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Na pesquisa What Kids Are Reading realizada anualmente nos Estados Unidos, abrangendo na versão 2015 um universo de quase 10 milhões de estudantes dos níveis 1-12 das escolas primária e secundária, um livro publicado pela primeira vez há mais de cem anos, clássico da literatura infanto-juvenil, aparece sempre na lista de preferidos. Uau, não é pouca coisa.
Trata-se do livro The Secret Garden, de Frances Hodgson Burnett, cuja primeira edição aconteceu em 1911. Eu fui apresentado a este livro por minha filha Barbara, há muitos anos e ela era ainda uma adolescente, quando o incluiu numa lista de livros que me encarregou de garimpar na Barnes and Noble. Além da versão original existem também adaptações feitas por diversos autores para torná-lo mais digerível por leitores de menos idade. E o livro aparece como preferido tanto pelas meninas como pelos meninos, o que já é um grande feito.

Penso que qualquer autor independente gostaria de saber o que determina a longevidade de um livro, capaz de torná-lo ainda atraente após um século depois de escrito. Não é o que acontece com os livros de Machado de Assis e Eça de Queiroz? Claro que acima de tudo há que se ter algum talento. Assim como dizia Vinicius de Moraes em relação à beleza da mulher, talento é fundamental. Mas parece que os livros, como também as peças de teatro (vejam o caso de Shakespeare), que mexem com as emoções humanas tendem a ter vida mais longa. No caso de The Secret Garden pude ler depoimentos de adultos que relatam como ficaram comovidos pela história ao tempo em que leram o livro, ainda crianças.
Se fizerem uma pesquisa na internet poderão ver que o livro já teve centenas (será exagero?) de capas diferentes ao longo do tempo nas edições em inglês, e nas muitas outras línguas para as quais foi traduzido, inclusive o português. Na comunidade de leitores Goodreads ele já teve cerca de 500 mil avaliações (pasmem) e mais de 9 mil resenhas. Não acham que é um fenômeno?

A história começa com Mary Lennox, uma menina órfã descrita logo de início como intratável e indesejada pelos pais, indo morar em casa de um tio na Inglaterra. Este era viúvo com um único filho Colin, tratado com todos os cuidados por ser doente, cuja existência ela só vem a descobrir mais tarde. Mary encontra um jardim cujo acesso era lacrado no terreno da casa, objeto de cuidados da tia que foi lá vítima de um acidente que a matou, e começa a cuidar das plantas com ajuda dos empregados. Aos poucos ela vai envolvendo Colin com suas histórias do jardim e consegue, finalmente, tirá-lo de dentro da casa pela primeira vez em vários anos. O pai, retornando de uma viagem, fica surpreendido em ver seu filho correndo e as crianças brincando no jardim. Colin acaba ajudando Mary a enfrentar os desafios do mundo. O livro passa a mensagem do pensamento positivo contra os falsos desígnios e o determinismo. Como diria Seth, nós fazemos a nossa própria realidade. Não somos governados por um destino inexorável.

E a propósito de livros infantis, nosso autor independente Álvaro Esteves, agora em parceria com o jovem Daniel Borges, acaba de publicar D8 Robot and the Red Balloon, disponível na Amazon. Aos poucos, com persistência, vamos ganhando os mercados do mundo. São as novas invasões bárbaras.

(28 de fevereiro de 2015 - hoje comemoração torta dos aniversários de Pedrim e Joaquim)

Esta história já dura mais de setenta anos e sobre ela permanecem ainda muitas dúvidas. Dois dos maiores expoentes da Física no século XX, Niels Bohr e Werner Heisenberg, tiveram um encontro (que na realidade foram três eventos) em Copenhague em 1941 e um assunto crucial veio à baila - a bomba nuclear. Bohr, dinamarquês, era o chefe do prestigiado Instituto de Copenhague dedicado à ciência e cujos trabalhos contribuíram enormemente para o conhecimento da física quântica, Prêmio Nobel de 1922. Heisenberg, alemão, Prêmio Nobel de 1932, enunciou o famoso Princípio da Incerteza, foi um dos mais brilhantes orientados de Bohr, e um dos poucos físicos de renome mundial que decidiram permanecer na Alemanha nazista. Eram muito amigos, havia uma admiração recíproca, e segundo diversos relatos continuaram amigos após o término da guerra.

Existem muitas versões para este encontro, dramatizado na peça de enorme sucesso de autoria do inglês Michael Frayn, com apenas três personagens: Bohr, Heisenberg e Margrethe (esposa de Bohr), que voltam a se encontrar após a morte. A peça começa com uma indagação fundamental: por que Heisenberg foi a Copenhague em 1941?
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Lá na Igreja e Abadia da Graça, em Salvador, estão os restos mortais de uma autêntica brasileira, batizada em 30 de julho de 1528 na comuna de Saint Malo (Bretanha) como "Katherine du Brézil", conforme registro de batismo abaixo. Com isto ela e o marido, Diogo Álvares Corrêa, se tornaram, por assim dizer, o primeiro casal cristão do Brasil.

