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"Que raízes são essas que agarram, que ramos se esgalham
Nessa imundície pedregosa?"
(T.S. Eliot, O Enterro dos Mortos, The Waste Land, 1922)

Os mineiros são duros, persistentes, obstinados. Uma gente verdadeiramente estoica, que valoriza a sabedoria, a natureza e a ética. Aprenderam isso lá para trás, quando tiveram que enfrentar a febre, as feras, a chuva e o sol. Enfrentaram os da terra, que os queriam mandar de volta para o litoral. Enfrentaram os reinóis, que tudo queriam para El-Rei. Enfrentaram a fome e as feras da floresta. Vieram, no início, de Portugal, da Bahia e de Piratininga. Foram forjados no caráter de lutadores. Segundo Alceu Amoroso Lima, em seu Voz de Minas (1945), "O respeito pelos mortos é um dos mais belos traços do caráter mineiro."
E é por isso que estamos aqui e podemos escrever estas palavras. Vamos sobreviver.

O nosso livro "Esta Brava e Estoica Gente das Gerais" (Carlos Vieira e Josélia Teles) conta um pouco desta história de lutas, pegando como exemplo dois troncos mineiros com antepassados de muitas origens. O ebook pode ser baixado gratuitamente da Smashwords (vários formatos) ou da Amazon (formato mobi).
(19 de fevereiro de 2019)


Este livro, escrito por Sílvia do Prado M. Buttrós, uma genealogista de mão cheia, é fruto de um trabalho espetacular. São 549 páginas (incluindo índices e agradecimentos) que documentam, com precisão, a descendência de Manoel Ferreira do Prado, onde me incluo, e de seus irmãos. Mas não apenas. Fala de seus pais e avós.

Carmo da Escaramuça hoje é a cidade de Paraguaçu-MG, terra de minha avó Mathilde Leite e de minha saudosa prima Terezinha Prado Costa, entre outros.

Logo de início, uma surpresa. O patriarca desta imensa família, um certo Pedro do Prado, nasceu na Alemanha. E sua esposa, Ignez da Luz, nos Açores. E onde se casaram? Em algum recanto bucólico de Portugal ou do Sul de Minas? Não, casaram-se em Catas Altas, ao lado de Santa Bárbara, terra dos Pereira tão nossos conhecidos, onde veio a nascer Manoel Ferreira do Prado, neto de Pedro e Ignez.

Muito bem, mas tem mais. E onde foi o nosso Manoel do Prado casar-se? Ali perto, em Barão de Cocais, ou quem sabe em terras de Monlevade, que nem existia? Não, foi casar-se na cidade do Rio de Janeiro, já revelando uma preferência que passaria a descendentes. Com Teresa Maria de Jesus, batizada na Matriz de São José, aos pés do Morro do Castelo, tão conhecida do doutor Vieira Fazenda.

Encontrei também várias referências ao coronel Francisco de Sales Xavier de Toledo, que veio a ser padrinho de batismo da avó do meu avô Flávio. Ele e sua filha Branca, a madrinha. E o avô do meu avô, chamado Flávio Secundo de Sales, que durante algum tempo acreditei ser um professor paulista, foi, na realidade, um exposto na casa de dona Úrsula Xavier de Toledo, irmã de Francisco, e nascido na nossa Campanha da Princesa.

Achei até um parente de nome Caio Campos, o mesmo nome do pai de meu neto Joaquim, embora este seja de uma outra família Campos. Mas será mesmo?

Enfim, o livro maravilhoso de Sílvia nos permite mergulhar no passado e no presente de uma numerosa família, a que temos orgulho de pertencer. Espalhada por Minas, São Paulo, Rio de Janeiro, e vasto mundo. Só ainda não consegui achar um ponto de contato com meu cunhado Nelson Prado. Mas vou achar.
(18 de dezembro de 2018)

