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Os autores dizem que não gostam de ler seus próprios livros. Eu entendo perfeitamente. Depois de algum tempo sem voltar ao livro "Maria Pia et cetera", peguei por acaso um exemplar na estante e comecei a reler. Claro, faria muitas modificações. Mas notei algumas coisas interessantes, como se não tivesse nada a ver com aquilo. O livro fala, principalmente, das mulheres. A começar pelo título, inspirado por Corina. Diz a chamada da contracapa:

"Maria Pia era menina-moça na Vila Real de Nossa Senhora da Conceição do Sabará, em pleno século XVIII. Alice andava pelo País das Maravilhas. Anna saltitava pelo bairro do Rio Comprido, no Rio de Janeiro, para desespero de Hans. Maria da Glória foi rainha aos sete anos de idade. Camila pensou em morar em Lisboa na Rua das Janelas Verdes. Isolda chorava por Tristão. Amalita era amada por Guignard e parece que nunca soube disso. Catarina dizia, e ninguém acreditava, que ela tinha caído no valão de Bonsucesso."

E quais histórias me agradaram mais (são 47 ao todo)? Acho que me emociono ainda hoje com o "O menino que gostava de cavalos" e com "Zócalo". É preciso dizer que, com relação a esta última, presenciei, de passagem e há muitos anos, uma manifestação com nádegas de fora em pleno Paseo de la Reforma, na Cidade do México. É onde a ficção encontra-se com a realidade.

Este livro participa da promoção da Smashwords durante todo o mês de julho de 2018, na versão eBook. Download gratuito. Aproveite.

(16 de julho de 2018)


Durante todo o mês de julho a Smashwords estará promovendo uma grande feira de livros (eBooks) com descontos. 
Nós estaremos participando desta feira com alguns de nossos livros ofertados gratuitamente. Isso mesmo que você acabou de ler. Os livros da foto aí ao lado ou acima poderão ser baixados a custo zero, no formato mais conveniente ao seu eReader (inclusive no seu smartphone, já pensou em ler um livro no celular?).

Mas atenção. Esta oferta vai de 1 de julho a 31 de julho de 2018, e apenas no site da Smashwords (clicando você será dirigido aos nossos livros em oferta no mês de julho, escolha um ou todos para download e, como dizem os americanos, enjoy!)

Você pode também procurar estes livros em oferta aqui na nossa Livraria Virtual e clicar no link para Smashwords (versão eBook). Será dirigido ou dirigida para a página de download.


Se o leitor nunca se cadastrou na Smashwords, primeiro será preciso se cadastrar (email, senha, país, concordar com termos e condições). Em seguida o site envia um email de confirmação (verifique se não foi parar na pasta de spam). Uma vez confirmada a sua inscrição, prossiga no download do livro desejado escolhendo um entre vários formatos (se for para ser lido em Kindle, Lev ou Kobo, por exemplo). No próprio smartphone pode ser lido na opção "online" ou "pdf", por exemplo.
Para ler em dispositivo Apple (iPhone ou iPad) sugiro instalar antes o app iBooks (da app store).


Penso que eu nunca havia lido este livro. Assisti ao filme há muitos anos, mas o livro acho que nunca cheguei a ler. Fazendo uma arrumação aqui em casa, de repente ele me apareceu entre outros e fui tomado pela curiosidade. De início fiquei chocado. Pareceu-me um verdadeiro manual do pedófilo, escrito há mais de 60 anos (a primeira edição é de 1955). Depois fui constatando a grande engenhosidade descritiva de Nabokov, e admirei a sua coragem por escrever uma obra destinada a ser sobretudo polêmica ao longo de décadas. Mas, primeiro, queria dizer que o livro é muito bem escrito. Qualquer um pode perceber. Depois, me espanta como um estrangeiro nascido de família abastada em São Petersburgo foi capaz de captar tão bem o espírito da classe média americana. Achei notável o diálogo de Humbert, melhor dizendo a reprodução do diálogo porque o livro é quase inteiramente na primeira pessoa, com a diretora da escola de Beardsley, a senhora Pratt. Dolores, a Lolita do personagem Humbert Humbert, é uma menina terrivelmente esperta e calculista, de treze ou quatorze anos. Ele um homem de meia idade, talvez ali pelos quarenta anos, obcecado com garotinhas. Chega a casar-se com a mãe dela, uma viúva, apenas para ter mais chance de proximidade com a garota. A mãe morre atropelada, e Humbert inicia uma longa viagem pela América com Lolita, hospedando-se nos mais variados motéis e pousadas.
O autor conta em nota ao final do livro (desta edição que tenho em mãos) que este foi inicialmente rejeitado por quatro diferentes editoras americanas. Acharam insuportável o tema, e alguns editores confessaram não terem sequer chegado ao final da leitura. Isto na década de 50 do século XX. Imagino que hoje o autor estaria encarcerado. A primeira edição aconteceu em Paris. O livro é considerado atualmente uma das 50 melhores obras da literatura universal. Não é pouca coisa.
Um último detalhe curioso. Vladimir Nabokov escreveu este livro em inglês, língua que aprendeu ainda em criança, antes de escrever e ler em russo.

