É curioso. Uma das produções mais premiadas este ano por seus efeitos visuais - inclusive o Oscar - não tem o ritmo frenético dos filmes de ação ou ficção, que costumam usar e abusar desses recursos.
O tempo custa a passar para o jovem Pi, o personagem central da trama. Náufrago, perdido no Oceano Pacífico na companhia de seus medos e de um tigre, Pi tem que fazer um esforço às vezes sobre-humano para fazer o tempo passar. É uma luta contra a monotonia, só quebrada pelos embates no interior do bote, nos inevitáveis enfrentamentos com o Richard Parker, o felino de nome tão desconcertante. Aí, o "bicho pega" (literalmente) e as cenas são de fato de arrepiar.
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O tempo custa a passar para o jovem Pi, o personagem central da trama. Náufrago, perdido no Oceano Pacífico na companhia de seus medos e de um tigre, Pi tem que fazer um esforço às vezes sobre-humano para fazer o tempo passar. É uma luta contra a monotonia, só quebrada pelos embates no interior do bote, nos inevitáveis enfrentamentos com o Richard Parker, o felino de nome tão desconcertante. Aí, o "bicho pega" (literalmente) e as cenas são de fato de arrepiar.
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Marcadores: Opinião
Aharon Appelfeld escreveu este angustiante livro de memórias, publicado em
Israel em 1999 e nos Estados Unidos há dez anos, como um verdadeiro resgate de
sua luta pela vida. Ele fala de como um menino, de repente, ficou sozinho numa
floresta da Romênia, vivendo como bicho assustado por dois anos, escondido dos
nazistas que mataram sua mãe e levaram seu pai para um campo de extermínio.
Eu me lembrei dele novamente ao ver um menino de nove anos discorrendo com sabedoria sobre a vida e o universo em vídeo do Youtube. Uma coisa espantosa. Como sempre achei que esta é uma idade mágica, e disse isso ao início do livro Armazém Colombo, fui novamente constatar que esta era a idade de Appelfeld em 1941, quando se viu envolvido em uma guerra da qual não fazia nem ideia.
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Eu me lembrei dele novamente ao ver um menino de nove anos discorrendo com sabedoria sobre a vida e o universo em vídeo do Youtube. Uma coisa espantosa. Como sempre achei que esta é uma idade mágica, e disse isso ao início do livro Armazém Colombo, fui novamente constatar que esta era a idade de Appelfeld em 1941, quando se viu envolvido em uma guerra da qual não fazia nem ideia.
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Marcadores: Memórias
Washington Conceição
Tenho a honra de ser vizinho de bairro do Sr. João Ubaldo Ribeiro. Sim, falo do imortal e o bairro é o Leblon, no Rio. Cumprimentamo-nos quando nos vemos na Dias Ferreira, rua simpática em cujos bares e restaurantes se encontram as pessoas do bairro, cariocas em geral (nativos ou adotivos) e turistas.
As crônicas do Ubaldo são, para mim, a maior atração dos jornais de domingo. Elas me agradam muito. Sempre me interessam e mostram sua competência como escritor; em especial, sua forma de encaminhar os assuntos. Divirto-me com os personagens de Itaparica, através dos quais ele discute assuntos sérios com a ironia que lhe é habitual, bem como com os diálogos no boteco do Leblon que tratam de assuntos atuais de nossa sociedade. Impressiona-me sua ironia fina, que beira ao sarcasmo quando comenta os malfeitos dos políticos e governos em geral. Contudo, mantém clara sua posição de cidadão que se preocupa com o que ocorre no Brasil.
Tenho a honra de ser vizinho de bairro do Sr. João Ubaldo Ribeiro. Sim, falo do imortal e o bairro é o Leblon, no Rio. Cumprimentamo-nos quando nos vemos na Dias Ferreira, rua simpática em cujos bares e restaurantes se encontram as pessoas do bairro, cariocas em geral (nativos ou adotivos) e turistas.
As crônicas do Ubaldo são, para mim, a maior atração dos jornais de domingo. Elas me agradam muito. Sempre me interessam e mostram sua competência como escritor; em especial, sua forma de encaminhar os assuntos. Divirto-me com os personagens de Itaparica, através dos quais ele discute assuntos sérios com a ironia que lhe é habitual, bem como com os diálogos no boteco do Leblon que tratam de assuntos atuais de nossa sociedade. Impressiona-me sua ironia fina, que beira ao sarcasmo quando comenta os malfeitos dos políticos e governos em geral. Contudo, mantém clara sua posição de cidadão que se preocupa com o que ocorre no Brasil.
