Blogger Template by Blogcrowds.

Quando aqui em casa minha filha viu o cortejo em Leicester para o sepultamento definitivo dos restos mortais de Ricardo III, protestou. Mas não era ele um detestável tirano, conforme retratou William Shakespeare? De fato, a única coisa que nos atrai na história deste rei da Inglaterra no século XV, o último da dinastia dos Plantagenetas, é o nome. O mesmo que escolhemos para nosso filho mais velho, talvez pensando mais em Ricardo Coração de Leão do que em Ricardo III. A famosa peça teatral de William Shakespeare mostra um rei cruel, com deformidade física, e ambição sem limites. Capaz de mandar matar os filhos de seu irmão, e outros membros familiares, para usurpar o poder. O poder. Esta palavrinha tão em moda hoje em dia, quando assistimos a uma outra peça tragicômica que mostra como a ânsia de poder leva homens comuns a se prostituirem e praticarem os atos mais levianos, em prejuízo de toda uma coletividade. Certamente não é só pela riqueza. É pela volúpia do poder. Ricardo III foi o último rei da Inglaterra morto em combate, o que pôs fim à Guerra das Duas Rosas em 1485. Segundo a peça de Shakespeare, ele diz pouco antes de ser morto uma frase que ficaria famosa "A horse! a horse! my kingdom for a horse!". Mas resta a indagação. Por quê o cerimonial de sepultamento na Catedral de Leicester em pleno século XXI, com as ruas apinhadas de súditos e curiosos?
(27 de março de 2015)

Dia desses almoçando com amigos, Wandyr me perguntou se conhecia algum destilado de jabuticaba. Então, lembrei-me da cachaça de Catas Altas que Carmencita me deu de presente há alguns anos, exatamente para me provar que ela existia. Wandyr, viticultor em Mendoza, Argentina, onde produz vinhos de excepcional qualidade talvez se surpreenda em saber que em Catas Altas, na região do minério em Minas Gerais, também produzem vinho de jabuticaba há muitos anos. Aliás, a tradição vinícola da cidade vem desde o século XIX, quando o Monsenhor Mendes, vigário que chegou ao arraial em 1868, introduziu a cultura da vitis vinifera e a produção de vinho ao estilo do Velho Mundo, revitalizando a economia da região, fragilizada com o fim do ciclo do ouro. Em 1949 um agricultor local iniciou a produção de um vinho a partir da fermentação da jabuticaba, esta sim uma fruta tipicamente brasileira. Hoje são muitos os produtores de vinho de jabuticaba, de maneira quase artesanal, o que enseja a realização da Festa do Vinho de Catas Altas, já na sua décima quinta edição em 2015 (no mês de maio).

Agora uma pequena historinha sobre João Batista Ferreira de Sousa Coutinho, o primeiro Barão de Catas Altas. Foi riquíssimo. Dono da mina de ouro do Gongo Soco, que depois vendeu aos ingleses. Contam que quando D. Pedro I visitou pela primeira vez Ouro Preto ele ofereceu ao imperador e sua comitiva um jantar, em que a baixela era toda em ouro. Ao que D. Pedro observou que nem no Palácio de Queluz havia visto aquilo. Ato contínuo foi-lhe oferecida a baixela completa de presente, e ele na maior sem cerimônia mandou embrulhar e levar para o Rio de Janeiro. Continuava o saque de Minas Gerais. O Barão de Catas Altas morreu na miséria, assistido apenas por dois de seus escravos.
Foto do Centro Histórico de Catas Altas-MG de autoria de Lucia Coelho. Licenciado sob CC BY-SA 3.0, via Wikimedia Commons.
(16 de março de 2015)

"E porque eu me levanto para recolher você no meu abraço, e o mato à nossa volta se faz murmuroso e se enche de vagalumes enquanto a noite desce com seus segredos, suas mortes, seus espantos - eu sei, ah, eu sei que o meu amor por você é feito de todos os amores que eu já tive, e você é a filha dileta de todas as mulheres que eu amei; e que todas as mulheres que eu amei, como tristes estátuas ao longo da aléia de um jardim noturno, foram passando você de mão em mão até mim, cuspindo no seu rosto e enfrentando a sua fronte de grinaldas; foram passando você até mim entre cantos, súplicas e vociferações - porque você é linda, porque você é meiga e sobretudo porque você é uma menina com uma flor."
(retirado de Para uma menina com uma flor, de Vinicius de Moraes)
(13 de março de 2015)