(21 de maio de 2018, o mais cruel dos meses para mim)

Benedito Valadares foi interventor e governador de Minas Gerais. Natural de Pará de Minas, lá fez sua carreira política, sem maiores ambições. Quando faleceu o então governador do Estado de Minas (dizia-se Presidente do Estado) em 1933, Olegário Maciel, as forças políticas se movimentaram para que fosse indicado como interventor Virgílio de Melo Franco, irmão de Afonso Arinos. Era apoiado pelos gaúchos e pelos mineiros. Mas existiam outros fortes candidatos, como Gustavo Capanema, por exemplo. Ocorre que Benedito, então um desconhecido deputado federal (hoje seria algo como pertencente ao baixo clero), pediu uma audiência ao Presidente Getúlio Vargas, dizem que em busca de um emprego público, porque andava muito mal das finanças. Naquele tempo deputado podia ser pobre.

Contou Juscelino, em depoimento ao CPDOC da FGV (registrado no livro Getúlio uma história oral, coordenado por Valentina da Rocha Lima), que Getúlio depois de perguntar-lhe pelos políticos mineiros, indagou o que ele achava dele mesmo. Benedito resumiu dizendo que não era propriamente um homem culto, mas era leal aos amigos. Getúlio então disse-lhe, sem mais essa nem aquela, que iria nomeá-lo interventor, mas não contasse a ninguém, nem à sua mulher. Prossegue Juscelino no seu depoimento que Benedito ao chegar em casa foi logo dizendo à dona Odete que seria o novo interventor em Minas. Dona Odete teria lhe dito "Benedito, eu sempre lhe disse que você não deveria beber..." Pano rápido, como diria Millôr Fernandes.

Benedito Valadares foi interventor e governador de Minas Gerais de 1933 a 1945. Emprestou o nome à cidade mineira de Governador Valadares. Dizem, também, que ele gostava de tomar uma Providência (lá de Buenópolis, perto de  Bocaiuva, terra adotiva de meu saudoso irmão Lucílio).

Pois bem, não é que Benedito Valadares escreve um romance denso, agradabilíssimo, com capítulos curtos e uma linguagem muito acessível? As más línguas dizem que o verdadeiro autor do romance Esperidião (tenho aqui uma cópia autografada, edição de 1951) foi Cyro dos Anjos, aclamado escritor mineiro, autor do famoso livro O Amanuense Belmiro (de 1937), romance que exalta a cidade de Belo Horizonte. Eu não sei, só sei que o livro de Benedito é muito gostoso de se ler. Conta a história de um político mineiro dos bons tempos, matreiro. Em um dos últimos capítulos, a propósito de uma escultura projetada por um italiano para a prefeitura de Belo Horizonte, é sugerido que seja a estátua do mineiro nu, que deve simbolizar Minas, na sua pureza de intenções. Envolto, apenas, na bandeira nacional. Bons tempos...

(10 de maio de 2018)

Eu me emocionei muito com este livro, que recebi de presente. Um diário íntimo de Carlos Drummond de Andrade sobre acontecimentos familiares que o faziam se deslocar constantemente do Rio de Janeiro para Minas. Ora era a mãe, ora um irmão ou irmã. A narrativa, sem intuito aparente de ser publicada algum dia, e recolhida pelo neto Pedro Augusto, mostra o poeta extremamente preocupado com a família. Eu que também fiz este caminho entre o Rio e Minas muitas vezes, por razões semelhantes às dele, senti profundamente a leitura. O Aeroporto da Pampulha, a Avenida Afonso Pena, o Cemitério do Bonfim, o bairro da Serra. O livro também trata dos amigos, como Manuel Bandeira e Rodrigo Melo Franco de Andrade. Os últimos dias do poeta Manuel Bandeira, internado ora no Leblon, ora no Samaritano, é de dar pena.
A palavra que melhor retrata este livro tão delicado é saudade. Recomendo a leitura.
Transcrevo parte de um poema (Irmão, irmãos) constante do livro.

Ser irmão é ser o quê? Uma presença
a decifrar mais tarde, com saudade?
Com saudade de quê? De uma pueril
vontade de ser irmão futuro, antigo e sempre?
(Carlos Drummond de Andrade)

(Livro Uma forma de saudade, Carlos Drummond de Andrade, Companhia das Letras)

(9 de abril de 2018)

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