Outra razão forte de eu gostar de ler suas crônicas é que,
coincidentemente, os fatos que ele crítica também me desagradam.
Sua maneira de ver as coisas é muito semelhante à minha e –
acredito – a de muitas pessoas deste País. Ou seja, sinto-me
brilhantemente representado nessas críticas.
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Marcadores: Personalidades do livro
Comprei este livro há muitos anos, antes mesmo do chavismo, lá em Caracas. Gabriel García Márquez em sua obra de ficção antecipou a realidade. Os resultados das eleições venezuelanas divulgados ainda nesta madrugada, com uma vitória apertadíssima da situação, mostra um outro Bolívar em sua decadência física, mas com enorme reserva de força moral. O sonho bolivariano deveria se tornar realidade. Os povos andinos, nossos vizinhos com mais de 130 milhões de habitantes, merecem uma longa fase de paz e progresso. Esperemos para ver.
“Examinó el aposento con la clarividencia de sus vísperas, y por primera vez vio la verdad: la última cama prestada, el tocador de lástima cuyo turbio espejo de paciencia no lo volverá a repetir, el aguamanil de porcelana descarchada con el agua y la toalla y el jabón para otras manos, la prisa sin corazón del reloj octogonal desbocado hacia la cita ineluctable del 17 de diciembre a la una y siete minutos de su tarde final. Entonces cruzó los brazos contra el pecho y empezó a oír las voces radiantes de los esclavos cantando la salve de las seis en los trapiches, y vio por la ventana el diamante de Venus en el cielo que se iba para siempre, las nieves eternas, la enredadera nueva cuyas campánulas amarillas no vería florecer el sábado siguiente en la casa cerrada por el duelo, los últimos fulgores de la vida que nunca más, por los siglos de los siglos, volvería a repetirse”. (Gabriel García Márques, "El General en su laberinto")
(15 de abril de 2013)
“Examinó el aposento con la clarividencia de sus vísperas, y por primera vez vio la verdad: la última cama prestada, el tocador de lástima cuyo turbio espejo de paciencia no lo volverá a repetir, el aguamanil de porcelana descarchada con el agua y la toalla y el jabón para otras manos, la prisa sin corazón del reloj octogonal desbocado hacia la cita ineluctable del 17 de diciembre a la una y siete minutos de su tarde final. Entonces cruzó los brazos contra el pecho y empezó a oír las voces radiantes de los esclavos cantando la salve de las seis en los trapiches, y vio por la ventana el diamante de Venus en el cielo que se iba para siempre, las nieves eternas, la enredadera nueva cuyas campánulas amarillas no vería florecer el sábado siguiente en la casa cerrada por el duelo, los últimos fulgores de la vida que nunca más, por los siglos de los siglos, volvería a repetirse”. (Gabriel García Márques, "El General en su laberinto")
(15 de abril de 2013)
Marcadores: América Latina, Notícias
O Colégio Arnaldo, de Belo Horizonte, comemorou cem anos em 2012. Passei em frente outro dia, descendo a Avenida Bernardo Monteiro, e fiquei admirando o prédio restaurado e imediatamente comentei com quem estava ao lado como era possível construirmos estes autênticos monumentos que resistem ao tempo há cem anos, e hoje (em 2013) temos um estádio como o Engenhão, no Rio, interditado apenas cinco anos após inaugurado.
O Colégio Arnaldo não é apenas um ícone de Belo Horizonte, e por onde andaram personalidades do livro como Carlos Drummond de Andrade e Guimarães Rosa. Marcou toda uma geração de belorizontinos. Foi ali, naquela capela neogótica, que eu ia à missa aos domingos, ainda de calças curtas, e foi onde mandamos celebrar em 1988 uma outra missa muito dolorosa para nós. Esse livro aí ao lado, "Colégio Arnaldo - uma escola nos trópicos", de José Maria Cançado (que também escreveu uma biografia do poeta Drummond), foi editado por C/Arte, e conta muitas histórias do velho Colégio, desde o seu início. Eu me lembro muito bem das que os amigos contavam naquela época sobre o padre "Coqueiro" (padre Guilherme Gross), um implacável disciplinador. Paulo Mendes Campos cita em um de seus poemas o "imenso dedo do padre Coqueiro".
O Colégio Arnaldo lá está, ocupando todo um quarteirão, oficialmente na praça João Pessoa, confluência de Carandaí com Brasil, antes da Praça Doutor Lucas Machado (nascido em Sabará, a quem conheci pessoalmente, sempre impecável). Ao lado daquelas mangueiras, para mim centenárias, da avenida Carandaí, e daquela Rua Ceará tão presente na minha infância.
