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  Os mineiros dirão que sim. Minas é eterna. Quem vai a Tiradentes, mesmo sendo turista estrangeiro, fica maravilhado. Outro dia me disseram que Tiradentes foi escolhida como a melhor opção turística do Brasil. Acho um pouco de exagero, mas vá lá. Minha amiga portuguesa Maria Fernanda, quando lá esteve, me disse "Isso aqui é o Alentejo".

  Meu amigo Clóvis me diz que vai em breve visitar o Serro. Aproveitei para repassar uma postagem deste blog que fala da Chácara do Barão do Serro. E hoje li no jornal que o novo presidente da Academia Mineira de Letras quer abrir ao grande público o acervo enorme da Academia e cita Eduardo Frieiro, também objeto de uma postagem nossa (Feijão, Angu e Couve).

  Mas o que dizer dos desastres recentes, como Brumadinho, e a permanente ameaça a Barão de Cocais e, claro, à nossa Santa Bárbara (que deu nome a um delicioso pudim) de Carmélia Pereira? Foi a extraordinária genealogista Silvia Buttrós, em seu livro Os Prados de Carmo da Escaramuça,  que nos revelou que lá nasceu nosso antepassado comum da família Prado, personagem que um dia cheguei a acreditar que era mesmo paulista, talvez nascido em Itu, cidade onde eu já quis morar. A querida Adriana Schwartz diz que eu sou a pessoa que ela conhece que mais quis morar em outros lugares. Poços de Caldas continua na lista.

Carlos Drummond de Andrade, o poeta de Itabira, que morava aqui no Rio na Rua Conselheiro Lafayette (bisavô da Corina), escreveu em seu famoso poema  E agora, José?

"Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?"

(6 de julho de 2019)


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Anotações genealógicas sobre dois troncos mineiros.



  Por sugestão de minha terapeuta multidimensional comprei e li o livro Autobiografia de um Iogue, do Paramahansa Yogananda, falecido em 1952, nos Estados Unidos. Devo ter sido a última pessoa no Ocidente a fazer isso. Todo mundo com quem comento minha descoberta sorri com benevolência e diz "Ah, sim, o Yogananda", na maior intimidade. Eu confesso que nunca havia lido. E nossa autora Fátima Teles ainda me disse que este era o livro de cabeceira de Steve Jobs.

  Pois bem, o livro vale a pena ler. É fascinante. Somos apresentados aos gurus mais famosos da Índia, e termos estranhos em sânscrito, com revelações surpreendentes.

  Queria mencionar duas passagens apenas, para ilustrar. A primeira delas é a ressurreição do guru de Yogananda, algum tempo depois que ele próprio havia presidido a cerimônia de sepultamento de Yukteswar. Muito semelhante ao que aprendi nas aulas de catecismo. A segunda passagem é o encontro de Yogananda com Nirmala Devi, tida como santa e que ele não conhecia pessoalmente. Esta, ao vê-lo, desce do carro onde estava e diz: "Pai, o senhor veio." E depois, "Pai, estou me encontrando com o senhor nesta vida, depois de séculos! Por favor, não vá embora ainda."

  Suspeito que a senhora Helena Petrovna Blavatsky quando nos dizia dos segredos dos mestres indianos, que eu pensei em encontrar em seu livro Isis Sem Véu e não encontrei, estava se referindo a estes gurus como os veneráveis Babaji, Lahiri Mahasaya e Sri Yukteswar Giri.

  Depois disso, comecei uma fase mística, e a ler vorazmente livros de Kriya Yoga e auto conhecimento. Nunca é tarde para aprender. Devo tudo isso à minha terapeuta, que fez rapidamente as malas e partiu para a Inglaterra. Provavelmente antes que eu a perturbasse com muitas dúvidas ou entrasse em meditação profunda.

