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"Triste Bahia, oh quão dessemelhante" (Caetano Veloso)

Aproveitei viagem que fiz recentemente, após as eleições brasileiras de 2022, e andei relendo o livro de Hélio Silva (1904-1995) que encerra o chamado Ciclo Vargas. Trata-se de 1954: um tiro no coração. É impressionante como as coisas não mudam no Brasil, há uma repetição cansativa de fatos e posições políticas. Eu queria apenas destacar alguns pontos do livro.

Primeiro, que Getúlio não tencionava ser candidato em 1950. Estava recluso em São Borja. Era cortejado por diversos políticos, que queriam apenas seu apoio, não a sua candidatura.

Segundo, em depoimento de Ernani do Amaral Peixoto, quando consultado o Presidente Dutra por que razão não apoiava abertamente o candidato do PSD, Cristiano Machado, ele teria respondido que o motivo era porque o irmão dele seria comunista. Este irmão vinha a ser Aníbal Machado, pai de Maria Clara Machado e filho de Marieta Monteiro Machado, nome de rua em Sabará (no nosso livro Sabará 18, obra de ficção, aparecem duas personagens chamadas irmãs Machado).

Terceiro, a eleição do Clube Militar em 1950, quando houve um embate entre uma corrente dita nacionalista e outra entreguista. Venceu a primeira corrente, com o general Estillac Leal. O outro concorrente foi o então general Cordeiro de Farias.


Quarto, vencida a eleição por Getúlio, iniciou-se um movimento para impedi-lo de tomar posse. Argumentava o lado perdedor de que ele não teria vencido por maioria absoluta, algo inexistente na Constituição, à época.

Quinto, queria destacar alguns trechos da primeira manifestação pública de Getúlio, depois de ter vencido as eleições.

"Deus é testemunha de minhas relutâncias íntimas em participar de uma campanha que pudesse agravar os vossos sofrimentos e fomentar discórdias e animosidades entre os brasileiros."

"O governo não é uma entidade abstrata, um instrumento de coerção ou uma força extrínseca da comunidade nacional. Não é um agente de partidos, grupos, classes ou interesses. É a própria imagem refletida da pátria na soma de suas aspirações e no conjunto das suas afinidades e lealdades."

(Carlos G. Vieira)

(Livro "1954: um tiro no coração", Hélio Silva, edição L&PM Pocket, 2007)

(25/11/2022)



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