(14 de abril de 2013)
O Colégio Arnaldo não é apenas um ícone de Belo Horizonte, e por onde andaram personalidades do livro como Carlos Drummond de Andrade e Guimarães Rosa. Marcou toda uma geração de belorizontinos. Foi ali, naquela capela neogótica, que eu ia à missa aos domingos, ainda de calças curtas, e foi onde mandamos celebrar em 1988 uma outra missa muito dolorosa para nós. Esse livro aí ao lado, "Colégio Arnaldo - uma escola nos trópicos", de José Maria Cançado (que também escreveu uma biografia do poeta Drummond), foi editado por C/Arte, e conta muitas histórias do velho Colégio, desde o seu início. Eu me lembro muito bem das que os amigos contavam naquela época sobre o padre "Coqueiro" (padre Guilherme Gross), um implacável disciplinador. Paulo Mendes Campos cita em um de seus poemas o "imenso dedo do padre Coqueiro".
O Colégio Arnaldo lá está, ocupando todo um quarteirão, oficialmente na praça João Pessoa, confluência de Carandaí com Brasil, antes da Praça Doutor Lucas Machado (nascido em Sabará, a quem conheci pessoalmente, sempre impecável). Ao lado daquelas mangueiras, para mim centenárias, da avenida Carandaí, e daquela Rua Ceará tão presente na minha infância.
(14 de abril de 2013)
Quer ler mais sobre coisas de Minas Gerais?
Anotações genealógicas sobre dois troncos mineiros.
Anotações genealógicas sobre dois troncos mineiros.
Onde comprar?
Marcadores: História
A Livraria Lello & Irmão está localizada na Rua das Carmelitas 144, cidade do Porto, Portugal. É uma das mais bonitas livrarias do mundo, em cuja lista deveríamos também incluir a Livraria da Vila, em São Paulo, e a El Ateneo, em Buenos Aires.
A Lello atual teve seu início por iniciativa de um francês, Ernesto Chardron, em 1869. Depois foi adquirida por José Pinto de Sousa Lello em 1881 e deu início à famosa Lello & Irmão, como é conhecida desde 1919. A Livraria é uma parada obrigatória para todos os que visitam o Porto (assim como tomar um café no Majestic e dar uma passada pelas Caves do Vinho do Porto, acrescento eu). A arquitetura e o interior da Livraria são esplêndidos, muito embora pareça um estreito edifício pelo lado de fora. São destaques os vitrais e a Ponte do Encanto, como se vê ao lado. Quem gosta de livros e livrarias tradicionais e nunca foi lá tem que conhecer.
(12 de abril de 2013)
A Lello atual teve seu início por iniciativa de um francês, Ernesto Chardron, em 1869. Depois foi adquirida por José Pinto de Sousa Lello em 1881 e deu início à famosa Lello & Irmão, como é conhecida desde 1919. A Livraria é uma parada obrigatória para todos os que visitam o Porto (assim como tomar um café no Majestic e dar uma passada pelas Caves do Vinho do Porto, acrescento eu). A arquitetura e o interior da Livraria são esplêndidos, muito embora pareça um estreito edifício pelo lado de fora. São destaques os vitrais e a Ponte do Encanto, como se vê ao lado. Quem gosta de livros e livrarias tradicionais e nunca foi lá tem que conhecer.
(12 de abril de 2013)
Marcadores: Livrarias, Livro e turismo
Se não fosse o jovem governante da Coreia do Norte nos lembrar de que nunca houve um acordo formal para o fim da Guerra da Coreia (1950-1953) nós não saberíamos deste atual "estado de guerra".
O General Douglas MacArthur foi o comandante supremo das tropas da ONU em 1950 que tentaram acabar com esta divisão da Coreia entre uma Coreia comunista e outra não, em plena guerra fria. Quando MacArthur pediu permissão para atacar a China, que já então apoiava a Coreia do Norte, o Presidente Truman o destituiu do comando e encerrou uma das mais fascinantes e discutidas carreiras militares do século XX. Segundo uma velha canção do Exército americano, "old soldiers never die, they just fade away", citada por ele em sua despedida em West Point. O livro ao lado, de autoria de Geoffrey Perret, conta a história do controvertido MacArthur.