(22 de junho de 2019)


 A iniciativa pioneira do Hospital da Baleia (em Belo Horizonte), com o projeto idealizado por Cláudia Márcia Pereira, e tornado realidade com o apoio da Estante Mágica, merece todo nosso aplauso.
 Crianças em tratamento oncológico foram estimuladas, nos intervalos entre sessões de quimioterapia, a escrever livros de histórias infantis, alguns entremeados com os próprios dramas pessoais.
 Os primeiros sete livros publicados, em capa dura e brochura, tiveram lançamento e sessão de autógrafos dos jovens escritores no Olympico Club, da minha infância e início da adolescência em Belo Horizonte.
 Uma iniciativa maravilhosa. Diz a Estante Mágica, que se intitula o maior projeto de incentivo à leitura do Brasil, que mais de 400 mil alunos de escolas brasileiras já escreveram e ilustraram seus próprios livros. Fantástico.
 Parabéns à Cláudia, uma voluntária que não se curva diante das dificuldades.

(14 de abril de 2019)

No nosso livro Armazém Colombo, aqui em nossa Livraria Virtual, tem uma pequena história que fala do Hospital da Baleia.

  Nestes tempos atuais, quando virou moda falar do Golpe de 1964 (até na ONU!), um fato histórico que aconteceu no Brasil há 55 anos, lembrei-me de mencionar neste blog um livro que tem uma história muito interessante, cujo autor foi um protagonista importante daquela época. Explico.
  Algum tempo depois do falecimento de Carlos Lacerda, a família fez uma doação de seu arquivo com cartas e documentos para a Universidade de Brasília. Esta, por sua vez, fez uma parceria com a Fundação 18 de Março, de Belo Horizonte, que resultou na publicação de vários livros, fruto de um intenso trabalho de equipe, coordenado pelo Dr. Túlio Vieira da Costa.
  Em uma destas cartas, o menino Carlos de 9 anos, promete à sua mãe que jamais será um político. Coisa que foi a vida toda, até a sua morte.
  E a equipe encontrou nos arquivos de Carlos Lacerda 21 contos inéditos, que mostram uma outra faceta desta personalidade intrigante. A de escritor, de enorme talento, que nunca quis se arriscar a escrever um romance. Estes contos foram colocados em livro, editado pela primeira vez em 2003, e divididos em duas partes: contos da juventude e contos da maturidade. Aqueles da juventude são em maior número e são espetaculares. Destaco A jovem caranguejeira e José e seu roubo.
  Carlos Lacerda legou-nos, também, A Casa do Meu Avô, um livro icônico, já citado aqui neste blog.

(5 de abril de 2019)

 Conheci o Mosteiro, primeiro, por ter assistido a várias missas de domingo na Igreja (hoje Basílica) Abacial de São Sebastião. Considero que foi um privilégio. Uma Avenida Sete onde era possível caminhar tranquilamente até a descida da Ladeira da Barra. Acho que este era o tempo do Abade Dom Timóteo, mineiro de Barbacena e primo de Alceu Amoroso Lima. Depois, conheci as partes acessíveis ao público, e a imensa riqueza cultural que ele preserva.

 O Mosteiro de São Bento da Bahia foi fundado em 1582, e foi o primeiro mosteiro beneditino do Novo Mundo. Mais antigo que aqueles de Olinda e do Rio de Janeiro.  O seu acervo de peças sacras e obras de arte é imenso. A sua biblioteca tem cerca de 300 mil volumes (já imaginou o que é isso?), e talvez possua o maior conjunto de obras raras no Brasil.

 Recentemente fiquei maravilhado com o monumental trabalho de Dom Gregório Paixão e uma equipe de especialistas, livro editado em 2011, quando o Mosteiro completaria seus 430 anos. São 400 páginas de uma qualidade incrível em texto e imagem. Apenas como amostra para bibliófilos, as extremidades do miolo foram douradas.
 Procurei inserir abaixo algumas fotos do corpo do livro para que tenham uma pequena ideia. Clarissa, cujas fotos ilustram a capa de vários livros e Yomutan, um artista que a Bahia nos deu de presente, certamente irão apreciar. E pensar que houve tempo (1911) em que quiseram derrubar o Mosteiro para construir uma sede do governo estadual e fazer um novo traçado da avenida. Tem dó, como dizia Credidio Rosa. Alguém mais poderoso não permitiu. Deo Gratias.

(16 de março de 2019, em homenagem à querida Adriana Schwartz, que já morou na Bahia e hoje mora em São Paulo, no dia do seu aniversário.)






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