A editora de eBooks Smashwords promove anualmente, sempre no mês de março, uma semana de livros com descontos, muitos deles inteiramente gratuitos. Nós estamos prolongando nossa oferta de um eBook grátis até o dia 2/4/2015.
O livro é o romance Sabará 18, de autoria de Carlos Vieira, cuja história se passa na Minas do século XVIII. Para fazer um download, no formato que o leitor preferir, basta clicar na página da Smashwords e escolher a opção buy. No carrinho de compras vai aparecer um espaço para um cupom. Use o código MH33P. O livro poderá ser baixado inteiramente grátis. Aproveite para ter mais um eBook em sua biblioteca.

Na pesquisa What Kids Are Reading realizada anualmente nos Estados Unidos, abrangendo na versão 2015 um universo de quase 10 milhões de estudantes dos níveis 1-12 das escolas primária e secundária, um livro publicado pela primeira vez há mais de cem anos, clássico da literatura infanto-juvenil, aparece sempre na lista de preferidos. Uau, não é pouca coisa.
Trata-se do livro The Secret Garden, de Frances Hodgson Burnett, cuja primeira edição aconteceu em 1911. Eu fui apresentado a este livro por minha filha Barbara, há muitos anos e ela era ainda uma adolescente, quando o incluiu numa lista de livros que me encarregou de garimpar na Barnes and Noble. Além da versão original existem também adaptações feitas por diversos autores para torná-lo mais digerível por leitores de menos idade. E o livro aparece como preferido tanto pelas meninas como pelos meninos, o que já é um grande feito.

Penso que qualquer autor independente gostaria de saber o que determina a longevidade de um livro, capaz de torná-lo ainda atraente após um século depois de escrito. Não é o que acontece com os livros de Machado de Assis e Eça de Queiroz? Claro que acima de tudo há que se ter algum talento. Assim como dizia Vinicius de Moraes em relação à beleza da mulher, talento é fundamental. Mas parece que os livros, como também as peças de teatro (vejam o caso de Shakespeare), que mexem com as emoções humanas tendem a ter vida mais longa. No caso de The Secret Garden pude ler depoimentos de adultos que relatam como ficaram comovidos pela história ao tempo em que leram o livro, ainda crianças.
Se fizerem uma pesquisa na internet poderão ver que o livro já teve centenas (será exagero?) de capas diferentes ao longo do tempo nas edições em inglês, e nas muitas outras línguas para as quais foi traduzido, inclusive o português. Na comunidade de leitores Goodreads ele já teve cerca de 500 mil avaliações (pasmem) e mais de 9 mil resenhas. Não acham que é um fenômeno?

A história começa com Mary Lennox, uma menina órfã descrita logo de início como intratável e indesejada pelos pais, indo morar em casa de um tio na Inglaterra. Este era viúvo com um único filho Colin, tratado com todos os cuidados por ser doente, cuja existência ela só vem a descobrir mais tarde. Mary encontra um jardim cujo acesso era lacrado no terreno da casa, objeto de cuidados da tia que foi lá vítima de um acidente que a matou, e começa a cuidar das plantas com ajuda dos empregados. Aos poucos ela vai envolvendo Colin com suas histórias do jardim e consegue, finalmente, tirá-lo de dentro da casa pela primeira vez em vários anos. O pai, retornando de uma viagem, fica surpreendido em ver seu filho correndo e as crianças brincando no jardim. Colin acaba ajudando Mary a enfrentar os desafios do mundo. O livro passa a mensagem do pensamento positivo contra os falsos desígnios e o determinismo. Como diria Seth, nós fazemos a nossa própria realidade. Não somos governados por um destino inexorável.

E a propósito de livros infantis, nosso autor independente Álvaro Esteves, agora em parceria com o jovem Daniel Borges, acaba de publicar D8 Robot and the Red Balloon, disponível na Amazon. Aos poucos, com persistência, vamos ganhando os mercados do mundo. São as novas invasões bárbaras.

(28 de fevereiro de 2015 - hoje comemoração torta dos aniversários de Pedrim e Joaquim)

Postagens mais antigas