O General Douglas MacArthur foi o comandante supremo das tropas da ONU em 1950 que tentaram acabar com esta divisão da Coreia entre uma Coreia comunista e outra não, em plena guerra fria. Quando MacArthur pediu permissão para atacar a China, que já então apoiava a Coreia do Norte, o Presidente Truman o destituiu do comando e encerrou uma das mais fascinantes e discutidas carreiras militares do século XX. Segundo uma velha canção do Exército americano, "old soldiers never die, they just fade away", citada por ele em sua despedida em West Point. O livro ao lado, de autoria de Geoffrey Perret, conta a história do controvertido MacArthur.
Marcadores: Biografias
Gente, socorro! Já sabíamos que havia falsificação de remédios, falsificação de assinatura, falsificação de obras de arte, e até de livros. Mas de azeite? Poupem-me. O jornalista Tom Mueller sacudiu os alicerces da gastronomia e da comida saudável no mundo ao escrever um livro em que faz a denúncia de que a maioria dos azeites vendidos nos mercados americano e europeu (muitos também no Brasil) como sendo azeites extra virgem não passam de falsificação.
Os azeites são misturados com diversos outros tipos de óleos, inclusive azeites comuns. Segundo ele o negócio é altamente lucrativo e tem a máfia italiana por trás. Recentemente ele fez uma pesquisa com azeites extra virgem distribuídos por uma companhia sediada no Arizona e os resultados da análise em laboratório mostraram que dez entre quatorze azeites não eram extra virgem, e dentre esses cinco não eram apropriados para consumo. O livro aí do lado foi publicado originalmente em 2011 e caiu como uma bomba. Só sei disso porque fui pesquisar sobre um azeite italiano em oferta e vi que ele estava na lista dos falsificados. Assim não dá. Quero morar em Cascais.
(9 de abril de 2013)
Os azeites são misturados com diversos outros tipos de óleos, inclusive azeites comuns. Segundo ele o negócio é altamente lucrativo e tem a máfia italiana por trás. Recentemente ele fez uma pesquisa com azeites extra virgem distribuídos por uma companhia sediada no Arizona e os resultados da análise em laboratório mostraram que dez entre quatorze azeites não eram extra virgem, e dentre esses cinco não eram apropriados para consumo. O livro aí do lado foi publicado originalmente em 2011 e caiu como uma bomba. Só sei disso porque fui pesquisar sobre um azeite italiano em oferta e vi que ele estava na lista dos falsificados. Assim não dá. Quero morar em Cascais.
(9 de abril de 2013)
Marcadores: Dicas
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| Em nossa Livraria |
Ainda me lembro perfeitamente do cheiro de pão sendo assado na Padaria Savassi, quando ia comprar minhas revistinhas na banca em frente. Olhei com nostalgia o velho Cine Pathé, meio desarvorado, onde assistia aos seriados nos sábados à tarde. Passei em frente ao local onde ficava o Armazém Colombo, que dá nome ao meu livro aí ao lado.
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Marcadores: Livro e turismo
Digam de mim o que quiserem (pois não ignoro como a Loucura é difamada todos os dias, mesmo pelos que são os mais loucos), sou eu, no entanto, somente eu, por minhas influências divinas, que espalho a alegria sobre os deuses e sobre os homens.
É assim que principia o "Elogio da Loucura", de Erasmo de Rotterdam (na tradução de Paulo Neves), escrito em apenas sete dias por volta do ano de 1508.
Nestes tempos loucos, com notícias angustiantes todos os dias nos jornais televisivos, só mesmo voltando a ler este terrível libelo de Erasmo. Mundo louco.
"Está escrito no primeiro capítulo do Eclesiastes: o número dos loucos é infinito. Ora, esse número infinito compreende todos os homens, com exceção de uns poucos, e duvido que alguma vez se tenha visto esses poucos". E tem mais.
"O que seria da raça dos homens se a insanidade não os impulsionasse na direção do casamento?"
(1 de abril de 2013)
É assim que principia o "Elogio da Loucura", de Erasmo de Rotterdam (na tradução de Paulo Neves), escrito em apenas sete dias por volta do ano de 1508.
Nestes tempos loucos, com notícias angustiantes todos os dias nos jornais televisivos, só mesmo voltando a ler este terrível libelo de Erasmo. Mundo louco.
"Está escrito no primeiro capítulo do Eclesiastes: o número dos loucos é infinito. Ora, esse número infinito compreende todos os homens, com exceção de uns poucos, e duvido que alguma vez se tenha visto esses poucos". E tem mais.
"O que seria da raça dos homens se a insanidade não os impulsionasse na direção do casamento?"
(1 de abril de 2013)
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