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    Ontem recebi de presente uma relíquia. Quem me enviou, lá de Ribeirão Preto onde mora, foi meu querido amigo de infância Túlio Sérgio Grasseschi Bueno (veja A Casa do Túlio no livro Armazém Colombo). Trata-se de um exemplar da revista A Inúbia, órgão dos alunos do Colégio Estadual de Minas Gerais, edição comemorativa do centenário do Colégio, em 1954. O Diretor da revista era o saudoso Samuel Dirceu (também citado no livro Armazém Colombo), recentemente falecido. 

O Colégio Estadual foi aquele que me deu a primeira grande frustração da minha vida. Logo após o primário, fiz um teste para me habilitar a cursar a primeira série do ginasial, como se dizia naquela época, e fui reprovado na prova de português. Logo eu, que havia escrito um livro aos nove anos de idade. A família, revoltada, arranjou uma revisão de prova com o diretor do Colégio, professor Heli Menegale, que, calmamente, apontou todos os gravíssimos erros que eu havia cometido no ditado - não havia separado as sílabas, na quebra de linha. Voltei para casa arrasado.

Este número de A Inúbia trouxe coisas muito interessantes. Começa com a monografia que tirou o primeiro lugar no concurso de monografias, onde o autor Marcelo Roberto Linhares faz um retrospecto dos antecessores do Colégio, a começar do Colégio de Nossa Senhora da Assunção da Imperial Cidade de Ouro Preto, de 1840, passando pelo Liceu Mineiro e o Ginásio Mineiro, onde estudaram Getúlio Vargas, Pedro Nava e Afonso Arinos, entre muitos outros. O Ginásio Mineiro funcionou, durante certo tempo, no prédio do atual Corpo de Bombeiros, na Rua Piauí (Belo Horizonte), nas redondezas da minha casa. Depois, já Colégio Estadual, funcionou na Avenida Augusto de Lima, antes de ocupar o prédio projetado por Oscar Niemeyer, perto do Minas Tênis Clube, onde estudou meu irmão Sérgio.

E lá também está o discurso do aluno Sepúlveda Pertence, de ilustre família sabarense,  primeiro lugar no concurso de oratória, que mais tarde exerceria sua função de magistrado com tanto brilho no Supremo Tribunal Federal.

Entre curiosidades, encontrei mensagens, escritas no Termo de Visitas do Ginásio Mineiro, do representante do Japão em 1897 e outra do Almirante Jaceguai, antigo Diretor da Escola Naval.

E, para encerrar, cito uma entrevista com Maria Terezinha de Lima Guimarães, ex-aluna do Colégio Sion e então aluna do Colégio Estadual (1954). Perguntada onde iria passar férias, encerrado o ano letivo, ela responde que vai a dois lugares: Araguari e Copacabana.

Este exemplar da Inúbia ficará arquivada em meus arquivos implacáveis, como dizia na mesma década de 50 do século passado, o jornalista João Condé.

(25 de novembro de 2021)

1 Comentário:

  1. Túlio Sérgio Grasseschi Bueno said...
    Li atentamente o seu comentário.Marcelo Roberto Linhares era advogado e filho do Dr. Marcelo Linhares, notável criminalista. Infelizmente Marcelo Roberto faleceu vítima de atropelamento por ônibus, na AV: Paraná esquina com Tamoios , indo para o tribunal de alçada, na outra esquina. Caminho por nós percorrido durante 3 anos anos rumo ao colégio Anchieta. Túlio Sérgio

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