Acabei de ler, em plena madrugada, o segundo volume da espetacular história de São Paulo, contada por Roberto Pompeu de Toledo. Trata-se de A Capital da Vertigem. Convivi admirado com personagens dos quais tinha apenas uma ligeira notícia. Ciccilo Matarazzo e Yolanda Penteado. Antônio Prado, Prestes Maia, Adhemar de Barros e Jânio Quadros. A figura de Chateaubriand. Victor Brecheret e sua longa espera pelo Monumento às Bandeiras, que levou 32 anos para ver realizado. Oswald e Mário de Andrade. Tarsila. Outro dia, em São Paulo, um taxista discorreu para mim sobre o escultor, descoberto lá nos idos da Semana de Arte Moderna, por Di Cavalcanti, entre outros. O epílogo escrito pelo autor é um pouco pessimista com relação ao presente e futuro de São Paulo. Ele diz que o trânsito tornou-se o símbolo da cidade, e é o assunto preferido dos moradores. De fato, os noticiários das manhãs contribuem muito para isso, com não sei quantos quilômetros de lentidão. Apenas para fazer um contraponto, quero declarar que sendo morador da cidade do Rio de Janeiro, e praticante quase diário de caminhadas pelos calçadões das praias do Leblon e Ipanema, tenho também um enorme prazer em andar pela Avenida Paulista, descer Peixoto Gomide (cuja tragédia fiquei sabendo na leitura), virar na Alameda Lorena, descer Melo Alves, assuntar as lojas da Oscar Freire (e lamentar o desaparecimento do Bar Supremo), atravessar a Nove de Julho e comer um kibe na Rosima da Pamplona.
Recomendo a todos a leitura deste livro, publicado em 2014.
(26 de novembro de 2018)

Está chegando na cidade? Temos aqui um pequeno roteiro de São Paulo, um verdadeiro "São Paulo for dummies".

Muito pouca gente consegue documentar o cotidiano de sua família, através da linguagem escrita ou visual. Certo, guardamos fotos, vídeos, álbuns. Mas poucos conseguem captar o anima, na definição de Aristóteles, dos componentes do grupo familiar.
É uma pena, porque os anos passam e a gente não consegue mais se lembrar das frases, dos lamentos, dos ataques de raiva, do ciúme, dos gestos, do carinho, das demonstrações de amor.
Quando somos apenas pais, não temos tempo. A luta pela sobrevivência e afirmação profissional consomem quase todas as energias. Só quando somos avós, por uma benção do destino, temos verdadeiramente a oportunidade de observar, refletir e transmitir o que aprendemos de nossos pais.

Nosso amigo Sarmento, em sua infatigável correspondência, como já dissemos uma vez, traz-nos agora a perspectiva do avô. Com desenhos, exclamações, meios sorrisos, e um profundo orgulho de sua descendência.

As histórias e anotações aqui deste livro são atemporais. Até porque o próprio autor se recusa a datá-las, como reclamou a irmã em uma de suas intervenções. Podemos deduzir épocas, a partir de certos acontecimentos. Ou de alguma foto em que a data foi registrada automaticamente, contra a sua vontade.

E ele tem um estilo próprio de escrever, onde abusa dos dois pontos e do ponto e vírgula. Mas é objetivo, faz longas interrupções para explicar alguma coisa que lhe ocorreu ou para encher a caneta-tinteiro. Sim, ele ainda escreve à caneta, contra toda a tendência universal.

Mais um autor independente na praça, comemorando 75 anos. Longa vida, mestre.
(Minha homenagem a Sarmento, Alexandrino e Marcelo Ferraz, aniversariantes de hoje)

(18 de novembro de 2018)

É difícil imaginar-se, hoje, uma cidade como São Paulo ser chamada de "a capital da solidão". Mas o extraordinário livro de Roberto Pompeu de Toledo nos apresenta uma São Paulo dos primórdios até o fim do século XIX. Primeiro, uma tentativa de subir a montanha, sair de São Vicente, e atingir o planalto. Depois uma pequena povoação, o Colégio, os jesuítas. A principal atividade era buscar riquezas no sertão, e escravizar índios para todo o trabalho. Muito depois veio a Faculdade de Direito, numa cidade de escassos 30 mil habitantes, e a cidade ganhou vida nova, dinamismo. E finalmente, chegou o café, vindo do Vale do Paraíba. Com ele a criação da São Paulo Railway, a Estação da Luz, o crescimento, a exportação. São Paulo durante séculos foi menor e mais insignificante do que o Rio de Janeiro, Salvador, Recife e até São Luís. A revolução liberal de 1842 (veja nossa postagem sobre ela aqui) trouxe a vontade da autodeterminação. A província, a este tempo, incluía as terras do Paraná. Diz o autor, que a separação do Paraná, uns dez anos depois, foi de certa forma uma retaliação conservadora à revolução liberal. São Paulo mostrou, então, a sua vocação industrial, o seu crescimento acelerado, até tornar-se a metrópole que conhecemos hoje.
Muito bom de se ler este livro, com a linguagem clara e simples do autor, que a todo momento nos faz lembrar de personagens que foram citados anteriormente. Como dona Maria Paes de Barros, nascida em 1851 e autora de vários livros. E também da famosa dona Veridiana, que empresta o nome a uma excelente casa de massas, onde fui uma vez jantar com a família Proudian.

(2 de novembro de 2018, em homenagem aos falecidos de nossa família, que já são muitos)

Veja um pequeno roteiro neste blog:  Conheça São Paulo


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