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Outro dia, em Petrópolis, deixaram este livro no chalé que estávamos ocupando, com uma linda mensagem. Foi uma surpresa da Fernanda. A primeira vez que recebi de presente um livro de Vinicius de Moraes foi no meu aniversário de 18 anos (Antologia Poética) e me foi dado pela menina da casa ao lado. Muito tempo depois fui morar na Rua Lopes Quintas, rua em que ele nasceu. E fico sabendo pelo livro Todo Amor que sua primeira esposa, casamento por procuração, era neta do Almirante Custódio de Mello, que deu o nome ao navio que me levou pela primeira vez ao Canadá. Vinicius escreveu uma carta aos pais (morava em Oxford nesta época) comunicando o casamento e pedindo que recebessem a esposa em família.
Vinicius é o poeta da minha predileção. Não foi por outra razão que Fernanda garimpou na Livraria Timbre este livro para nos dar de presente, em uma data tão significativa. Então, peço licença para transcrever estes versos que foram escritos há exatamente 80 anos:

De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.

(Soneto da Separação, Vinicius de Moraes, 1938)

(13 de fevereiro de 2018)

Estava eu outro dia placidamente tomando um chope em companhia de meu amigo Cuíca (sim, autores independentes ainda fazem isso) quando começamos a nos lembrar das leiterias do centro da cidade do Rio de Janeiro. A velha Leiteria Mineira, fundada no início do século XX, e que já passou por vários endereços, todos próximos. Começou na antiga Galeria Cruzeiro, que deu lugar ao enorme edifício Avenida Central, depois esteve na Rua São José, e desde a década de 70 está lá na Rua da Ajuda. É, por assim dizer, a heroína da resistência.
Falamos também da Leiteria Silvestre, que eu já conheci numa loja do Avenida Central (no lado da Rua São José) e o Cuíca se lembra de quando ainda era no Largo da Carioca. Dizem que fechou, depois de mais de 100 anos de existência, por causa da violência que tomou conta desta santa cidade de São Sebastião.
Depois, nos lembramos da Leiteria Bol, que ficava na Rua Gonçalves Dias. Lá almocei muitas vezes, porque era muito conveniente, perto do escritório. E sempre encerrava a refeição ligeira com uma coalhada com mel. Talvez venha daí esta minha luta contra os índices glicêmicos. Dizem que a coalhada era uma marca registrada destas leiterias.
Há um livro antigo, só encontrado hoje em dia em sebos e de autoria de Luiz Edmundo, que fala muito bem destas leiterias (e de como era aqui no começo do século XX). O Rio de Janeiro do Meu Tempo, em vários volumes e edição da velha Editora Conquista (a gente tinha que abrir as páginas com uma lâmina).
Viva Rio! Você tem tanta história, tanta tradição, uma cidade tão linda que já resistiu à invasão francesa, à febre amarela, às revoltas da Armada, ao Estado Novo, aos maus governantes, que não pode agora sucumbir à incompetência e à corrupção.
(9 de fevereiro de 2018, às vésperas do Carnaval)

