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Esta expressão francesa, citada por Honoré de  Balzac em 1835, parece que foi cunhada na idade média, referindo-se a uma espécie de troca entre o senhor do castelo e os camponeses. Algo como vocês me servem, me abastecem, e eu os protejo. A expressão também reflete uma postura distinta da sociedade atual. Aqueles mais afortunados, ou que ocupam posições de destaque na vida cultural e política de um país devem olhar pelos menos favorecidos. Seria uma questão ética ou moral.

Na Inglaterra, os conservadores olham para a sociedade como sendo necessariamente estratificada. Sempre existirá uma elite, dizem eles, seja ela econômica, política ou cultural. Já os liberais acham que é possível promover uma sociedade mais igualitária, mesmo reconhecendo que sempre haverá alguma distinção entre os mais ou menos capazes. 

Existem inúmeros exemplos atuais, no mundo, de iniciativas da elite em benefício dos menos favorecidos. Warren Buffett, Bill e Melinda Gates, Zuckerberg, Azim Premji, Li Ka Shing, Knut Wallenberg. Criou-se até um neologismo para caracterizar um novo tipo de ação social: o filantropo-capitalista. Aqui no Brasil eu ressalto o trabalho de Túlio Vieira da Costa e Teresinha Prado Costa, que conheci bem de perto, com a Fundação 18 de Março. E temos também a Fundação Abrinq, e o Instituto Ayrton Senna, entre muitos outros. Exemplos não faltam. O que falta é uma consciência coletiva de que a parcela mais privilegiada da população brasileira, ou por herança, ou por cargos públicos, ou por empreendedorismo, ou por sucesso profissional, deve uma atenção a quem tem menos. No Brasil, como observou Roberto DaMatta, uma grande parte da elite esqueceu-se de que tem uma responsabilidade social. "Governar não é possuir e trapacear, mas administrar a chamada coisa pública com noblesse oblige"A apropriação privada de bens públicos e a corrupção escancarada endêmica jogaram por terra qualquer ideia de solidariedade. Criou-se, de uns tempos para cá, um verdadeiro salve-se quem puder. Daí decorre o corporativismo, que é, talvez, a maior característica do Brasil contemporâneo. É o exercício, sem pudores, da defesa dos privilégios. 

Esperemos que o novo ano traga um pouco mais de noblesse oblige para os brasileiros.

Carlos G. Vieira
(29 de dezembro de 2022)


1 Comentário:

  1. Anônimo said...
    Gostei muito! Dou meu like

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