano é o campeão nacional das mortes por overdose. Pensei que nem chegamos ao ano 600 Depois de Ford, e estamos cada vez mais longe da utopia do Admirável Mundo Novo.

Este livro, do inglês Aldous Huxley, foi publicado pela primeira vez no Brasil há 75 anos. É daqueles livros que todo mundo cita e poucos leram. Foi escrito ao início da década de 30 e representa uma profunda reflexão sobre as sociedades do futuro. Por influência do sistema de produção industrial iniciado por Henry Ford, e imortalizado no modelo T, a sociedade do futuro seria toda regulada e previsível, baseada em castas, e seus membros nasceriam não de mães e pais, mas de incubadoras. E a felicidade seria a regra geral, porque todos tomariam doses diárias de soma, uma espécie de pílula de encantamento. As castas seriam produzidas segundo formatos apropriados para as funções que elas desempenhariam na sociedade. Por exemplo, aqueles destinados a serem trabalhadores nas fábricas seriam condicionados já nos berçários a sentirem horror de flores e do campo, e portanto seriam felizes desempenhando o seu papel. Sindicatos, contribuições sindicais compulsórias, nem pensar. Pelo menos isso. O sexo seria livre, mas não para reprodução. E então aparece um personagem chamado de Selvagem, nascido por acaso numa reserva indígena primitiva no Novo México, Estados Unidos, de pais oriundos do mundo exterior. E ele decide ir para Londres e interagir com as pessoas daquele mundo tão estranho. No final há o choque previsível de civilizações, e ele acaba se refugiando em local isolado, onde tem tempo para pensar e observar a natureza. Mais ou menos isso.

Aldous Husley disse mais tarde que se fosse reescrever a história teria criado uma terceira alternativa para o Selvagem, além da vida utópica e a primitiva. Este e outros da sociedade utópica que o desejassem poderiam viver numa espécie de reserva onde a tecnologia estaria a serviço do homem e não este escravizado por aquela. Ele chamaria esta alternativa de sanidade possível. Uma tremenda reflexão para os dias de hoje, onde pokemons passam o tempo todo nos atropelando pelas ruas.
(18 de setembro de 2016)

Ninguém, absolutamente ninguém, poderá dizer jamais que foi à cidade do Porto se não passou, entrou e apreciou o Majestic Café, na rua de Santa Catarina. Contam que uma vez perguntaram, em plena Confeitaria Colombo na rua Gonçalves Dias (Rio de Janeiro), a Juscelino Kubitschek o que mais havia gostado em uma visita recente a Portugal, e ele ele respondeu: "o Majestic... afinal também sou filho de Deus."
Fundado da década de 20 do século passado, o café inicialmente recebeu o nome de Elite, como aquele que existiu na rua da Bahia, em Belo Horizonte. No ano seguinte mudaram para Majestic, mais ao estilo francês. A minha admiração pelo Majestic vem de longa data. Uma vez amiga minha, retornando de viagem a Portugal, fez questão de me trazer saquinhos de açúcar do Majestic, para provar que lá estivera, como eu havia lhe recomendado. Estão aqui até hoje, intocáveis.
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