Fui agraciado, por estes dias, com generosos presentes vindos de Lisboa. Trata-se da correspondência completa (pelo menos toda a conhecida até agora)  de Eça de Queiroz a seus amigos e parentes, em dois volumes, e outro que trata exclusivamente das cartas pessoais que trocaram Eça e sua mulher Emília ao longo de pouco mais de quinze anos de convivência. Organização e notas de A. Campos Matos. Meu amigo José Manuel Vieira de Sá não poderia ter me agradado mais.
A correspondência de Eça começou a ser publicada, aos poucos, desde 1916. São vários livros, ao longo do tempo, sempre a incluir cartas inéditas. É de se ressaltar o trabalho da professora Beatriz Berrini, da PUC de São Paulo, uma queiroziana de mão cheia, que participou ativamente da Fundação Eça de Queiroz, em Tormes (Santa Cruz do Douro), Portugal. Autora de muitos livros sobre Eça, a Profª. Beatriz também participou da elaboração de uma das mais completas edições das cartas conhecidas do escritor português, publicada no ano 2000 pela Editora Nova Aguilar, do Rio de Janeiro.
Meu primeiro contato com Eça foi pela estante de meu pai. Lá eu li, ainda no início da adolescência, as Cartas de Inglaterra, uma coleção de ensaios que revela outra faceta da atividade intelectual e profissional do escritor, aquela de analista político.
JM comentou, e eu não sabia, de um pormenor da vida de Eça. A mãe só se casou com o pai dele, este nascido no Brasil, quando Eça de Queiroz tinha cinco anos. E ele teve como mãe de leite uma senhora pernambucana, dona Ana Joaquina Leal de Barros. São, portanto, muitas as ligações dos brasileiros com o grande escritor português.
Aproveito para recomendar a leitura de outra postagem deste blog - Era Lisboa, e Chovia, título do livro do Embaixador Dário Moreira de Castro Alves, que é uma viagem sentimental pela Lisboa dos personagens de Eça de Queiroz.
(6 de fevereiro de 2018)

O autor independente Washington Luiz Bastos Conceição acaba de publicar um novo livro, já disponível agora na versão eBook no site da Amazon.com.br (e para quem quiser existe também uma versão impressa, esclarece o autor).
A crônica que dá nome ao livro é um retrospecto dos 85 anos do autor, muito bem vividos e um exemplo para todos nós amigos e autores. Disse ele que quando perguntado como se sentia chegando aos 85 anos, respondeu "admirado".
Washington mantém um blog onde coloca (Escritos do Washington), com afinco, suas crônicas sobre os mais variados assuntos. De vez em quando ele reúne crônicas selecionadas e publica um novo livro. Todas elas escritas em tom coloquial, ou como gosta de dizer, uma conversa direta com o leitor. Como estamos às vésperas do Carnaval de 2018, recomendo ler a crônica Marchinhas de carnaval - entrando na onda. Você encontra os livros anteriores do Washington em nossa Livraria Virtual.
Diz o autor:
"Além das crônicas, pretendo escrever mais livros, pois tenho muitas histórias para contar."
Ficamos aqui esperando.
(28 de janeiro de 2018)


Parece que um blog que se propõe a falar de livros e autores independentes não pode deixar de fazer referência a uma das personalidades mais marcantes e controvertidas da literatura do século XX. A realidade é que até hoje havia passado em branco por aqui. Pobre deste blog.
  Sylvia Beach, em seu livro, conta que o casal Pound foi um dos primeiros frequentadores de sua famosa livraria em Paris, lá pelos anos 20 do século passado. Ezra Pound e Dorothy Shakespear (sem o "e", ela fez questão de frisar) moravam em Londres nesta época. Ele americano e ela inglesa. Dorothy chegou a fazer um mapa para ser impresso no verso do anúncio da livraria, porque achou que seria muito difícil aos possíveis leitores a encontrarem. Ezra Pound é considerado um dos precursores do modernismo na poesia. Revolucionou tudo. E ainda por cima deu sugestões, acatadas, no famoso poema The Waste Land de T.S. Eliot. Incentivou, não apenas com palavras, mas até com apoio financeiro escritores de talento como James Joyce e Ernest Hemingway.
  Publicou seu primeiro livro, cuja tiragem foi de apenas 100 exemplares, quando morava na Itália. Mas sua obra prima foi o longo e complexo poema Os Cantos, que durou cerca de 40 anos para ser totalmente terminado. Vou dizer uma coisa para vocês. Não é de fácil leitura. É preciso pesquisar um pouco para captar exatamente o sentido dos Cantos, uma proposta de poema épico, que começa buscando inspiração na Odisseia de Homero e na Divina Comédia de Dante. Ele mudou totalmente a métrica tradicional, incluiu partes de poemas de outros poetas, buscou trechos da filosofia chinesa, citou acontecimentos históricos, fez, em resumo, um apanhado da cultura universal.

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