Le pénultime jour du moys surdit fut baptizée la
Katherine du Brézil, et fut compère ......
premier noble homme Guyon Jamyn, sieur
de Saint Jagu, et commères Katherine des Granges
et Françoise Le Gonien, fille de l'aloué
de Saint Malo, et fut baptizée para maître Lancelot
Ruffier, vicaire du dit lieu, le dit jour que dessus.
P. Trublet


Ela é a índia Paraguaçu, filha do cacique tupinambá Taparica, cuja aldeia ficava mais ou menos onde é hoje o bairro da Barra, em Salvador. Ele é o famoso Caramuru, nascido na atual Viana do Castelo, e que chegou com menos de vinte anos a nado na região do bairro do Rio Vermelho, depois que sua nau foi a pique. Sua história é conhecida. Ele deu início à primeira povoação portuguesa do Brasil exatamente no alto do bairro da Graça. Foi lá que Paraguaçu, já batizada, mandou construir uma pequena igreja para nela ser colocada uma imagem de Nossa Senhora das Graças que apareceu na praia da Ponta de Castelhanos, imagem que seria levada para Buenos Aires não fosse uma tempestade que fez a embarcação naufragar. Esta mesmíssima imagem está lá até hoje na atual Igreja da Graça para quem quiser ver.

O casal Diogo e Paraguaçu foi levado para a França pelo explorador Jacques Cartier, o chamado "descobridor" do Canadá. Levou-os para o seu burgo natal na Bretanha (Saint Malo), e depois apresentou-os à corte do rei de França. Sua mulher Catherine Desgranges encarregou-se da catequese de Paraguaçu e emprestou-lhe o nome cristão. Só vários anos depois o casal Diogo e Paraguaçu retornou à Bahia.

Pois bem, este casal deu origem a uma enorme descendência. Segundo o historiador e genealogista Frei Antônio de Santa Maria Jaboatão foram quatro as filhas legítimas. De uma delas, Genebra Álvares, descende também nossa autora independente Josélia Teles, coautora do livro Esta brava e estoica gente das Gerais (cujo eBook pode ser baixado gratuitamente, em vários formatos - clique aqui). O livro mostra que as raízes de muitos velhos troncos de famílias mineiras, para usar um termo do Cônego Raimundo Trindade, estão mesmo em Portugal, na Bahia e em São Paulo.

O livro de Olga Obry, Catherine du Brésil, publicado pela primeira vez em português em 1945, conta a história fantástica de Paraguaçu.

(19 de fevereiro de 2015)


O seu nome todo era Joaquina Bernarda da Silva de Abreu Castelo Branco Souto Maior de Oliveira Campos. Assim mesmo como acho que deveriam ser os nomes das pessoas, com todas as famílias a que pertencem. Nascida em Mariana - MG no ano de 1752, casou-se aos doze anos com Ignácio de Oliveira Campos, com quem realmente queria se casar e não com aquele que seu pai havia escolhido para ela. Começou cedo. O casarão que mandou construir na Fazenda de Nossa Senhora da Conceição do Pompéu, hoje demolido sabe-se lá porquê, tinha 80 quartos. A fazenda, que se estendia do centro de Minas Gerais (região de Pitangui) até as terras de Paracatu, nos limites com Goiás, tinha a bagatela de 950.000 alqueires de terra. Foi uma grande criadora de gado, abastecendo Minas e o Rio de Janeiro, nos tempos do Brasil Colônia, Reino e Império. Dizem que possuía alguma coisa como 40.000 cabeças. Entre seus descendentes estão muitos mineiros ilustres, como Milton Campos, Afonso Arinos de Melo Franco, Magalhães Pinto, Dom Carlos Carmelo de Vasconcelos Motta, Benedito Valadares e Gustavo Capanema.

Agora passemos a falar do médico, escritor e poeta Agripa Vasconcelos, também um descendente de dona Joaquina Bernarda, e que conheci quando morava na esquina da minha rua Santa Rita Durão com Contorno, em Belo Horizonte, como descrito no livro Armazém Colombo. Agripa Vasconcelos escreveu muitos livros importantes para os mineiros, imortalizados no cinema e na TV. Escreveu, só para falar de alguns, romances sobre o Gongo Sôco, Chica da Silva, Chico Rei, Dona Beja e dona Joaquina do Pompéu. Agripa estudou medicina no Rio de Janeiro e foi orador de sua turma, tendo na ocasião recebido um destaque especial no discurso do paraninfo, Miguel Couto. Segundo fiquei sabendo agora, no blog criado por sua neta Mara, ele era também um leitor voraz, fazendo infindáveis pesquisas e mil anotações para futuros trabalhos, dispostas em volumosas pastas em uma mesa caótica. Escreveu seu primeiro livro muito jovem ainda, o que lhe rendeu entrar para a Academia Mineira de Letras aos 22 anos. Apesar de ser um dos mais importantes nomes da literatura em Minas Gerais, quando lhe perguntaram uma vez o que havia trazido mais satisfação em sua vida, se escritor ou médico, não teve dúvidas em escolher a medicina. Faleceu em Belo Horizonte em 1969.

Dona Joaquina do Pompéu foi uma figura marcante e controvertida. Criaram-se muitas lendas sobre ela, sobretudo porque mesmo muito antes da morte do marido ela já havia assumido pessoalmente a condução dos negócios da família, e dizem que tudo conduzia, inclusive os filhos, com rigor militar. Quando morreu deixou de herança, entre outras coisas, 11 fazendas. Talvez seja por isso que tenho um neto que se chama Joaquim Campos.

Para saber mais sobre a obra de Agripa Vasconcelos recomendo o excelente blog www.agripavasconcelos.blogspot.com

(9 de fevereiro de 2015)


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